Mídias Sociais

Destaque

Relatos apontam presença do tráfico em trilha onde turista catarinense foi morta, em Arraial do Cabo

Bertha Muniz

Publicado

em

 

Apesar das denúncias, comando da PM afirmou não ter conhecimento da atuação do tráfico nas trilhas ao redor do morro. 

Uma semana após a morte da turista catarinense Fabiane Fernandes, de 30 anos, em Arraial do Cabo, relatos apontam para a possível presença de traficantes na área em que o corpo da jovem foi encontrada. A turista sumiu no domingo (18), após entrar na trilha da Prainha, que fica ao lado do Morro da Cabocla, onde seu corpo foi encontrado sem roupas e com marcas de violência na última terça-feira (21). Através de um comentário na internet, um homem afirmou ter feito a mesma trilha que Fabiane, no mesmo dia e horário que a moça. Entretanto, ele teria sido avisado que o local era perigoso, devido a presença de traficantes na área.

– Fiz essa trilha no mesmo dia, quase na mesma hora que essa mulher. Desde lá de baixo ‘tava’ ouvindo um homem gritando, mas não conseguia entender o que ele tava falando, continuei subindo. Quando cheguei perto do topo da trilha, ele me mandou voltar, falando que ‘tava’ cheio de traficante armado lá, que estava super perigoso porque lá é rota de fuga e esconderijo de drogas daquele morro que tem do lado. E isso foi quase na mesma hora que ela estava subindo – explicou.

Outro relato que reforça a versão de que a área seja dominada por traficantes é a versão de um morador de cidade, que, com medo de represálias, preferiu não se identificar. Experiente nas trilhas da cidade, ele afirma que a rivalidade entre duas facções criminosas está crescente na área ao redor do Morro da Cabocla, onde se situa a Trilha da Prainha. Segundo ele, o tráfico local teria, inclusive, impedido uma equipe de repórteres de entrar na trilha no último sábado (24).

– O Morro da Cabocla, que fica ao lado da trilha, vive em constante confronto com as brigas por conta da rivalidade entre as facções rivais. Isso aponta para esse cenário de insegurança naquele local. Ontem (anteontem) teve um grupo de repórteres que tentou entrar na trilha para fazer uma reportagem e foram impedidos de avançar até o ponto onde ocorreu tudo pelo próprio movimento do tráfico – disse ele, que explicou como os traficantes atuam na região:

– Naquela trilha, onde a moça morreu especificamente, não muito. O que acontece é que em algumas regiões, que eles denominam de matinha, é onde eles pegam e escondem parte da droga. Eu ouvi um relato de que o que estava acontecendo era que uma das facções estava usando aquela trilha para desembarcar de barco nas pedras e subir o morro para poder ter embate com outro grupo rival – finalizou.

O comandante do 25º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Roberto Dantas, afirmou não ter conhecimento da atuação do tráfico nas trilhas ao redor do morro. Ele pediu que qualquer cidadão que tiver conhecimento sobre esses fatos denuncie à Polícia Militar.

– A trilha é uma área de floresta, não fazemos patrulhamento nessas áreas. Tem que ter um tipo de policiamento específico de trilha. Para isso eu preciso ter uma demanda, e eu não tenho nenhum registro nas delegacias com esse tipo de fato citado [presença do tráfico na região da trilha] ocorrendo ali. Aquilo [assassinato de Fabiane], até onde eu sei, foi um fato isolado, e ainda não sabemos quais foram as circunstâncias nas quais ocorreram esse homicídio. O ideal seria as pessoas fazerem a denuncia sobre essa questão, porque a polícia militar trabalha com dados estatísticos. Se tiver dados, vamos montar operação em conjunto com o batalhão florestal – disse o comandante, que completou:

– Além disso, o que eu oriento atualmente é que as pessoas só façam as trilhas com guias autorizados, nunca sozinhas. É uma forma de prevenir que algo ruim aconteça – finalizou.

 

Mais um suspeito preso e liberado

Até agora dois suspeitos de participarem da morte de Fabiane foram detidos  pela Polícia Civil, mas liberados por falta de provas. Na última sexta-feira (23), um homem, oriundo do Maranhão, que estava acampado em uma construção abandonada no Pontal do Atalaia, foi levado para a sede policial. Há informações de que outro elemento, que estaria com ele, teria deixado a cidade. Após prestar depoimento na sede policial, o homem foi liberado. Já nesta terça-feira (27), outro homem foi preso, suspeito de ser o autor da morte da turista de Florianópolis. Ele foi detido por policiais da delegacia de Niterói, Região Metropolitana do Rio, e levado para a 132ª Delegacia Policial de Arraial do Cabo. A polícia chegou a confirmar que ele era foragido da Justiça de Minas Gerais, com mandados de prisão por assaltado no Rio de Janeiro.  No entanto, o suspeito foi ouvido e liberado por falta de provas. O inquérito segue mantido em sigilo.

 

*Com informações da Folha dos Lagos


 

Mais lidas do mês