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Câmara de Macaé aprova pedido para transformar o clube Ypiranga em centro de memória das vítimas da Ditadura

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Aprovado por unanimidade dos presentes, requerimento foi debatido pelos vereadores, que apoiaram a proposta para criação do centro de memória

A Câmara Municipal de Macaé aprovou em sessão ordinária nesta quarta-feira, 3 de abril, um requerimento de autoria do vereador Marcel Silvano (PT), pedindo informações sobre as condições do prédio do antigo Ypiranga Futebol Clube, para que fosse criado no espaço um Centro de Memória aos Macaenses Vítimas da Ditadura Militar.

Em defesa da matéria, o petista lembrou os anos em que o prédio foi usado como prisão pelos militares para mais de 100 pessoas acusadas e perseguidas pela Ditadura, inclusive vereadores que foram cassados na época, e que assim como outros presos, foram defendidos pelo então advogado Cláudio Moacyr de Azevedo, que depois viria a ser Prefeito de Macaé.

“O Brasil é o único país da América Latina que passou por Ditaduras da forma que foi, que não condenou os torturadores, que não puniu ninguém, e que até hoje a turma tem liberdade para dizer que as atrocidades que aconteceram eram mentiras, aconteceu porque mereciam, e a minha geração acaba acreditando, os mais novos acreditando em muita baboseira que dizem por aí. E o ginásio do Ypiranga, ele é muito simbólico para a nossa história de Macaé. Esses que nasceram a partir de 83, 85, será que sabem quem é Lauro Martins? Será que é Valdir Tavares, Tavarinho? Será que sabem a luta dos ferroviários, de Dandão, de Alberto Certorio, de Walter Quaresma? Será que já ouviram falar dos professores perseguidos e alguns presos pela Didatura, ali no Ypiranga? Professor Abílio de Miranda? Professor Miguel Angêlo? Roberto Mourão? Será que ouviram falar da luta de Dr. Cláudio Moacyr, que dá nome ao nosso palácio que acabamos de aprovar a regulamentação de um Museu do Legislativo? Será que já ouviram falar dos que lutaram aqui em Macaé contra as injustiças de tanta gente, que ficaram presos ali, no Ypiranga, num prédio que muita gente não sabe que era um clube com tanto glamour, um clube com festas, com bailes?”, discursou Marcel.

Aprovada por unanimidade dos vereadores presentes e muito defendida por diversos parlamentares, entre eles Maxwell Vaz (SD), Dr. Luiz Fernando (sem partido) e Luciano Diniz (MDB), a matéria agora será enviada ao Executivo.

A história do antigo clube se cruza com a história da Câmara, já que, em 1964, quando instaurado o golpe civil-militar que implantou a Ditadura Militar no país, 6 vereadores de Macaé foram cassados por “exercerem atividades políticas contrárias ao regime”, alguns sendo presos no Ypiranga.

“Eu nasci nessa época aí, né. Uma época em que era pobre e a gente queria se manifestar de alguma forma e a pressão que tinha era assim, ‘você continua fazendo isso que seu pai vai ser preso, sua mãe vai ser presa’. Então, eles faziam terrorismo na gente. Não pode esquecer isso, porque os jovens de hoje não tiveram essa experiência”, lembrou Maxwell.

Também em defesa do requerimento, Luciano Diniz fez justa homenagem a advogada Andréa Meirelles, falecida em 2015, que iniciou o trabalho da Comissão Municipal da Verdade, que, em 2014, produziu um relatório de 194 anos, que se tornou o 1º livro publicado pela Câmara.

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