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Petrobras analisa reter Fundo de Contrato para pagamento de verbas rescisórias dos trabalhadores da Personal

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Cerca de 300 funcionários estão acampados base da Petrobras na Praia Campista (Foto: Reprodução)
 

 

 

 
Gerentes e fiscais de contratos da Petrobras com a Personal Service Recursos Humanos, estão nesse momento reunidos no prédio do Edinc, na Granja dos Cavaleiros, para analisar o contrato da empreiteira com a estatal, a fim de negociar com que o capital destinado ao Fundo de Contratos da Personal seja retido judicialmente para pagamento das verbas rescisórias e fundo de garantia de cerca de 900 funcionários terceirizados da empresa, demitidos no início deste mês.

Os trabalhadores foram desligados da empresa no dia 4, com a promessa de que teriam suas verbas rescisórias pagas até o dia 14 deste mês. Porém, de acordo com funcionários, a quantia depositada na data foi considerada “ínfima” por ser muito abaixo do valor de suas verbas. Além disso, os trabalhadores alegam que a Personal não teria detalhado os depósitos.

“Não sabemos se esse valor se refere ao pagamento dos dias trabalhados em novembro, ou a alguma parcela de nossas rescisões. O que sabemos é que está extremamente abaixo do que deveríamos receber. Só sairemos daqui com nosso pagamento ou, no mínimo, com a certeza de que o fundo de contrato está retido. Estamos aguardando o fim da reunião para sabermos se iremos expandir nosso protesto”, avaliou um funcionário que estava há 3 anos na Personal. Dentre as demissões, estão trabalhadores com até 15 anos de casa.

O protesto pacífico dos trabalhadores iniciou ontem (17), após a empresa convocar os funcionários para uma reunião realizada no mesmo dia, em turmas de 100 trabalhadores. Durante as sessões, que ocorreram pela manhã em um hotel na Praia dos Cavaleiros, a Personal informou que o pagamento da verba rescisória dos quase 900 contratados seria parcelado em 24 vezes. A proposta foi considerada “indecente” pelos trabalhadores, que decidiram iniciar o manifesto.

 

Por volta das 11h30, cerca de 300 funcionários da empresa decidiram acampar e bloquear a entrada de cargas na base da Petrobras na Praia Campista, onde estão até o momento. No local há um carro de som e várias barracas de camping. Eles jogam bola e fazem lanches enquanto aguardam um posicionamento da estatal e da empresa. A entrada de pedestres segue liberada. Durante esta madrugada a entrada da base da Petrobras na Imbetiba também chegou a ser bloqueada, mas foi liberada na manhã de hoje, 18.

Personal já foi citada na Lava Jato

 

A Personal Service Recursos Humanos, já foi citada na operação Lava Jato pelo lobista e delator Milton Pascowitch como fonte de propina ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu em contratos com a Petrobras entre 2006 e 2015, alguns dos quais ainda estão em vigor. Os valores dizem respeito a contratos de terceirização de mão de obra e outros serviços de gestão, de acordo com os registros da Petrobras. As quantias mensais somavam, em média, R$ 500 mil, podendo alcançar cifras no patamar de R$ 800 mil por mês. Os valores eram sempre entregues em espécie, conforme o delator. O maior contrato da petroleira com a empresa, no valor de R$ 972 milhões —para "serviços suplementares de apoio administrativo"—, foi assinado em dezembro de 2010 e é válido até este ano. Em 2015, a empresa assinou R$ 268 milhões em contratos com a Petrobras , o que indica que mesmo após o início da Operação Lava Jato, a Petrobras continuou a celebrar contratos com a Personal Service.

Bertha Muniz

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