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Novo escândalo de corrupção gera pedido de impeachment da república por parte de monarquistas

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Página do Pró Monarquia no Facebook tem pouco mais de 57 mil seguidores

 

 

Tunan Teixeira

 

O novo escândalo de corrupção na política brasileira, envolvendo o presidente Michel Temer (PMDB), outros 2 senadores e 1 deputado federal, parece ter mobilizado muito mais do que os descontentes com o governo, mas também descontentes com o regime.

Desde a última quarta-feira, 17, quando o jornal O Globo antecipou conteúdo das delações premiadas dos donos da JBS, maior frigorífico do país, em que Temer teria participado da compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em outubro do ano passado, os defensores da monarquia também vêm se pronunciando, aproveitando a situação para criticar não apenas o governo, mas como todo o regime republicano.

“Depois da delação premiada de hoje, fica cada vez mais evidente que a república caiu... Cabe a nós reconduzir o país”, defende uma publicação da página Pró Monarquia, no Facebook.

Em outra postagem, a página sugere, inclusive, um “impeachment da república”, defendendo que a família imperial brasileira nunca foi citada ou denunciada na Lava Jato, nem fez caixa dois ou possui conta na Suíça, em alusão às recentes notícias de escândalos de corrupção envolvendo políticos nacionais.

Os comentários na página são os mais variados. E de posições políticas misturadas também. Em um deles, a curitibana Tania Nowak pede que o herdeiro ao trono brasileiro solicite uma intervenção militar para depois restaurar a monarquia.

“Existe uma possibilidade de Dom Bertrand de Orleans e Bragança, herdeiro direto do trono Imperial, pedir intervenção militar para depois restaurar a monarquia?”, pergunta a militante, que, em sua página no Facebook, se declara a favor da intervenção militar.

Apesar das postagens afiadas contra o regime, os moderadores da página, porém, pedem cautela aos apoiadores do movimento, explicando que os príncipes herdeiros preferiram aguardar os desdobramentos das delações antes de se pronunciarem oficialmente.

“O Príncipe Dom Luiz, Chefe da Casa Imperial do Brasil, tão logo ficou sabendo, junto a todos os outros brasileiros, dos graves acontecimentos de ontem, entrou em contato com seus irmãos e imediatos herdeiros dinásticos, o Príncipe Imperial Dom Bertrand e o Príncipe Dom Antonio; Suas Altezas decidiram aguardar mais um pouco, até que se tenha um panorama completo da situação, antes de fazerem um pronunciamento à Nação. Recomendamos que todos tenham calma e sejam cautelosos. Neste momento, devemos aguardar com serenidade e usar os fatos a nosso favor, pois nunca esteve tão claro que a Monarquia é a única solução para o Brasil”, justificou o Pró Monarquia.

Em uma consulta feita junto ao Senado, os monarquistas propuseram um referendo pela restauração da monarquia parlamentarista no Brasil, e receberam mais de 25 mil votos de apoio, número suficiente para que a ideia se torne uma Sugestão Legislativa, e seja debatida pelo Senado Federal.

“Caberia ao Imperador as funções de nomear e demitir o Primeiro-Ministro, dissolução do Congresso para convocar novas eleições, a Chefia Suprema das Forças Armadas, a indicação dos ministros do STF, a sanção ou veto a leis e a convocação de plebiscitos e referendos. As funções administrativas e de governo caberiam ao Primeiro Ministro e seu Gabinete. Legislativo e Judiciário com funções mantidas”, explica o referendo, na página do Senado.

Em resposta a um seguidor mais enérgico, que cobra da Casa Imperial atitudes mais enérgicas, “ímpeto e coragem como outrora teve Pedro I em tomar a frente e rédeas do país”, a página, mais uma vez, reitera um posição mais cautelosa, contrariando os mais fanáticos e desejosos de uma intervenção direta.

“A proposta gerada de forma orgânica, originada dos próprios brasileiros e apoiada pelas dezenas de páginas monarquistas independentes mostra mais ainda a força do movimento. A Pró Monarquia, diante de sua posição de Secretariado da Casa Imperial do Brasil, opta pela não interferência direta e deixa que os monarquistas se organizem livremente, dentro dos parâmetros e guias que fornecemos. Já vimos muitas outras propostas como essa que não estávamos de total acordo com os termos, assim como já apoiamos diversas outras desde que entramos no Facebook em 2014. De qualquer forma, vendo o sucesso dessa ideia legislativa, da boa procedência de seu autor, e dos termos em que foi proposta, achamos por bem promovê-la, auxiliando em sua aprovação ainda neste fim de semana”, diz a Pró Monarquia.

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