Mídias Sociais

Política

Greve dos petroleiros do Norte Fluminense denuncia modelo de testagem do coronavírus feito em empresas do setor

Publicado

em

 

A greve dos petroleiros, iniciada na última terça-feira, 4, continua no Norte Fluminense depois de um ato realizado com distanciamento social nesta quinta-feira, 6, às 9h, no Aeroporto do Farol de São Tomé, em Campos dos Goytacazes.

Liderada pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), a greve, batizada de Greve pela Vida, é um movimento da categoria petroleira do Norte Fluminense em razão das inseguranças vividas pelos trabalhadores durante a pandemia do coronavírus.

“É um movimento em defesa da saúde e da vida dos petroleiros e petroleiras que dão seu suor pelas suas empresas e seu país. Dados do 54º Boletim de Monitoramento da Covid-19 (sigla, em inglês, para Coronavirus Disease 2019), divulgado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) no dia 26 de abril, mostrou que a Petrobrás já registrou 6.418 casos de contaminação pela doença – 13,8% dos 46.416 trabalhadores próprios do Sistema Petrobras. Naquele momento o boletim informava 26 mortes de trabalhadores da empresa, mas de acordo com cálculos da FUP (Federação Única dos Petroleiros), baseados em denúncias, somando próprios e terceirizados, já são mais de 80 mortos”, argumenta o Sindipetro-NF.

O ato realizado no Aeroporto do Farol de São Tomé nesta quinta-feira contou a presença dos diretores Alexandre Vieira e Matheus Nogueira, e com a distribuição de máscaras PFF2 para prevenção do contágio do coronavírus.

De acordo com o Sindipetro-NF, na ocasião, o diretor Alexandre Vieira reforçou a importância de as empresas seguirem a sugestão do sindicato de realizar a testagem também durante o trabalho, por conta do período de incubação do vírus, já que a testagem não pega infecções recentes.

Os 2 diretores acrescentaram que, segundo o Ministério Público do Trabalho, 72% dos casos de coronavírus foram detectados a bordo ou nas unidades, e criticaram a gestão da Petrobras, revelando que uma empresa terceirizada que possuía 37 trabalhadores, registrou 25 contaminados que foram culpados pela própria empresa.

A orientação do Sindipetro-NF é para que, na próxima sexta-feira, 14, os trabalhadores desembarquem e cruzem os braços, pedindo unidade da categoria para que ato ajuda a conscientizar as empresas prestadoras de serviços e a própria gestão da Petrobras sobre aa necessidade de mais testes nos profissionais.

“Essa greve é por saúde e pela vida, e nos demanda uma consciência coletiva de que o meu cuidado protege o meu companheiro. Também é importante que caso o trabalhador ultrapasse o 14º dia a bordo e queira desembarcar, procure outros colegas a bordo, conversem e decidam juntos”, ponderou Matheus Nogueira.

Alexandre Vieira lembrou que o Sindipetro-NF não pode decretar greve nas empresas privadas que a entidade não representa, mas pediu que os trabalhadores denunciem via formulário no site, para que o sindicato encaminhe as denúncias de abuso de escalas aos órgãos de fiscalização.

“Uma das principais razões para a greve petroleira é a adoção unilateral, pela Petrobrás, de escalas de trabalho que ultrapassam 14 dias de embarque nas plataformas da Bacia de Campos. Além de não ser fruto de nenhuma negociação com o Sindipetro-NF, este comportamento da empresa desrespeita a legislação e o Acordo Coletivo da categoria”, justifica o Sindipetro-NF.

De acordo com o sindicato, o movimento grevista segue num formato diferente dos outros anos, com a orientação para que os trabalhadores sigam de modo rigoroso a escala de 14 dias a bordo das unidades marítimas e não embarquem nas unidades que estiverem com surto de coronavírus.

“Para as bases de terra, a orientação é a de respeitar estritamente a escala vigente (horários do grupo de trabalho e dias da escala normal), não trabalhar além das 12 horas (turno) e 8 horas (administrativo). A deliberação é válida para todos os trabalhadores próprios e terceirizados da Petrobrás”, explica a entidade, que conclui lembrando que, “em caso de surto nas unidades, o sindicato deve ser comunicado para que a faça o indicativo de não embarque”.

O sindicato também revelou que começou a receber os primeiros relatos de assédio aos grevistas nas unidades, com acusações de que alguns gerentes estão se recusando a receber a solicitação de desembarque, mantendo trabalhadores em cárcere privado nas plataformas.

“A entidade adverte que os trabalhadores estão amparados pela Lei de Greve e que medidas judiciais serão tomadas contra os prepostos da empresa que se comportarem dessa forma antissindical e assediadora. Sindipetro-NF orienta à categoria que denuncie casos de assédio ao sindicato, denuncia@sindipetronf.org.br, enviando os nomes completos dos gestores, para posterior responsabilização individual. A categoria está amparada juridicamente para seguir as orientações do sindicato, exercendo o seu direito de protesto sem sofrer obstáculos dos gerentes”, finalizou o sindicato.

Mais lidas da semana