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Museu do Legislativo de Macaé ganhará companhia de Escola e Biblioteca após aprovação de projeto na Câmara

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Prédio que já foi sede da Câmara Municipal e da Prefeitura de Macaé, e atualmente abriga o Museu do Legislativo, ganhará também Escola do Legislativo e Biblioteca do Legislativo, tornando importante centro de memória e cultura da cidade

Os vereadores de Macaé aprovaram nesta terça-feira, 9, um projeto de lei, de autoria da mesa diretora da Câmara que autoriza a criação de uma Escola do Legislativo e uma Biblioteca do Legislativo no município.

Fruto da luta de vários parlamentares, entre eles os vereadores Dr. Eduardo Cardoso (PPS) e Maxwell Vaz (SD), e o ex-vereador Igor Sardinha (PT), a matéria foi elogiada durante a discussão que antecedeu a votação e aprovação do texto.

Um deles foi o vereador Marcel Silvano (PT), que voltou a comentar seu requerimento aprovado na semana passada, que pedia a criação de um centro de memória para as vítimas da Ditadura no prédio do antigo Ypiranga Futebol Clube, usado como prisão pelos militares durante o regime.

O vereador lembrou a importância do município conhecer sua própria história e defendeu a preservação de espaços como o Ypiranga e o Palácio Cláudio Moacyr de Azevedo, antiga sede da Câmara, mesmo com os momentos “mais vergonhosos” da história da cidade, como a cassação de 6 vereadores durante a Ditadura.

“Um espaço de memória, um museu, aliado à educação, para melhorar nossa prática legislativa, nós fazemos a opção de andar para frente, de superar os problemas do passado sem deixar o passado para trás, esquecido, cego, abafado, pisoteado por baixo do tapete. Nós temos muitos problemas. Aquela Câmara de Vereadores cassou meia dúzia de vereadores na Ditadura Militar. A ata é um registro histórico daquela sessão, é vergonhosa. Nós temos momentos felizes, tristes, honrosos, desonrosos, que nós já vivemos naquele espaço, que nós já acompanhamos, de um lado ou de outro, estando na cadeira e no microfone, ou acompanhando por fora. Decisões que fizeram parte da vida de todo macaense. E que nós não podemos deixar essas memórias ficarem para trás”, defendeu Marcel.

Presidente da Câmara de Macaé, Dr. Eduardo Cardoso também comentou a respeito do projeto, dizendo que o projeto foi o que mais o entusiasmou no Legislativo, confiando muito na união entre escola, biblioteca e museu como um legado histórico para a cidade.

“Realmente é o projeto que mais me entusiasmou aqui na Câmara. Quando nós desocupamos a Câmara antiga para vir para essa Câmara, mais moderna, mais confortável, mas mais longe da população, de mais difícil acesso, mais custosa, mais cara de manter, ficou o espaço lá meio vazio, abandonado, até que o vereador Maxwell propôs que a gente fizesse ali um Museu do Legislativo. E nós fizemos. E o museu está criado, funcionando”, lembrou Dr. Eduardo.

Médico aposentado, reeleito para a presidência da Casa até 2020, e que já anunciou que este será seu último mandato como vereador, Dr. Eduardo explicou ainda que o mérito pela proposta é o diretor geral administrativo-financeiro da Câmara, Gabriel de Miranda Peçanha, que foi atrás da ideia junto a outros órgãos públicos.

“Tivemos que parar para obras, e aí Gabriel, diretor aqui, deu a ideia. ‘Vamos atrás da Escola do Legislativo, criar gestores, qualificar o servidor’. E eu meio sem acreditar, liberei ele para ir e ele foi; o mérito é dele, não é meu não. Gabriel foi lá, foi atrás”, contou.

Segundo ele, atualmente a Câmara de Macaé tem convênios com o Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ), com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), com a Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa do Rio (Elerj), que já doou 3 mil livros para a biblioteca, e com o Instituto de Educação e Pesquisa (IEP) do Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ), além de estar em busca de outro convênio, agora com a Escola do Senado, que deve oferecer ainda ano um curso de de instrumento legislativo, disponível até para os vereadores.

“Até quando a gente fez o museu lá, com aquela casa ali de tanta história, aquela casa antiga tem 200 anos. Ali foi a sede da prefeitura emprestada pela Câmara. Aquilo ali era a Câmara. Emprestamos para a sede do governo enquanto a prefeitura não tinha sede. E ela foi sede da prefeitura durante muitos anos. E ela é tão maior, pela sua importância histórica, pela repercussão do que a Câmara fez; para história política de Macaé. Cassamos vereadores? Sim. Cassamos um prefeito, único no Brasil, porque ele era homossexual. Então, tem tantas lutas, glórias e inglórias naquela casa. Tem tanta história rica e não rica também. Tem tanta história de liberdade e de preconceito, que aquilo ali merecia um espaço maior, merecia uma coisa maior. E eu acho que essa escola, junto com o museu e a biblioteca, forma uma unidade de ensino e cultura que a nossa Câmara vai ser motivo de orgulho durante muito tempo. O que a Câmara vai deixar de legado para a população, porque a gente não se atenta muito, estamos cobrando que falta escola. E biblioteca? E museu em Macaé, qual museu que tem? E a nossa história? Então aquilo ali vai ser um centro de cultura que vai nos orgulhar”, concluiu Dr. Eduardo antes da votação.

O nome da Escola do Legislativo homenageia a servidora Carmem Garrido, falecida em 2016, que atuou como chefe de gabinete da prefeitura entre 1968 e 1980, retornando ao cargo em 1982, encerrando sua carreira na administração municipal em 2004.

Nesse período, Carminha, como Dr. Eduardo se referiu durante a sessão, foi chefe de gabinete dos ex-prefeitos Cláudio Moacyr de Azevedo, Romeu Pereira, Antonio Curvello Benjamin, Alcides Ramos, Carlos Emir Mussi, Nacif Salim Selem e Sylvio Lopes (PSDB). Já a Biblioteca do Legislativo ganhará o nome de Celina Mussi, ex-bibliotecária da prefeitura.


 

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