Mídias Sociais

Política

Presidente da Câmara Federal dá indícios de que rejeitará pedidos de impeachment contra Temer

Publicado

em

 

 

 

 Dos 9 pedidos de impeachment protocolados na Casa, Rodrigo Maia já rejeitou 5

 

 

Tunan Teixeira

 

Apesar de toda a pressão popular contra o presidente Michel Temer (PMDB), que viu aumentarem seus críticos depois das delações premiadas dos donos da JBS de que ele estariam envolvido na compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso por corrupção em outubro de 2016, o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) teria indicado nesta segunda-feira, 22, que não aceitará os pedidos de impeachment contra Temer.

As informações são do Ministério Público Federal (MPF), que contou que a posição de Maia, que é aliado do governo, foi tomada durante sessão que aprovou regime de urgência para o Projeto de Lei 5.850, de 2016 (PL 5850/16), que acelera procedimentos de adoção de crianças e adolescentes.

Segundo o MPF, já há 9 pedidos de impeachment protocolados na Câmara, todos feitos por políticos ou partidos da oposição, e mais um será apresentado, pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), cujo conselho pleno aprovou, na madrugada de sábado, o pedido de cassação do mandato de Temer.

Após fazer uma longa defesa da necessidade do Legislativo continuar focado na aprovação das reformas propostas por Temer, a Trabalhista e da Previdência, Rodrigo Maia disse que a Câmara Federal não será usada para desestabilizar o governo.

“Não é minha agenda neste momento gerar nenhuma desestabilização ao governo brasileiro, às instituições públicas neste momento de crise profunda. Trabalho mais com a harmonia e menos com a independência [do Legislativo], que pode gerar essa desestabilização”, disse o deputado carioca, segundo o MPF.

Maia teria afirmado ainda que todas as energias da Câmara estão focadas na agenda econômica, pois, de acordo com ele, esta agenda garantirá a geração de empregos e o desenvolvimento econômico para os brasileiros.

“É um momento delicado, sem dúvida, mas cabe a cada um dos presidentes de Poder cumprir o seu papel constitucional (…). O que cabe à Câmara é reafirmar um compromisso com uma agenda que não é do governo, não é do Congresso, não é do Poder Judiciário, é do Brasil, que é a agenda da superação econômica”, afirmou.

“Não é minha agenda neste momento gerar nenhuma desestabilização ao governo brasileiro, às instituições públicas neste momento de crise profunda. Trabalho mais com a harmonia e menos com a independência [do Legislativo], que pode gerar essa desestabilização”, teria defendido o presidente da Câmara.

Ainda conforme o MPF, Maia teria citado outros temas econômicos aprovados pela Câmara, como a PEC do Teto, a regulamentação do pré-sal e a ampliação da terceirização, além de instruir os deputados a voltar a debater e votar a Reforma da Previdência, entre os dias 5 e 12 de junho, lembrando também que antes, ainda pode haver a aprovação em segundo turno da Reforma Trabalhista, que já foi aprovada em primeira votação.

“Que o presidente da República faça a sua defesa, como vem fazendo todos os dias. E que o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Ministério Público [Federal] façam o seu papel nas investigações e depois nas suas decisões. À Câmara cabe legislar, e nós vamos legislar na linha de garantir a estabilidade do país, as condições para os brasileiros superarem a crise, que foi herdada”, teria dito Maia.

Conforme a Constituição Federal, caso Temer seja afastado ou renuncie, Maia é quem assume o cargo para, em 30 dias, convocar eleições indiretas, com o novo presidente da república sendo escolhido pelos deputados e senadores.

Dos 9 pedidos de impeachment contra Temer, Rodrigo Maia já teria arquivado 5. Não custa lembrara que Maia também é investigado por suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, tendo sido citado por vários delatores da Odebrecht como sendo beneficiário de propinas pagas pela construtora.

Os arquivamentos, segundo relata a coluna do jornalista Ricardo Noblat, do jornal O Globo, teriam sido motivados pela precariedade das ações, que teriam sido baseadas apenas em recortes de jornais.

Os outros 3 pedidos também devem seguir o mesmo caminho, mas necessitarão de uma análise mais acurada por terem maior embasamento jurídico. E, nesta semana, ainda deve ingressar o pedido de impeachment da OAB, que deverá demandar ainda mais trabalho por parte de Maia, caso continue mantendo a opção pelo arquivamento.

Para piorar tudo, Rodrigo Maia também aparece na lista de 11 deputados federais do Rio denunciados nas delações dos donos da JBS, que teria, além dele, Glauber Braga (PSB), Marcos Soares (PR), Roberto Sales (PRB), Rosangela Gomes (PRB), Marco Antonio Cabral (PMDB), Júlio Lopes (PP), Chico D’Ângelo (PT), Cristiane Brasil (PTB), Simão Sessim (PP) e Jair Bolsonaro (PP), acusados de terem recebido dinheiro ilegalmente do frigorífico nas campanhas eleitorais de 2014, num total de mais de 5,2 milhões de reais.

 

Mais lidas da semana