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Aumento da procura de empresas em condomínios industriais de Macaé confirma momento de retomada da indústria

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Medidas regulatórias, sucesso de leilões e alta do preço do petróleo são apontados como fatores para a mudança de cenário

Parece que jogo virou, não é mesmo? A frase, que viralizou em memes na internet no último ano e segue sendo repetida nas ruas, caberia bem para exemplificar o momento pelo qual passa a indústria do petróleo em todo o mundo, particularmente em Macaé, cidade que segue sendo uma das mais importantes para o setor no país e no estado.

Depois do sucesso dos leilões do pós-sal e do pré-sal, que arrecadaram quase 10 bilhões de reais em 2017, e da alta do preço do barril do petróleo, que superou a marca dos 70 dólares no início desse ano, a indústria aproveita o momento de “entressafra” começar a se preparar para “colher os frutos” da retomada mais à frente.

A analogia com jargões típicos da agricultura se explica. Como os valores de investimentos do setor são extremamente elevados, as empresas que pretendem estar preparadas para lucrar com esse novo crescimento da indústria do petróleo precisam começar a fazer investimentos agora.

É o revela Leonardo Dias, diretor do Parque Industrial Bellavista, na Imboassica, que desde o ano passado, vem notando um aumento enorme no número de consultas e possibilidades de negócios com empresas interessadas em se instalar na Capital Nacional do Petróleo.

“Vivemos um momento de retomada da indústria que tem tudo para se consolidar em 2019, e as empresas que quiserem ter uma base pronta para operação no ano que vem, precisam começar a se preparar desde já, até porque são projetos que levam tempo para serem concluídos. Então o momento é agora”, avalia Leonardo Dias.

O mesmo aumento na procura de novas empresas vem sendo percebido no Polo Industrial Cabiúnas, conforme conta o sócio do empreendimento, Rodrigo Sampaio, que revela já ter negócios fechados, mas diz que não pode revelar as empresas.

“O aumento do movimento é notório. Se vê isso na Orla dos Cavaleiros, nos restaurantes, nos hotéis. O cenário mudou. Estamos recebendo muitas consultas sim, e temos alguns negócios já fechados, tanto de aluguéis quanto de venda de terrenos industriais”, revelou Rodrigo Sampaio.

Nos dois empreendimentos, a maior da procura ainda é de empresas ligadas ao setor do petróleo, mas em Cabiúnas, já há movimentações voltadas para outra fatia do setor energético, já que um projeto da Usina Termelétrica (UTE) Vale Azul II, de Macaé, saiu como um dos principais vencedores do leilão A-6 realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), em 2017.

“Existem negócios ligados à termelétrica sim, e também notamos um número muito alto de empresas voltadas para a UPGN (Unidade de Processamento de Gás Natural), que são aquelas que fazem reprocessamento do gás natural, até pela proximidade com o Tecab (Terminal Cabiúnas, da Petrobras)”, contou o diretor do Polo Industrial Cabiúnas.

Apesar dos termos de confidenciabilidade muito usados nesses contratos, devido, inclusive aos seus altos valores, e que impede que os nomes das empresas sejam divulgados, a indústria do petróleo segue sendo o grande motor dessas movimentações, nos dois condomínios industriais.

E para Leonardo Dias, essa movimentação é atribuída a algumas mudanças ocorridas principalmente no último ano, como as medidas regulatórias, o sucesso dos leilões do petróleo, o aumento do preço do barril e as mudanças nas regras de exploração dos campos maduros da Bacia de Campos.

“A gente atribui essa mudança a alguns fatores que foram muito importantes, como as medidas regulatórias, que acabou, por exemplo, com a operadora única, ao sucesso dos leilões do ano passado, principalmente do pós-sal, que, só aqui, arrecadou mais de 3,5 bilhões de reais, e também às mudanças do próprio mercado, que trouxeram a alta do preço do barril, além desse novo olhar sobre os campos maduros, o que contribui muito para esse momento que estamos vivendo”, comentou Leonardo Dias.

Participante de feiras de petróleo pelo mundo, ele lembra, que em abril do ano passado, esteve em Houston, nos Estados Unidos, para a Offshore Technology Conference (OTC), maior feira internacional do setor, e recorda que o clima ruim mudou em cerca de 6 meses, quando da realização da OTC Brasil, em outubro.

“Hoje está absolutamente diferente. Em abril do ano passado a gente esteve na OTC, em Houston, oferecendo nossos produtos, porque a gente participa desses eventos, e foi algo impressionante. No final do ano, na OTC Brasil, o clima já era outro. A animação era muito maior”, conta Leonardo.

Segundo ele, o perfil das empresas que estão fazendo pesquisas em seu empreendimento também está mudando graças às alterações nas medidas regulatórias, que permite maior participação do capital estrangeiro, como visto na 14ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios de óleo e gás, onde a ExxonMobil, em consórcio com a Petrobras, investiu quase 3,55 bilhões de reais na aquisição de 6 blocos na Bacia de Campos.

“Hoje nós temos 3 tipos de empresas. As de fora, algumas até multinacionais, as daqui, e algumas, tanto de fora quanto daqui, que ainda não tinham presença no setor do petróleo, e que, agora, com a abertura de mercado provocada pelas mudanças regulatórias, estão interessadas em entrar no setor”, revelou Leonardo Dias, lembrando ainda a parceria estratégica entre a Petrobras e norueguesa Statoil, visando a exploração de campos maduros, processo que está se iniciando no Brasil, e pelo qual a Noruega já passou.

Tunan Teixeira

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