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Vereadores de Macaé se pronunciam sobre execução de Marielle Franco em sessão desta terça-feira, 20

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Atendendo a requerimento da vereadora Renata Paes (PSC), Câmara Municipal de Macaé faz um minuto de silêncio em homenagem à vereadora do Rio, Marielle Franco (PSOL), executada no último dia 14 de março, na capital fluminense

Executada a tiros no centro do Rio de Janeiro, no último dia 14 de março, quando voltava de um evento em defesa das mulheres negras, a vereadora do Rio, Marielle Franco (PSOL), continua recebendo homenagens em todo o mundo, e, nesta terça-feira, 20, foi lembrada pelos vereadores de Macaé.

A primeira a homenagear Marielle na Câmara foi a vereadora Renata Paes (PSC), que fez requerimento verbal pedindo um minuto de silêncio pelo caso, que vitimou ainda o motorista do veículo onde estava a vereadora do Rio, Anderson Gomes.

“Queria pedir um minuto de silêncio por Marielle Franco, vereadora atuante que tinha uma carreira brilhante pela frente e foi brutalmente assassinada no Rio de Janeiro”, requereu Renata.

Depois de uma hora de atraso e muitos requerimentos verbais dos parlamentares, a sessão se iniciou com os trabalhos invertidos, ou seja, com o Grande Expediente antes da Ordem do Dia, quando os parlamentares votam as matérias da pauta.

Com a palavra, os vereadores Maxwell Vaz (SD), Julinho do Aeroporto (PMDB) e Marcel Silvano (PT), também se pronunciaram sobre o caso, citando Anderson, e enviando palavras de conforto às famílias das vítimas.

A vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes estavam no carro, no bairro do Estácio, no centro do Rio, quando foram alvejados por 9 tiros vindos de outro veículo. Uma assessoria de Marielle, que também estava no carro, sobreviveu aos disparos, já prestou depoimento à polícia e está sob proteção policial.

Para Maxwell, o assassinato da vereadora do Rio evidencia os diversos casos de perseguição política, principalmente sofrida por parlamentares de oposição, em todo país. O vereador criticou ainda a postura da desembargadora do Rio, Marília de Castro Neves Vieira, que inventou mentiras contra Marielle no Facebook.

“É mais um caso de perseguição política, especialmente a políticos de oposição, mas no caso dela, terminou com esse assassinato brutal. E mesmo depois de morta, ela foi vítima de calúnia e difamação, de uma desembargadora que inventou mentiras sobre ela nas redes sociais. Uma desembargadora, cujo papel é julgar pessoas, julgando por preconceito. É como se vivêssemos numa época de Inquisição e não num estado democrático de direito. É preconceito contra uma mulher, negra e pobre, e que no caso de Marielle, acabou da pior forma. Mas também é um preconceito contra quem vai para a rua pedir voto, é um preconceito contra o político”, falou o Maxwell.

Curiosamente, o líder da oposição foi sucedido na lembrança à Marielle pelo líder da situação, Julinho do Aeroporto, que preferiu lembrar a pouca repercussão que teve outra vítima da execução, o motorista do veículo em estava a vereadora.

“Há muita injustiça no caso da vereadora Marielle que foi brutalmente assassinada. Parece que as pessoas esqueceram do Anderson. Será que ele ficou invisível? Nós também andamos, às vezes, com um motorista. Amanhã acontece com um de vocês, e vão lembrar só do parlamentar. Mas isso é culpa também da sociedade em que vivemos, em que a importância que as pessoas têm é dada pelo que elas fazem. E o que é ser motorista?”, criticou o líder governista, que também ocupa a vice-presidência da Câmara de Macaé.

Julinho elogiou ainda a postura do PSOL, que entrou com ação no Conselho Nacional de Justiça e no Conselho de Ética da Câmara, contra o deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), que também propagou mentiras sobre Marielle nas redes sociais.

“Está certa a atitude do PSOL. O deputado compartilhou algo que ele não conhecia. E quantos fazem isso, todos os dias? Aqui nessa Casa mesmo, já aconteceu. O PSOL é um partido muito interessante, formado por um grupo pequeno, mas de pessoas muito qualificadas. E eu tenho certeza que o deputado vai responder no Conselho de Ética. E que a verdade sobre o assassinato da vereadora virá à tona”, acrescentou ele.

Por fim, o vereador Marcel Silvano também usou do Grande Expediente para homenagear Marielle, a quem ele contou ter encontrado em algumas pautas em defesa dos direitos humanos e contra o golpe político-institucional orquestrado pelo ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB), atualmente preso por corrupção, que causou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Em seu pronunciamento, o vereador petista disse que as falsas informações contra Marielle Franco nas redes sociais não eram “mentiras”, mas sim “absurdos”, e defendeu que o golpe continua, em prol de se criar um estado de exceção.

“Em primeiro lugar, está crescendo no país, principalmente nas redes sociais, uma ignorância que alimenta um neo-fascismo pautado pela violência como princípio e fim. Em segundo lugar, chamo a atenção para esse movimento de retirada de direitos, que é um movimento consolidado em direção a um estado de exceção. É retirar direitos dos moradores das favelas, das mulheres, dos negros, dos mais pobres, dos jovens, das pessoas sem terra nas comunidades rurais e sem moradia nos centros urbanos, que é tudo aquilo pelo qual a Marielle lutava. É a restrição de liberdades, onde pessoas como Marielle não podem mais ter voz, e ainda são vítimas de uma avalanche de mentiras, para atacar quem não concorda. Uma situação que está concretizada, com a intervenção federal na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro”, apontou Marcel.

Por fim, o vereador lembrou ainda que a defesa das chamadas camadas “invisíveis” da sociedade, que são vítimas da violência, como mulheres, negros e os moradores de favelas, era uma das principais pautas da vereadora, e defendeu que calar essa voz foi o objetivo da sua execução.

“Não reduzam o que aconteceu. Marielle Franco morreu defendendo os invisíveis. Não esses que criticam a repercussão, mas os outros, os vizinhos dela, os pobres, as mulheres e os negros. Quantas mulheres estão nos parlamentos brasileiros hoje? Quantas são negras? Quantas são faveladas? Marielle foi executada por isso. Porque queriam calar essa voz. O recado está dado. O Estado está posto. E é uma criminalização da política também essa história de que ‘se morrer [um político] é menos um; tinha que morrer todos’, como se todos os políticos fossem corruptos, desonestos e ladrões. O que nós precisamos na política é de mais gente como Marielles, que diga ‘nós não somos casas cartoriais dos mesmos de sempre!’”, concluiu o vereador.

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