Com a convenção partidária marcada para esse sábado, 25, o PL do Rio vive dias conturbados antes da definição dos nomes que comporão suas chapas para as disputas, especialmente da presidência da República e do Governo do Rio.
Se os líderes das duas chapas estão mais que definidos, com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato a presidente, e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, deputado estadual Douglas Ruas (PL) como candidato a governador, o mesmo não se pode dizer de seus respectivos vices.
O partido do clã Bolsonaro, que tem sua base principal no Estado do Rio, vem sofrendo diversos reveses, com a ruína da chapa ao Senado, depois da desistência de Cláudio Castro (PL), e da prisão em flagrante de Márcio Canella (UNIÃO), ambos envolvidos em investigações da Polícia Federal (PF).
Mesmo com a soltura de Canella, que ainda tenta se manter candidato mesmo podendo voltar para o xadrez, e a escolha de Carlos Portinho (PL-RJ) para a vaga de Castro, o partido segue com dificuldades e vem perdendo apoio nos bastidores da política fluminense.
Na última semana, depois de informações darem conta de que a federação formada por UNIÃO e PP poderia retirar o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, o então pré-candidato a vice-governador da chapa de Ruas, Rogério Lisboa (PP), “pulou fora do barco”.
O anúncio da desistência acendeu o sinal de alerta para o PL do Rio, que pode perder o apoio dos 2 partidos nas eleições para o Governo do Estado, mesmo que consiga manter o apoio nacional, o que poderia representar um baque na campanha.
Especialmente caso as pesquisas se confirmem nas urnas com uma derrota acachapante de Ruas para Eduardo Paes (PSD) já no 1º turno, embora os números de todas as pesquisas até agora pareçam distantes desse cenário.
Mesmo assim, uma pesquisa eleitoral divulgada pela Gerp nessa terça-feira, 21, mostrou o candidato do PL ultrapassado pela 1ª vez, pelo ex-governador do Rio, Anthony Garotinho (REPUBLICANOS), que teve seu nome anunciado na corrida eleitoral nesse fim de semana após disputa interna no partido.
Em um dos cenários da pesquisa, Eduardo Paes mantém a dianteira com 47% das intenções de votos, enquanto Douglas Ruas perde a 2ª posição para Garotinho, que aparece com 15% contra 11% do candidato do PL.
A própria confirmação do REPUBLICANOS de lançar um candidato próprio para a disputa no Rio reforçaria, segundo analistas, esse momento conturbado do PL, que vai ficando cada vez mais isolado, tanto em seu reduto quanto nacionalmente.
Informações publicadas pelos jornalistas Caio Sartori, Luíza Marzullo, Sérgio Quintella e Thiago Prado, em reportagem do Globo na madrugada dessa terça dão conta de que Flávio Bolsonaro chegou a tentar uma aproximação com os presidentes nacionais dos 2 partidos, Ciro Nogueira (PP) e Antonio de Rueda (UNIÃO), durante convenção da federação em São Paulo, nessa segunda, 20.
Segundo a colunista do Globo, Bela Megale, porém, a missão de Flávio não teve sucesso, já que Antonio de Rueda não foi ao encontro, colocando em dúvida a apoio da federação ao PL também no âmbito nacional.
“Difícil, mas vamos trabalhar”, teria ponderado o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, à reportagem do Globo, sobre o tema.
Some-se a isso as brigas públicas entre Flávio e Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), atualmente preso por golpe de estado, e críticas de aliados declarados, como o ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Jair Bolsonaro, Fábio Wajngarten.
“A Campanha de Flávio não existe: não tem agenda; não tem comunicação; não tem organização; não tem planejamento. Não tem a mínima organicidade que as anteriores tiveram, gerando motivação espontânea”, publicou Fábio Wajngarten no X, no último dia 8 de julho.
E pelo andar da carruagem, também sem vice, já que em reportagem da Veja, assinada pela jornalista Rayssa Motta, nessa terça, lideranças do PL do Rio já teriam, inclusive, admitido chegar à convenção desse sábado sem definições sobre os vices, tanto de Ruas quanto de Flávio. É esperar para ver.