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Série Desvendando Macaé: Igreja de Sant’Anna – Uma herança Jesuíta em Macaé

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Macaé tem grande importância histórica, pois o Rio Macaé que deu nome à localidade, foi divisor de Capitanias Hereditárias a  partir de 1535.

O antigo lugarejo passou quase um século abandonado, até que os Jesuítas ali chegaram.

Os padres da Ordem de Jesus se instalaram no Outeiro (alto da colina), com a devida autorização da coroa. Entre suas primeiras construções está a parte primitiva da Igreja de Sant'Anna, que era uma capela originalmente, datada de 1630.

Envolta em muitas lendas e curiosidades, a igreja foi, ainda no século XVII, palco de uma lenda que até hoje permeia o imaginário popular, a Lenda da Santa fujona.

Essa lenda consiste no fato de que, para ter uma visão mais panorâmica e estratégica, os jesuítas realizaram a construção da capela no alto da colina mais destacada e próxima ao rio, pois assim garantiriam uma sentinela contra os piratas (que naquela circunstância, eram visitantes frequentes), para que esse monitoramento fosse mais eficaz, fizeram a porta da capela voltada para o mar. Conta a lenda, que a santa que escolheram como padroeira da localidade, Sant'Anna (avó de Jesus), ficava no altar, a contemplar a bela vista que se tinha para as ilhas, até que um dia sumiu. Foi um grande reboliço entre os habitantes do local, uns choravam desesperados, outros procuravam incansáveis, até que por força do destino, um pescador a encontrou na Ilha central, que a partir daí foi batizada com o nome da santa. Trazida de volta ao seu pedestal, a santinha sentia saudade da ilha, e o fato se repetiu por pelo menos mais três vezes, até que os padres, por precaução, decidiram mudar a posição da porta da igreja e do altar, para que a Santa não mais sofresse com vontade de fugir para a exuberante ilha.

Hoje, no entanto, especula-se que pela santa ser de tamanho natural de um ser humano, e do famoso 'pau oco', estivesse sendo conduzida pelos próprios jesuítas até a ilha, cheia de riquezas, para realização de tráfico de pedras preciosas. O que resultou na expulsão dos Jesuítas de todo o Brasil, no ano de 1759, pelo Marquês de Pombal. Hoje, também, sabe-se que onde existiram jesuítas, existem túneis, o que gera mais uma lenda urbana, conjecturando a possibilidade de túneis que saem do outeiro de Sant'Anna para diversos locais, como até mesmo a própria ilha.

Após a expulsão dos Jesuítas, a igreja ficou abandonada por longo período, até que passou por uma longa reforma de ampliação no século XIX, que perdurou de 1848 a 1898, incorporando a pequena capela jesuíta ao que se conhece nos dias de hoje.

É um lugar cheio de histórias e memórias pode-se considerar (por conta da capela original), que seja a construção mais antiga, ainda em pé, que se tem na cidade de Macaé na atualidade.

Quer saber mais sobre essas e outras histórias? O Desvendando Macaé te conta!

A igreja de Sant’Anna é um patrimônio macaense e vale muito a pena visita-los. A irmandade de Sant’Anna cuida com muito zelo de toda estrutura e ainda faz campanhas de doação para a comunidade.

Grazielle Heguedusch – Turismóloga com Pós graduação em História e Cultura no Brasil. Criadora do Almanaque Macaé Turismo e do Desvendando Macaé. Autora do Be-a-bá do Receptivo Turístico de Macaé. Pesquisadora do OMM Observatório da Memória Macaense. www.almanaquemacaetur.com.br

Rúben Pereira – Musico, Poeta e Memorialista. Criador do Almanaque Macaé Turismo e do Desvendando Macaé. Gerencia o OMM Observatório da Memória Macaense.  Co-autor do Be-a-bá do Receptivo Turístico de Macaé. www.almanaquemacaetur.com.br

Fotos: Kilha Mivies

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