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Câmara de Campos promove audiência pública para debater segurança pública no interior do estado

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Autoridades da Polícia Militar e da Guarda Municipal de Campos dos Goytacazes estiveram na Câmara Municipal da cidade na última sexta-feira, 8, para debater segurança pública

A Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes realizou na última sexta-feira, 8, uma audiência pública para debater os problemas de segurança pública enfrentados pela cidade, fruto da política de investimentos do governo estadual.

Com o tema Planejamento e as Ações Efetivas de Combate à Criminalidade no município de Campos, o debate foi solicitado pelo vereador Thiago Ferrugem (PR), e contou com a presença do deputado estadual, Bruno Dauaire (PR), além de representantes de órgãos de segurança pública.

“Gostaria de agradecer a todas as autoridades aqui presentes e dizer que nós queremos uma Audiência Pública produtiva. A gente espera sair daqui com decisões claras. Espero que possamos deixar as diferenças políticas de lado para trabalhar em prol deste tema. Os dados sobre homicídios em Campos são alarmantes e queremos sair daqui hoje com um documento para ser endereçado ao presidente da república (Michel Temer, PMDB) e ao general Braga Netto (interventor federal da segurança pública do Estado do Rio), pois hoje eles são os responsáveis pela segurança pública do estado do Rio. Solicito que os projetos apresentados sejam enviados para essa Câmara para que nós vereadores possamos apreciar. Além disso, todas as ideias aqui levantadas estão sendo anotadas para compor o documento que será acompanhado pelos vereadores e deputados”, disse Thiago Ferrugem.

Presente à audiência pública, o delegado regional da Polícia Civil, Daniel Bandeira, lembrou a crise no estado, sem citar diretamente o governador Pezão (PMDB), grande responsável pelo sucateamento da segurança pública.

“Vivemos um momento em que o estado vive a bancarrota e isso reflete em seus aparelhos de segurança, que ficam desguarnecidos para atender a sociedade. Aqui em Campos temos 2 delegados dedicados e que vivem comigo as angústias de trabalhar sem estrutura”, disse Daniel Bandeira.

Também presente ao evento, o delegado Luis Maurício Armond, da 146ª Delegacia Legal de Guarus (146ª DL/Guarus), comentou a escassez de pessoal e equipamento que a instituição sofre com a atual administração do estado.

“Guarus hoje tem o maior índice de criminalidade letal da região. Temos uma comunidade extremamente carente de atenção, que vive no abandono. E nessa ausência do estado, o crime toma conta. Pra trabalhar em toda a região nós temos vinte e poucos policiais e duas viaturas. Uma alternativa é o apoio do Exército que tem seu batalhão em Guarus, além de realocar presos, pois hoje prendemos traficantes de Guarus que vão para o presídio no mesmo local. Se forem adotadas medidas de baixo custo, de forma organizada e conjunta, nós conseguimos reduzir em até 50%”, declarou o delegado.

Para o delegado da 134ª DL/Centro, Pedro Emílio, outras ações precisam ser tomadas além de reforçar a segurança, como investimentos em políticas públicas nas áreas de educação, saúde e melhorias para a população.

“Sem educação, sem saúde e sem dignidade da pessoa humana não há segurança pública. Hoje devemos debater e dar atenção a situação de Guarus, que ameaça todo o norte fluminense. Pois se chegarmos a um nível de organização criminosa como na capital do estado, vai ficar muito mais difícil de combater, pois temos ainda menos recursos para isso. Quanto a 134ª DL, vivemos um momento de redução nos números, chegamos a 100% de resolução dos homicídios no último trimestre”, disse Pedro Emílio.

Representando o Comando de Policiamento de Área (6º CPA) da Polícia Militar, o coronel Wolney Dias criticou o código penal brasileiro, alegando que a ocupação militar não trará resultados devido à impunidade.

“Ambos os delegados falaram com muita propriedade sobre o tema. Hoje se colocarmos toda a força do exército, marinha, polícia militar e força nacional na rua não vai adiantar, pois hoje temos um código penal que beneficia ao bandido, que é liberado logo após ser preso”, falou o coronel.

Como vice-presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), o deputado Bruno Dauaire falou sobre o trabalho realizado pela comissão, além de comentar a necessidade de ações da intervenção militar no interior do Estado do Rio.

“O interior hoje é quem mais nos demanda ações. Sou o presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Sabemos que temos diversos policiais do interior trabalhando nas UPPs que poderiam estar atuando nos batalhões do interior. Portanto, nós temos a esperança de que sejam convocados os policiais concursados, já que o interventor militar (general Braga Netto) disse estar fazendo esse levantamento. Em quem sabe dessa forma poderemos implementar o batalhão de Guarus”, falou Dauaire.

Também participaram da audiência pública o comandante do 8º Batalhão de Polícia Militar (8º BPM), coronel Fabiano Santos; o comandante do Guarda Civil Municipal (GCM), Fabiano Mariano; e o superintendente de Paz e Defesa Social do município, Carlos Darcileu Pessanha, além dos vereadores Neném (PTB), Joilza Rangel (PSD) e Josiane Morumbi (PRP), e autoridades locais e regionais.

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