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Ex-governador do Rio é denunciado por comandar esquema de corrupção envolvendo a Odebrecht

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Preso pela Polícia Federal em novembro de 2016 e atualmente cumprindo pena no presídio Bangu 8, no Rio, ex-governador Sérgio Cabral (MDB) tem mais um esquema de corrupção denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF)

O ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (MDB), preso desde novembro de 2016, foi denunciado pela 25ª vez pelo Ministério Público Federal (MPF). Dessa vez, o ex-governador é acusado de crimes de corrupção passiva praticados na contratação de obras com a participação da empreiteira Odebrecht.

Além de Cabral, o MPF denunciou também o ex-secretário de Estado, Wilson Carlos, o ex-secretário de Obras, Hudson Braga, o ex-assessor da Secretaria Estadual de Obras, Wagner Jordão, e o diretor da Riotrilhos, Heitor Lopes, todos supostamente envolvidos no esquema do ex-governador, que teria recebido R$ 78.924.800,00 de propina da construtora.

De acordo com o MPF, a denúncia reúne elementos apurados nas operações Calicute, Eficiência e Tolypeutes, realizadas pela Força Tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro, que confirmam a existência de uma organização criminosa estruturada no governo do estado durante a gestão de Cabral.

O MPF diz ainda que os elementos trazidos na colaboração premiada firmada por executivos da Odebrecht no Supremo Tribunal Federal (STF) foram cotejados com os acordos de colaboração e leniência das empreiteiras, Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia, além de doleiros que operavam para Cabral.

“Logo após assumir o governo em 2007, o ex-governador e Wilson Carlos solicitaram à Odebrecht o pagamento de uma mesada no valor de 1 milhão de reais. As investigações identificaram o pagamento de propina nas obras de, urbanização na Comunidade do Alemão – PAC Favelas, na construção do Arco Metropolitano (Lote 01), na reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014, e na construção da Linha 4 do metrô do Rio. Inicialmente, Cabral e Wilson Carlos pediram 5% do valor dos contratos, valor que foi negociado pela Odebrecht. Assim, foi efetivamente pago o valor de R$ 8.596.800,00 pelas obras do PAC Favelas no Alemão e do Arco Metropolitano; além de 8,5 milhões de reais pela reforma do Maracanã e 59,2 milhões de reais pelas obras da Linha 4 do metrô”, explicou o MPF.

As investigações teriam identificado ainda o pagamento de R$ 1.428.000,00 a Hudson Braga, com a anuência de Cabral e a participação de Wilson Carlos e Wagner Jordão, a título de taxa de oxigênio. O valor corresponderia a 1% do pago pelas obras do PAC Favelas no Alemão e do Arco Metropolitano, distribuído em parcelas mensais para “oxigenar” a estrutura da Secretaria Estadual de Obras.

Outra parcela do esquema teria sido paga a Heitor Lopes, que é acusado de receber, ao menos, 1,2 milhões de reais em vantagem indevida, correspondente a 0,125% dos pagamentos recebidos pela Odebrecht pelas obras da Linha 4 do metrô do Rio.
O MPF revelou ainda que antes mesmo da publicação do edital de licitação das obras do PAC Favelas, já se sabia quais seriam as empresas vencedoras, havendo um acerto entre elas para que uma não atrapalhasse a pretensão de outra e para que se desse cobertura em relação às propostas a serem apresentadas.

De acordo com as investigações, os pagamentos eram realizados pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, que mantinha planilhas de registro de seus recebedores, onde Cabral era identificado com o codinome Proximus.

“Os registros feitos no sistema da Odebrecht (Drousys) e dos colaboradores têm origem absolutamente autônoma e se complementam, na medida em que, em muitas oportunidades, apontam a mesma operação. É possível afirmar que se trata da mesma operação pelo fato de que tanto a Odebrecht, no sistema Drousys, quanto os colaboradores, no sistema ST, usaram a mesma senha para confirmação da entrega de dinheiro, tendo sido feitos os mencionados registros em ambos os sistemas, que, conforme já assentado, foram entregues de maneira independente, sem que um conhecesse o material que o outro entregou”, explicaram os procuradores da república.

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