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Mais novo ex-secretário estadual de Saúde do Rio fornece explicações sobre a pasta em audiência pública da Alerj

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Enquanto a pressão sobre a gestão do Governo do Rio continua subindo dentro da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), que avalia o processo de impeachment contra o governador Wilson Witzel (PSC), os deputados estaduais fluminenses seguem apurando as denúncias de irregularidades na Saúde do Estado.

Depois do não comparecimento do ex-secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, foi a vez do seu sucessor na pasta, Fernando Ferry, que também deixou o cargo durante a pandemia do coronavírus, dar explicações aos parlamentares.

Na última quinta-feira, 25, o ex-secretário estadual de Saúde, Fernando Ferry, afirmou aos deputados estaduais do Rio que pediu exoneração da pasta na última segunda-feira, 22, mesmo tendo assumido o cargo no lugar de Edmar Santos no fim de maio, com objetivo de se preservar juridicamente.

A explicação foi dada às comissões, de Saúde e Especial de Fiscalização dos Gastos na Saúde Pública Durante o Combate do Coronavírus da Alerj, na última quinta, durante audiência pública por videoconferência.

“Eu não senti segurança diante de todas essas complicações de continuar à frente da pasta. Tudo isso cairia sobre o meu CPF. Eu teria que responder por um processo que não fiz parte. Além disso, hoje a gente esbarra num problema da falta de equipamentos, de respiradores, de remédio. Eu vi que o poço é muito mais fundo do que pensava”, justificou Fernando Ferry aos parlamentares fluminenses.

O mais novo ex-secretário estadual de Saúde do Rio também disse que está passando por momentos pessoais delicados e que não tinha pretensões políticas com o cargo, ressaltando que tinha apenas intenção de trabalhar como gestor.

“A única coisa que eu queria era trabalhar como gestor, mas isso só será possível quando todos se unirem para fazer um trabalho sério e independente. Não aguento essa pressão toda. Não conseguir pagar as pessoas também me deixava extremamente abalado e pesou muito na minha decisão”, declarou Fernando Ferry.

Sobre os hospitais de campanha prometidos para o tratamento do coronavírus na capital e em algumas cidades do interior do Estado, como Casimiro de Abreu e Campos dos Goytacazes, o ex-secretário estadual de Saúde do Rio disse que já foi gasto um valor alto na construção dos espaços e que a decisão de concluir as obras ou interrompê-las deveria ser tomada por um colegiado.

“É uma decisão extremamente difícil. Talvez transformar esses espaços em enfermarias seja algo mais viável e com um custo mais baixo, mas é preciso conversar isso também com os conselhos e sindicatos. Tomar essa decisão com um colegiado é fundamental. Mas cabe ao novo secretário decidir o que fazer agora”, analisou.

Fernando Ferry defendeu ainda a centralização das compras de insumos e outros produtos, afirmando que o ideal seria “que houvesse unificação de tudo”, contando ainda que acreditou na possibilidade de fazer isso ao reestruturar a pasta, algo que acabou não acontecendo.

Sobre a Organização Social (OS) Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (IABAS), que era responsável pela conclusão das obras e operação dos hospitais de campanhas, inclusive os de Casimiro e Campos, Fernando Ferry disse que o contrato já tinha terminado quando ele assumiu a pasta.

“São 2 contratos distintos. Um deles do hospital Adão Pereira Nunes [em Duque de Caxias], que a Fundação de Saúde (FSERJ) estava se reestruturando às pressas para assumir. Não fui eu que rompi. O contrato que acabou. Havia a possibilidade de renovação emergencial, mas não quis fazer nada com o IABAS”, contou o ex-secretário.

Apesar das declarações fortes sobre a falta de estrutura da Secretaria Estadual de Saúde do Rio durante a pandemia, Fernando Ferry afirmou que não faltam recursos em caixa na pasta, mesmo com a crise financeira que o governo vem alardeando há alguns meses. “Quando assumi, tínhamos cerca de 330 milhões de reais em caixa. Desse valor, 168 milhões de reais já estavam comprometidos com empenho e pagamentos de contratos, mas ainda sobraria 155 milhões de reais para gerir. Isso era suficiente para resolver os problemas da pasta, mas faltava transparência e independência para trabalhar”, avaliou Fernando Ferry.

Questionado pelo relator da Comissão Especial de Saúde, deputado Renan Ferreirinha (PSB), se houve alguma intervenção política nos trabalhos, o ex-secretário respondeu que não, e “em nenhum momento”, mas reforçou que teve medo de sujar seu nome com o que ele chamou de “processos que eu não fiz parte”.

O ex-gestor estadual da Saúde do Rio contou que sua preocupação aumentou principalmente após ler um relatório da Controladoria Geral do Estado (CGE-RJ), que ele encaminhará para a comissão, sem dar muitos detalhes sobre o conteúdo do documento.

“A única maneira de tirar a Secretaria [Estadual de Saúde do Rio] dessa lama é dando transparência total”, reiterou Fernando Ferry aos parlamentares.

Presidente da Comissão de Saúde da Alerj, a deputada Martha Rocha (PDT) questionou o antigo gestor da pasta sobre a presença do assessor do governador, Felipe Pereira, nas reuniões da secretaria, algo que ele confirmou, porém, disse que não havia interferência em seu trabalho.

“Eu não me sentia constrangido porque ele nunca interferia, ele só ouvia as colocações. Quanto ao burburinho da divisão da secretaria eu também nunca soube de nada”, alegou o ex-secretário.

Em respostas ao deputado estadual Luiz Paulo (PSDB) sobre a gestão da pasta, Fernando Ferry confirmou que a contratação de serviços, a emissão de faturas e o pagamento das notas de empenho estavam sob a responsabilidade de uma mesma subsecretaria, mas revelou que pretendia separar esses setores na reestruturação planejada para a pasta, algo que não chegou a ser executado.

Também estiveram presentes os deputados estaduais, Jair Bittencourt (PP), Pedro Ricardo (PSL), Marcelo Cabeleireiro (DC), Enfermeira Rejane (PCdoB) e Mônica Francisco (PSOL).

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