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É lei: Amamentar é um direito da mulher e da criança

 

O preconceito ainda existe, e por mais que pareça “besteira”, foi sim necessário a criação de uma lei

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Thaiany Pieroni

Diversos estudos já comprovaram a importância da amamentação para o desenvolvimento da criança, mas infelizmente, o preconceito neste ato de amor ainda existe e as mães são as que mais sofrem. Na última semana, comemoramos a Semana Mundial do Aleitamento Materno, mas esse ato vai muito além desses sete dias.

Em Búzios, existe uma rede de mães que se reúnem para compartilhar ideias e ideais sobre gestação, e a importância da amamentação é um dos assuntos principais. Marieta que é uma das participantes, fala que esse preconceito que ainda existe é extremamente lamentável.

“Isso é o resultado de fatores socioculturais que são estruturantes como o machismo, que entende o corpo da mulher como um objeto de prazer, por exemplo, constrangendo ou culpando mulheres que amamentam em locais públicos. É também resultado de um pensamento imposto por um mercado agressivo da indústria de fórmulas para lactentes que desacredita a capacidade das mulheres de nutrir seus filhos. Tudo com altos custos para a saúde direta e indireta da população, a curto e longo prazo. Existem inúmeros estudos hoje que correlacionam a amamentação, inclusive, ao desempenho profissional e a capacidade cognitiva”, criticou.

A mãe de segunda viagem, Milene Penha, hoje afirma que não deixa de amamentar seu filho independente de onde esteja. Porém, ela lembra que quando teve seu primeiro filho, e era mais jovem ficava um pouco envergonhada de amamentar em locais públicos.

“Eu era mais jovem, era tudo novo, então ás vezes dava sim uma certa vergonha, parecia que todo mundo estava me olhando, mas hoje eu nem ligo, que estiver olhando vai ver uma mãe que ama seu filho e está cuidando dele”, ressaltou.

 

É lei – Como bem disse a Deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) pode parecer uma besteira ter que criar uma lei para assegurar as mulheres desse ato, mas infelizmente ainda é necessário.            Neste ano, uma foto de Manuela amentando sua filha gerou grande polemica através das redes sociais, o que estimulou ainda mais a luta contra o preconceito.  “Pode parecer besteira ter que legislar sobre amamentar em público. Realmente é uma besteira termos que fazer isso porque desde sempre as mulheres amamentam”, ironizou a deputada.

Diante deste cenário, Manuela junto ao deputado Fernando Mainardi (PT-RS) criaram a Lei 14.760, em vigor desde novembro de 2015 no Rio Grande do Sul.

Já em Santa Catarina, a deputada comunista Angela Albino, que também foi constrangida ao amamentar sua filha em um shopping da cidade, se tornou a autora do Projeto de Lei que se transformou na Lei 16.396, que está em vigor desde 2014.

Mas a frente, a deputada federal Luciana Santos apresentou Projeto de Lei para estimular a amamentação e combater restrições à prática. Diz o projeto que “Toda criança tem direito ao aleitamento materno, nos termos da Organização Mundial da Saúde”.

 

Importância da amamentação - O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) afirma que amamentar os bebês imediatamente após o nascimento pode reduzir 22% a mortalidade neonatal – aquela que acontece até o 28º dia de vida – nos países em desenvolvimento.

Além disso, estudos da Unicef apontam que até os seis meses os bebês não precisam de chás, sucos, outros leites, nem mesmo de água, isso porque o leite materno é considerado o alimento mais completo para o bebê. Nele estão contidos todas as proteínas, vitaminas, gorduras, água e outras necessárias para o seu completo desenvolvimento. Este contém ainda substâncias tais como anticorpos e glóbulos brancos, essências para proteger o bebê contra doenças.

Os estudos ainda comprovam que a amamentação também contribui para o desenvolvimento emocional do bebê, pois promove uma forte ligação emocional com a mãe, transmitindo-lhe segurança e carinho, de modo a facilitar, mais tarde, o seu relacionamento interpessoal e, ainda, contribui para o desenvolvimento psicomotor do bebê.

Para a mãe também traz muitas vantagens tais como uma maior segurança; queima calorias de modo a ser mais fácil voltar ao seu peso normal; o útero regressa mais rapidamente ao seu tamanho normal; protege-a da osteoporose, do cancro da mama e do ovário.

Diante de tantos motivos para amamentar, por que não amamentar?

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