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Vice-Presidente da Câmara de Macaé critica prática de políticos da cidade

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Ex-líder do governo no Legislativo não poupou nem a atual gestão municipio

Tunan Teixeira

Até que demorou. Depois de desconversar sobre o assunto publicamente, embora já tivesse revelado a pessoas próximas, nesta quarta-feira, 22, o ex-líder do governo na Câmara Municipal de Macaé, Julinho do Aeroporto (PMDB), anunciou, pela primeira vez abertamente, que não deve retornar ao posto em seu último mandato como vereador.

Durante o Grande Expediente, o vereador, que também vice-presidente do Legislativo, criticou a prática de troca de favores pelo atendimento prestado por gestores da prefeitura a certas demandas dos vereadores.

“As demandas não são minhas não. Nem do meu gabinete, nem do meu mandato. Elas são da população; são eles que precisam. Nunca pedi nada para fazer na minha casa, e nunca vou pedir. Isso tem que acabar. Já ouvi vereador dizer que toda vez que vai ao Barracão, tem que levar um queijo, um pão, um doce. Isso está errado. Não faça isso não, vereador. Porque o senhor não está pedindo favor, está pedindo pela população, que precisa e que tem esses direitos, mas não tem acesso”, disparou Julinho.

Apesar de manter sua postura nas discussões legislativas, defendendo o governo municipal, desde a votação da última reforma administrativa, em novembro passado, Julinho tem se mantido mais comedido em sua atuação pró-governo.

“O Pronto Socorro do Aeroporto está quase pronto. E as vagas já estão todas ocupadas. Eu não indiquei ninguém, mas alguém indicou. O Secretário Adjunto (da Saúde) quem indicou tudo. Agora, para a liderança do governo, não tem vaga não. Assim como para a Secretaria de Educação nunca falta nada. Não estou falando por ciúme não, mas isso precisa acabar. Eu nunca vi alagar no alto do morro. Alguém já viu? Pois é, mas no Planalto da Ajuda alaga. Lembro que uma vez fomos lá com o Prefeito Aluizio (PMDB) e o Secretário (de Serviços Públicos) Celinho Chapeta, e o secretário falava brigando com as pessoas, como se as pessoas estivessem pedindo favor. Isso é obrigação! Atender bem a população é obrigação. É direito deles. Não é porque o vereador está pedindo não, é porque eles precisam. Sabem o que eu ouvi nessa secretaria? Que eles saem às 4 da manhã, e o itinerário é o seguinte: Cavaleiros, Agenor Caldas, porque o prefeito e o secretário passam por ali. E quem mora na Ajuda? E no Lagomar? Ficam sem varrição nas ruas, sem remoção de entulhos, sem o serviço? Eles pagam os impostos iguais a quem mora nos Cavaleiros e na Imbetiba. É direito deles. Não é porque o vereador está pedindo”, desabafou o vereador.

Julinho foi mais além, quando denunciou uma prática bastante comum no meio político, que é o da troca de favores. Segundo ele, um representante de uma empresa privada que vencera uma licitação na área da saúde da prefeitura teria procurado o vereador oferecendo vagas na gestão em troca de poder indicar assessorias.

“Ele disse assim, ‘eu te dou umas vagas lá e você me dá uma assessoria’. Eu tenho tudo gravado. Está tudo aqui, nas conversas. Por isso que tem muita gente dentro da prefeitura que ninguém sabe de onde veio, mas está lá. É preciso parar de fazer politicagem e começar a fazer política de verdade, com responsabilidade”, revelou Julinho, antes de anunciar que, por isso, estava abrindo mão da liderança do governo na Câmara.

 

Foto: Igor Faria

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