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Macaé se despede da artista plástica Sônia Rocha, que faleceu aos 81 anos de idade

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Colaboração Raphael Guedes Marinho (site o Rebate)

A cidade de Macaé se despediu nesta sexta-feira (26), da artista plástica Sônia Rocha, que faleceu aos 81 anos de idade nessa quinta-feira (25) e foi sepultada nesta sexta. Sônia faria 82 anos no próximo dia 17 de março. Ela estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), na Clínica São Lucas. Há seis anos, ela lutava contra um câncer, que passou do intestino ao pulmão, o que causou uma trombose aguda.

Durante toda sua vida, Sônia se dedicou às artes e se tornou uma renomada artista plástica. Ela nasceu em 1939, em Salvador, Bahia. A vocação pelas artes foi herdada da mãe, que também se chamava Sônia.

A dom pelas artes de Sônia Rocha começou na infância, quando demonstrava afinidade com a pintura e gostava de fazer transparências como entretenimento, em casa e na escola, adorava a prática de desenhar e pintar. E desde criança, Sônia queria ser artista plástica, mas sem ambição de ser famosa. O que a motivava era pelo menos o ato de ser pintora, pois pincelar era uma atração grande que sentia, além de que, pintar era uma alegria imensa para ela, já que achava bonito se expressar através das tintas. Mas foi durante a adolescência que Sônia gostava de fazer pinturas primitivas, que além de dar continuidade a outras pinturas que haviam sido iniciadas na infância, começou a carreira de artista plástica, como autodidata. Aos 15 anos de idade, se aprimorou com as pinturas primitivas que estavam em evidência em seus trabalhos, já

Aos 17 anos, Sônia participou de um movimento artístico em Salvador, na Bahia, onde nasceu e morou, e nessa época, já que ela esteve presente nesse movimento de arte,   começou a ter contatos com artistas plásticos conhecidos, além de poetas, escritores, escultores, desenhistas, críticos de arte, dentre outros especialistas que atuavam nesses campos de expressão humana/artística, como: Ruben Martins, Rubens Valentin, Lucy Calenda, Quaglia, e outros. Logo depois, ainda nesse período, ela conheceu o desenhista Mário Cravo, além do famoso artista argentino,   radicado no Brasil, Carybé, tendo visitado o seu ateliê profissional. Outra personalidade que ela teve contato e inclusive freqüentou também o seu ateliê artístico, foi Tércio Lombardi, italiano,  que era um dos maiores conhecedores de Antiguidades e Artes Sacras da época, e que deu apoio à Sônia no início de sua carreira.

Sônia ainda teve o privilégio de conhecer também, José Pancetti, durante uma visita ao ateliê da artista. Tempos depois, se tornou amiga dele, sendo ele também o primeiro mestre artístico de Sônia.

Quando estava começando a se profissionalizar nas belas artes, Sônia Rocha foi convidada, por artistas baianos, para participou de um concurso de miss. Ela, sonhando em ter um emprego, aceitou o convite, já que isso poderia abrir portas a ela. Conseguiu trabalho em um banco. Mas, em 1957, Sônia conquistou o título de Miss Bahia, representando o Clube Vitória

O fato de Sônia Rocha ter sido mis, colaborou na sua história artística, pois ela teve projeção baiana/brasileira, e com isso a sua vida acabou sendo estampada publicamente. Sônia, depois de ser miss, casou-se com um ator e cantor  e se mudou  para São Paulo. Tempos depois, o casamento acabou.

Na cidade paulistana,  ainda no final da década de 1950 , Sônia Rocha conheceu a sobrinha de Cândido Portinari, a artista plástica araçatubense Marysia Portinari,  que  além de ter deixado Sônia visitar o seu ateliê de pintura,   a incentivou a continuar com suas atividades artísticas, dando força moral para ela dar continuar seu trabalho nas belas artes.

