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Na atualidade, mais do que nunca, estamos precisando de misericórdia e compaixão, isto é, da capacidade de sentirmos aquilo que o outro sente, de aproximarmos nossos sentimentos positivos de alguém e de vivermos a solidariedade como opção fundamental de nossas vidas.

O Papa Francisco, no dia 09 de novembro de 2015, em sua catequese, ao explicar o significado do Ano da Misericórdia afirmou “que a humanidade, seja na sociedade, no trabalho e até mesmo na família, precisa urgentemente de misericórdia”.  Muitos não concordaram. Alegaram a existência de problemas mais graves, urgentes, para serem resolvidos. O que não deixa de ser verdade. Porém, precisamos saber que na raiz da maioria dos problemas vividos pela humanidade, na origem dos mesmos, está a falta de misericórdia e compaixão, está o que nós chamamos de amor próprio, o amor que dedicamos, de modo egoísta, a nós mesmos e aos nossos projetos individualistas de vida. Para Francisco, o amor próprio, a falta de misericórdia e compaixão, transforma-nos em seres que, de forma excludente, buscam tão somente os seus próprios interesses, os prazeres e honras que vivem unidos à vontade de acumular riquezas.

Precisamos reverter tal situação. Não podemos mais aceitar uma sociedade que viva apartada da misericórdia, que não tenha compaixão daqueles que sofrem em decorrência de inúmeros motivos. É preciso que queiramos viver a compaixão, ou seja, tenhamos disposição para dedicarmos nosso tempo e nossa ação em prol dos nossos irmãos que vivem em estado de vulnerabilidade ou em constantes experiências de sofrimento.

Viver a misericórdia, a compaixão, na relação com o próximo, com o irmão, representa uma forma de amar e não uma expressão que retrate pena de alguém ou de algum grupo. Sentir pena é algo profundamente complicado. Aquele que sente pena do próximo, de sua condição de vulnerabilidade ou sofrimento, na maioria das vezes, coloca-se numa condição superior, o que oferece condições para julgamentos preconceituosos ou superficiais. É preciso amar o próximo sem qualquer tipo de julgamento quanto à sua situação de vulnerabilidade ou sofrimento. É preciso amar o próximo com compassividade, isto é, com o compartilhamento da sua vulnerabilidade e dos seus sofrimentos, e, sobretudo, com a habilidade de sentir os seus sentimentos.

Só o amor (misericórdia e compaixão) é capaz de fazer transformações e resolver problemas. Com o amor, temos a certeza de que o próximo é capaz de superar a sua vulnerabilidade e os seus sofrimentos; é capaz de fazê-lo em decorrência de que a ajuda que oferecemos é gratuita e baseada na misericórdia, na compaixão, não estando contaminada com a necessidade de ser importante, de proporcionar status, o que acabaria causando dependência.

O amor que transforma é o amor-bondade, aquele que deseja a felicidade como um bem de todos.  É um amor que está sustentado no respeito ao próximo, na incondicionalidade e no desapego. É um amor que procura fazer com que o outro esteja sempre livre da vulnerabilidade e dos sofrimentos, esteja caminhando seu caminho sem imposições ou manipulações, esteja sendo capaz de superar suas experiências de desencanto e indignidade.

Professor José Augusto Abreu Aguiar

 

 

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