Mídias Sociais

Artigos

Um episódio absurdo

Publicado

em

 

Essa coluna serve para que eu divida com vocês a minha visão sobre determinados acontecimentos. Não pretendo estar correto em todas as minhas opiniões, até porque cada um pode entender determinado fato de várias maneiras. Não há nesse espaço nenhum “dono da verdade”.

Na última quarta mais um episódio tomou conta dos noticiários e é sobre ele que vou tratar. Um senador é baleado ao tentar entrar com uma retroescavadeira em um batalhão de polícia dominado por “manifestantes”. Não há na última frase nada que não deva ser questionado.

Os “manifestantes” tem propositadamente as aspas, porque se trata de um grupo minoritário da polícia militar do Ceará que, insatisfeitos com o reajuste estipulado pelo governo estadual, começou a esvaziar pneus, fechar batalhões e ameaçar colegas. Tudo isso armados e com os rostos cobertos. Vale ressaltar que a greve realizada por policiais é considerada ilegal. Ela está colocando em risco a população do estado do Ceará e as próprias forças policiais.

Por sua vez o senador licenciado Cid Gomes acreditou que a maneira correta de se acabar com isso era invadir um batalhão com uma retroescavadeira.

A democracia, que tanto prezamos e defendemos, é fundamentada nas ações e instrumentos legais de exercício do direito. A indignação do senador Cid é legitima? Absolutamente. Mas seria esse o instrumento correto do parlamentar? Tenho certeza que não. Alguns podem até se sentir representados pelo ato do Cid, até porque se revoltam com a situação das greves dos policiais, mas isso não legitima o ato assim como NADA poderia legitimar o crime cometido por quem atirou.

O questionamento principal que faço é se atitudes como essa, ainda que diante de um flagrante ato ilegal, são as que nossos representantes devem ter. Vamos imaginar dois exemplos: No primeiro o Presidente Bolsonaro veste uma farda e vai defender as nossas fronteiras contra a entrada de drogas e armas. No segundo, enquanto ainda era presidente, Lula resolve enfrentar fisicamente “black Blocks” que estavam quebrando o palácio do planalto. Nos dois casos há crimes sendo cometidos, mas fica o questionamento se a atitude tomada era a que esperávamos deles no exercício do cargo que se encontram investidos.

Graças a Deus o pior não aconteceu com um senador que tem uma história de realizações no Ceará, mas que fique a lição de que devemos lutar sempre contra o que não é certo, mas sempre com as “armas” corretas, porque se não a barbárie só se intensifica.

 

Daniel Raony

Advogado, Pós-graduado em Gestão de Políticas Públicas e formado no RenovaBR Cidades.

E-mail: danielraony@hotmail.com

No instagram e no facebook: Daniel Raony

Mais lidas da semana