Passados alguns anos, em meados da década de 1960, Sônia Rocha, em uma viagem para a Bahia, em Salvador, na intenção de rever sua mãe e irmãos, acabou sentindo um enorme desejo de retornar às pinturas. Sônia,   nessa época,  chegou a pintar 20 quadros artísticos. No período, 1966, a convite da Galeria de Arte da Bahia "Renot", ela realizou a sua 1ª exposição artística individual, que foi na Galeria Querino de Salvador (BA). Nessa exposição, Sônia estava na sua primeira fase profissional, que era ainda a fase primitiva. Lá, ela exibiu suas obras inspiradas na Bahia e suas arquiteturas, que eram casarios e igrejas barrocas baianas. Nesse evento, a sua obra de arte foi apresentada pelo escritor Jorge Amado, pelo crítico de arte Wilson Rocha, e também pelo pintor, escritor e crítico de arte Mirabeau Sampaio. Nessa exposição, Sônia teve uma ótima divulgação jornalística e êxito de vendagem.

Algum tempo depois, em 1º de Outubro de 1968, Sônia fez uma exposição profissional juntamente com o pintor Marcello Tessicini, na Galeria Vila Rosa, de São Paulo.

Em 1969, quando foi realizado o 1º festival das artes promovido pelo Clube Monte Líbano, em São Paulo, na ocasião a baiana já estava tendo aulas de aperfeiçoamento com seu segundo mestre artístico, o grande pintor espanhol Don Perez Vargas, que  estava de passagem pelo Brasil. Nesse festival, Sônia Rocha recebeu uma placa de prata autêntica, ao exibir a sua nova fase acadêmica, fase essa que ela tinha conhecido através do contato com o mestre espanhol, este que a proporcionou o ato de conhecer os trabalhos e técnicas de antigos mestres de pintura acadêmica, como Miguel Ângelo, Raphael, Velázquez e outros. Ela,  que nessa época já não era mais "apenas" uma pintora primitiva, pois já tinha bastante domínio das técnicas profissionais,  -estava unindo a sua sensibilidade interior com os métodos especialistas da arte das pinceladas, para então se determinar com o seu próprio estilo particular de expressão. Foi com isso que ela passou a dar vida as suas obras de arte: unindo tudo o que tinha aprendido, e depois juntando com os seus próprios sentimentos internos, criando o seu próprio estilo. E a partir disso, Sônia iniciava então a sua nova fase de carreira.

Na mesma época, Sônia começava a ter aulas com o seu terceiro mestre artístico, o consagrado Dr. Alfredo Rocco, pintor  internacional Coronel-Médico.

E ainda em 1969, a baiana projetou e deu destaque numa exposição coletiva , em  em São Paulo, no Clube Paineiras do Morumbi, com sua apresentação. Nessa ocasião, atuavam como críticos de arte, além do seu segundo mestre Don Perez Vargas, também o seu terceiro mestre Dr. Alfredo Rocco. Também estiveram presentes, a espanhola Raulita Odriozola e o português Luiz Nobre Guedes.

No começo da década de 1970, Sônia Rocha permanecia pintando sob a influência acadêmica, mas entre 1972 a 1989, a baiana fez com que a sua profissão de artista plástica ficasse em desuso, pois só fazia pinturas como hobby, e não para a satisfação de uma vida profissional oficial, embora nessa época, também chegou a participar de algumas exposições artísticas, tendo sempre em mente a vontade de retornar a atuar oficialmente como artista de belas artes. Nesse período, ela se dedicou mais às atividades de comércio. Em 1976, casou-se novamente e teve mais três filhos no segundo casamento. Em janeiro de 1980, ela se mudou para Macaé, onde permaneceu até o seu falecimento. Ela recebeu o título de cidadã macaense da Câmara Municipal de Macaé.

Nos anos 90, Sônia Rocha volta a brilhar, depois de retornar com as atividades profissionais, após conhecer o argentino Gaston Paume, que foi o seu quarto mestre artístico. Com ele, Sônia se aprofundou nos estudos da técnica impressionista e, juntamente com a sua equipe profissional, a baiana realizou diversos trabalhos ao ar livre, até o fim de 1991.

