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Clube Ypiranga, no centro da cidade, volta a ser tema de debate na Câmara de Macaé

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Depois de ser alvo de um pedido para ser transformado em um Centro de Memória para as Vítimas da Ditadura Militar, o tradicional clube Ypiranga (na foto), no centro da cidade, voltou a ser tema de requerimento na Câmara Municipal de Macaé em sessão ordinária desta terça-feira, 30 de abril.

De autoria do presidente da Casa, Dr. Eduardo Cardoso (PPS), o pedido é para que a prefeitura dê informações ao Legislativo sobre a possibilidade de transformar o antigo espaço que já serviu de prisão política durante a Ditadura em um Centro de Cultura, que possa abrigar a Escola Municipal de Dança, a Escola de Artes Maria José Guedes (Emart), entre outras atividades culturais promovidas pelo Executivo.

Além das duas escolas, que há anos são alvos de reclamações pela falta de estrutura em que funcionam, especialmente a Emart, a solicitação do presidente da Câmara inclui ainda salas de aula para os cursos livres e técnicos de teatro, salas de pintura e exposições, um pequeno auditório para palestras, workshops e conferências.

Durante a discussão do requerimento, o vereador Marcel Silvano (PT), que já teve aprovado pela Casa um pedido para a transformação do espaço num Centro de Memória, demonstrou apoio à iniciativa do colega de plenária.

“Quando ouvi na leitura a proposta que o vereador Eduardo traz, de fato ela dialoga com a pauta que nós propusemos aqui por requerimento e que foi aprovada, e que tem uma importância histórica para o município de Macaé, que é a aquele espaço do Ypiranga, no local onde foram aprisionadas lideranças políticas, professores, pensadores do município, lideranças sindicais, na época da Ditadura, uma história que não pode ser esquecida, que não pode ser apagada. Macaé tem uma história de luta riquíssima, de extrema resistência, e que muita gente sofreu pela luta pela liberdade, por lutar por democracia, por enfrentar as atrocidades do governo da Ditadura que se impôs ao Brasil de 64 para frente [até 1985] e presidente, é um espaço histórico para o município de Macaé. Eu sempre me lembro de uma fala de um antigo presidente do Ypiranga, que quando estavam presos ali 160 macaenses, [ele dizia] ‘pode colocar fogo ali, com todos dentro, que não tem problema, a gente reconstrói tudo de novo’. E está ali o Ypiranga sendo abandonado, depredado, desabando na cabeça das pessoas, um prédio com tanta história. E um espaço que tem capacidade para acolher diversas ações”, defendeu Marcel.

O vereador do PT defendeu uma pluralidade de utilização do espaço, lembrando até mesmo da possibilidade de utilização do espaço esportivo do clube, e reafirmou não haver conflito entre as propostas, pedindo ainda a inclusão do Cineclube nos debates de reutilização de espaços no município.

Líder da oposição e um dos idealizadores da criação do Museu do Legislativo, na antiga sede da Câmara, no palácio Dr. Cláudio Moacyr de Azevedo, no centro da cidade, o vereador Maxwell Vaz (SOLIDARIEDADE) também se mostrou favorável à proposta do presidente da Casa, ressaltando que o prédio foi desapropriado pela prefeitura.

“Acho que o vereador Eduardo vem com uma proposta importante, que nós vamos apoiar integralmente. E não é só de conversa. Nós vamos para dentro do projeto apoiar o projeto, fazer o projeto acontecer”, discursou Maxwell.

A proposta recebeu apoio ainda dos vereadores Marvel (REDE) e Dr. Luiz Fernando (sem partido), e acabou sendo discutida pelo próprio autor da matéria, que explicou sua motivação para apresentar a proposta ao Executivo.

“Só queria falar, Marcel, que a minha motivação não foi igual a sua. A minha motivação foi exatamente o Cineclube. Falei, gente, essa história do Cineclube, Maxwell deve saber quanto tempo já dura, deve ter mais de 10 anos? Mais de 10 anos de obras. E essa obra não se conclui e o Cineclube não é utilizado. E ali foi gasto dinheiro público da Petrobras, e não sei se da prefeitura, não sei qual foi a contrapartida da prefeitura, mas numa coisa que é particular, é privada. O Cineclube tem donos. Trezentos, quinhentos, mil donos, tem donos. E o dinheiro público foi colocado ali e a Petrobras investiu, não sei se a secretaria investiu; acho que ajudou no projeto ou alguma coisa assim, mas está ali e eu não acredito que vá ser utilizado, pelo menos pelo setor público. Porque é um prédio caro, muito caro, muito grande, manutenção deve caríssima, e eu não vejo como não devolver aquilo para os donos. Eu não fico imaginando, a não ser que mude a cabeça de muita gente, que aquilo vá ser utilizado. E aí eu fui visitar o Museu [do Legislativo], a Escola [do Legislativo] que está sendo preparada, e falei, gente, isso aqui, na cara, no centro político, no centro econômico, no centro, feio demais. Aquilo ali, se não fosse servir para nada, que transformasse aquilo num jardim. Porque já está muito feia. Aquela imagem ali é uma imagem de guerra no Oriente Médio”, justificou Dr. Eduardo.

Antes da votação, os vereadores, mais jovens e mais antigos, lembraram outras atividades promovidas dentro do clube, que além de sua história política, possuiu grande vida cultural, com bailes, festas e até programas de auditório ao vivo, entre outras realizadas durante a juventude do autor da proposta, que lembrou ainda do período em que o Ypiranga serviu de prisão para perseguidos políticos, entre eles professores como Miguel Ângelo da Silva Santos, que dá nome à faculdade municipal FeMASS, na Cidade Universitária.

Curiosamente, apesar de todo o apoio dos vereadores, o requerimento acabou sem ser votado por falta de quórum, já que, ao final de discussão, quando Dr. Eduardo colocou a matéria em votação, muitos parlamentares se encontravam fora da plenária, e quando retornaram, apressados, a presidência já havia dado prosseguimento à sessão, encerrando a Ordem do Dia e passando ao Grande Expediente. Com isso, a expectativa é de que o requerimento seja votado apenas na próxima terça-feira, 7 de maio, devido ao feriado desta quarta-feira, 1 de maio, feriado do Dia do Trabalhador.

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