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Câmara de Macaé recebeu autoridades em audiência pública para debater segurança no trânsito no município

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Da esquerda para a direita, o Comandante do 32º Batalhão da Polícia Militar (32º BPM), Tenente Coronel Rodrigo Ibiapina; os vereadores Maxwell Vaz (SD) e Cristiano Gelinho (PTC); o Capitão Fábio Soares, do Corpo dos Bombeiros; e Sargento Antenor, comandante do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv)

Em audiência pública realizada na última terça-feira, 25, quando se celebrou o Dia Nacional do Trânsito, vereadores de Macaé receberam autoridades para debater os problemas ligados à segurança no trânsito.

Fruto de um requerimento do vereador Cristiano Gelinho (PTC), o evento aconteceu na noite desta terça, na Câmara Municipal, com a presença do também vereador Maxwell Vaz (SD), bem como de representantes do 32º Batalhão da Polícia Militar (32º BPM), do Corpo de Bombeiros, e do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) da cidade, além de outras autoridades de trânsito na cidade.

Representante do 32º BPM, o Tenente Coronel Rodrigo Ibiapina Chiaradia criticou o processo de formação de condutores por parte dos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) dos governos estaduais.

“Os Detrans estaduais, hoje, se limitam a meros canais para que a pessoa obtenha, de uma forma muito frágil, a CNH (Carteira Nacional de Habilitação). As autoescolas, elas cumprem um requisito também muito simplista e preparam não um condutor, mas preparam a pessoa para passar naquele dia da prova, no exame prático de direção veicular e no exame de legislação de trânsito. Apenas isso. Se a gente for pegar um garoto aí que foi aprovado em todos os certames, ele não sabe absolutamente nada. Ele foi preparado para passar naquele dia da prova, fazer uma baliza e só. Então a gente vê aí uma série de descalabros no trânsito em razão disso”, comentou o Comandante do 32º BPM.

Também presente ao evento, representando do Corpo de Bombeiros de Macaé, o Capitão Fábio Soares defendeu a realização de ações de educação no trânsito como forma de prevenção a acidentes.

“O Corpo de Bombeiros atua tanto na forma de atendimento após a ocorrência do acidente, do sinistro, mas a gente trabalha bastante também com estudo, de forma a prevenir e informar também o cidadão. Então, dessa maneira, eu acredito que na prevenção, se consegue um resultado, até de certa forma, com menos gastos, com menos vítimas, com menos acidentes. Então, de forma preventiva, analisando e debatendo, a gente vai conseguir com que diminua o número desses acidentes”, acredita o representa dos Bombeiros.

Autor do requerimento e presidente da audiência, Cristiano Gelinho lembrou ainda a importância dessas ações na cidade como forma de reduzir o número de acidentes dentro do perímetro urbano do município.

“80% dos acidentes em Macaé ocorrem na Avenida Rui Barbosa, na Linha Azul e na Linha Verde. Esses 3 lugares são responsáveis por 80% dos acidentes que acontecem em Macaé. Muita gente acha que não [acontece dentro da cidade], mas a Rui Barbosa liderando esse ranking é de abismar. É um déficit que nós temos na educação; está faltando educação, como bem falou o comandante [Ibiapina]”, ressaltou o vereador.

Comandante do BPRv de Macaé, o Sargento Antenor reforçou os problemas causados pela falta de educação no trânsito no município, relatando casos em que motoristas se mostram irritados com pedestres e com o cumprimento da própria lei.

“Mais uma vez vocês ouviram falar aqui sobre educação. Não há como se falar de trânsito sem falar de educação no trânsito. Mesmo na frente do posto, ali onde é um ponto de ônibus e é um retorno, as pessoas ficam irritadas ao parar para que uma simples pessoa atravesse. Dia desses, eu tive que sair do posto para poder ajudar uma pessoa. Mas eu fiquei observando como [um motorista] ficou irritado ao parar o trânsito para que um idoso pudesse atravessar a rua. Gente, isso é inconcebível nos dias de hoje! Isso é inconcebível! Eu fiquei parado, acho que uns 10 minutos, só para ver se alguém se dignaria a parar. Não houve ninguém que parasse. Então, assim, educação. Educação. Que tipo de pessoa está atrás do volante? É aquela pessoa que quando é pedestre, quer todas as prioridades do mundo, mas enquanto motorista, não aceita que nada atrapalhe seu itinerário. A pessoa não está disposta a perder 5 minutos do seu tempo para que o outro possa ter os seus direitos assegurados”, revelou o sargento.

O comandante do BPRv contou ainda que alguns motoristas se sentem incomodados por serem parados por estarem sem a CNH, e, segundo ele, este tipo de problema parece ser um problema cultural dos motoristas brasileiros.

“Eu vou falar principalmente de rodovia. O BPRv, como vocês sabem, atua prioritariamente na rodovia. É prioritariamente, não é exclusivamente, deixando bem claro isso. E ainda sobre algumas operações do BPRv, nós vemos as mais diversas infrações de trânsito. Desde a falta da CHN, que parece que é cultural. A pessoa consegue dinheiro primeiro para comprar o carro, e depois ele vai tentar tirar a CNH. E quando é parado, fica irritado. Ele acha que está tranquilo, está tudo bem. Mas eu sempre deixo claro para eles o seguinte. O que eles estão fazendo é o cometimento de crime, crime de trânsito, tipificado em lei. Quando você começa a proceder com ele, ele acha que você está errado. Podia deixar por menos, porque como bem foi dito aqui e eu peço desculpa, não recordo quem falou, é um trabalhador. ‘Poxa, está tirando dinheiro do trabalhador?’. E não é”, exemplificou.

A audiência serviu ainda para que o parlamentar comemorasse o atendimento, por parte do Executivo, de 2 requerimentos de sua autoria aprovados pela Câmara para que o governo municipal faça a instalação de guard rails, ou, no termo técnico, defensas metálicas, na Linha Azul, equipamentos que servem para impedir que veículos acidentados caiam em locais perigosos às margens da via.

“Eu estou há 2 meses nesta Casa e já aconteceram 8 mortes ali na Linha Azul. E hoje a gente tem uma demanda, e foi até um requerimento de nossa autoria, 2 requerimentos; o primeiro foi para verificar com o Executivo se tinha uma prévia da instalação de guard rails – só que guard rail, [como é] popularmente conhecido; o nome técnico seria defensa metálica – ali na Linha Azul. E para nossa felicidade – estou triste, mas alguma coisa deve ter acontecido, porque a gente tem sempre a presença de alguém da [Secretaria de] Mobilidade [Urbana] aqui, e logo hoje que eu vou elogiar, não tem. Mas com certeza vai chegar até eles. Sobre esse nosso requerimento, já estão fazendo levantamento técnico e o levantamento administrativo para conduzir a uma licitação. Isso nos deixa lisonjeado, nos deixa feliz, e mais que isso, nos deixa esperançoso com aquilo que diz respeito à segurança no trânsito”, agradeceu o vereador.


 

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