Porém, com o falecimento de Gaston, a pintora conheceu a sua quinta mestre, a brasileira Anatália Asp, professora de belas artes, artista plástica premiada e reconhecida internacionalmente. Ela foi a última professora de Sônia, durante 15 anos. A professora faleceu no dia 13 de julho de 2008. Com Anatalía, Sônia Rocha teve um aperfeiçoamento em aprender Arte Moderna, e pôde conhecer os segredos de técnicas como Técnicas Mistas, Técnicas com Alto Relevo, Técnica Impressionista, Técnica Expressionista, Cubismo, Surrealismo, Pontilhismo, Moderno Grafismo, Abstrato, Pós Contemporâneo e a modalidade de técnica mista em alto relevo.
Em um dos períodos que Sônia teve aulas com a sua mestre Anatália - mas precisamente entre os anos de 2002 à 2005 - ela também cursou na companhia do mestre Gustavo Gavião, e junto dele estudou com aprofundamento em: História da Arte, Análise Formal e Estilista na História da Arte do Renascimento ao Neo Classismo, Introdução a Iconografia, História da Arte Contemporânea, Neoclássica, Arte Barroca, a França e o Rococó, História da Antiguidade, e Pré História à Idade Média. E sobre o mestre de aulas Gustavo Gavião, ele - apesar de que esteve sempre próximo de Sônia - não foi considerado como um 6º mestre artístico da mesma, pois o referido não interferia nos trabalhos de artes da pintora.

Por causa do falecimento de Anatália, Sônia, além do choque, se viu desmotivada em permanecer com a realização de pinturas, pois a mestra era,   além de amiga, uma consultora de arte para ela.
Sônia Rocha é uma artista que tem uma boa história no currículo, tendo tido - durante toda a sua vida artística - muitos contatos profissionais com brasileiros e até estrangeiros. A pintora - além de pertencer a várias academias de arte - coleciona variados prêmios que recebeu durante sua vida artística - até internacionalmente falando. Realizou exposições de seus trabalhos artísticos em países como França, Itália, Alemanha, Estados Unidos (nos EUA, ela fez exposições por cerca de 8 vezes), dentre outros países, além de ter enviado muitos de seus quadros para o Canadá. No Brasil, Sônia fez exposições em cidades como Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói, Macaé, entre outras. Nas academias de arte, Sônia Rocha ganhou participações como membro de júri e como convidada de honra especial, e isso tudo era para realizar o julgamento de pessoas que fazem e expõe quadros nas academias artísticas, avaliando-as. A baiana já fez várias doações de seus quadros para acervos, museus e entidades fora do Brasil, como Portugal e Alemanha. Devido ao fato de que Sônia sempre gostou de estudar arte, por isso sempre teve contatos com diversos mestres artísticos. Apesar de que durante sua vida, em algumas vezes por questões de saúde, ela precisou se submeter a cirurgias médicas, isso nunca a impediu de atuar em sua área, embora por causa de uma operação na coluna, a mesma não poderia mais segurar quadros muito pesados, tendo por isso diminuído o tamanho dos quadros que usava para pintar, visando a facilitação de seu transporte.

E são muitas as homenagens que a baiana ganhou na sua carreira. Ela teve a felicidade de ser reconhecida em vida pelo seu talento. São várias as provas de reconhecimentos que ela recebeu, pois são variados prêmios. Em seu currículo, listam muitas congratulações e acontecimentos nacionais/internacionais, como 48 títulos e comendas; 3 moções de congratulações e aplausos; 9 hours concours; 12 destaques especiais e prêmios de criatividade; 19 troféus; 1 prêmio de viagem (no Vaticano, em Roma, na Itália); 29 medalhas de ouro; 2 placas de ouro; 5 paletas de ouro; 3 placas de prata; 1 paleta de prata; 21 medalhas de prata; 1 paleta de bronze; 2 medalhas de bronze; 14 medalhas especiais de honra e menção honrosa; 26 participações como membro de júri e convidada de honra especial; 61 divulgações em jornais, agendas, revistas, livros, anuários dicionários e catálogos; 17 doações em acervo; 38 exposições no exterior; 14 exposições individuais; e 221 exposições coletivas.

 

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