Artigos Gleisi absolvida (delações sem outras provas confirmatórias não valem) Publicado em 26/06/2018 - 09:42 Escrito por Redação A Lava Jato, por representar uma nova matriz processual no nosso território (ela segue a lógica do plea bargaining da Justiça norte-americana, que não tem nada a ver com a velha Justiça francesa do século XIX, ainda vigente, em regra, no nosso país), vem sendo aplaudida pela população majoritária. O Novo Brasil requer a submissão de todos à lei. Mas ainda são evidentes suas fragilidades. Gleisi Hoffmann, Paulo Bernardo (seu marido) e Ernesto Kluger foram processados porque teriam cometido dois crimes: corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Dinheiro vindo das bandalheiras na Petrobras (R$ 1 milhão) teria sido repassado por Paulo Roberto Costa (ex-diretor da empresa), a pedido de Paulo Bernardo, à campanha de Gleisi de 2010 (para o Senado). A 2ª Turma do STF (19/6/18), por unanimidade, absolveu todos eles dos delitos citados. Por maioria (Toffoli, Gilmar e Lewandowski), decidiu-se pela absolvição de Gleisi em relação ao delito de caixa dois (uso de dinheiro em campanha sem a devida declaração à Justiça eleitoral). Todos os ministros enfatizaram corretamente o texto legal (art. 4º, § 16, da Lei 12.850/13), que diz: “Nenhuma sentença condenatória será proferida com fundamento apenas nas declarações do agente colaborador”. Leia-se: só delações, ainda que cruzadas (que ocorre quando há vários delatores), jamais podem condenar qualquer pessoa. Além das delações, são necessárias “provas externas”, ou seja, provas confirmatórias inequívocas do seu conteúdo. Nessa lição a Lava Jato deve prestar muita atenção. É um absurdo fechar delações sem as devidas comprovações externas (que vão além das falas dos réus). Não há espaço para subjetividades nem emocionalidades. Muito menos para perseguições indevidas. Ou tem prova ou não tem. Se não existem provas externas, não se deve dar a negociação por concluída. O grave problema dessas delações vazias é que elas não combatem eficazmente a desgraça da cleptocracia brasileira (capitaneada pela esquerda, pelo centro ou pela direita), que se infiltrou e se apropriou de parte do Estado. Nós temos que combater duramente o uso ilícito das estatais (eliminando inclusive muitas delas) para o financiamento de campanhas eleitorais. Que se aprenda a lição: delações sem provas externas não ensejam a condenação de ninguém. No Brasil cleptocrata cria-se uma empresa pública (a vaca leiteira, quando administrada por critérios políticos) e nomeia-se para sua direção uma pessoa “de confiança” (o arrecadador) que faz as tramoias com as empresas privadas (superfaturamento de contratos com Odebrecht, JBS etc.), arrancando-se daí o dinheiro (o combustível) para o financiamento das campanhas eleitorais. Nós temos que varrer do nosso cotidiano vergonhoso a venalidade das eleições. Nos países com oligarquias corruptas e perversas (oligarquias econômicas, políticas e financeiras), as eleições servem para perpetuar a podridão no poder. Esquerda, centro e direita, no Brasil, sempre fizeram isso. É hora de se promover a devida faxina. Os donos corruptos do poder seguem à risca o ensinamento de Maquiavel: “tudo” deve ser feito para se conquistar e manter o poder. O “tudo”, no submundo depravado dos donos corruptos do poder, envolve mega-roubalheiras do dinheiro público para se ganhar as eleições. A Lava Jato tem tudo para ser um marco civilizatório na nossa História, porque ela está dizendo que ninguém está acima da lei. Nem os poderosos. Mas é preciso que seja aprimorada continuamente e que respeite o Estado de Direito vigente. Não pode ser seletiva nem escandalosa. Deve ser eficiente, porque ainda há milhares de ladrões para serem empobrecidos e irem para a cadeia. O Brasil necessita dessa limpeza. Por isso que a Lava Jato não pode falhar. Luiz Flávio Gomes – jurista Notícias relacionadas: Seguinte Pilates na Gravidez: Método pode amenizar desconfortos e dores Anterior Por dentro do seu Direito Redação Notícias Recentes Cultura12 horas atrás AfroJazz e norte-americanos da Snarky Puppy fecham Jazz & Blues de Rio das Ostras Cidades13 horas atrás Quase 2,8 mil pessoas já autorizaram doação de órgãos no Rio de Janeiro Esporte1 dia atrás Brasil pega o Egito no último amistoso antes da Copa nesse sábado, 6 Cidades2 dias atrás Macaé reforça ações de prevenção e monitoramento da febre amarela Política2 dias atrás Royalties entram na pauta permanente da Câmara de Macaé Cultura2 dias atrás Banda norte-americana Larkin Poe se apresenta no Jazz & Blues de Rio das Ostras nessa sexta, 5 Cidades3 dias atrás Skandi Amazonas segue sem prazo para retirada após encalhe em Macaé Economia3 dias atrás Macaé é o farol do Rio na defesa dos royalties, diz presidente da Câmara Brasil-Angola Edições Impressas4 dias atrás Edição de quinta a segunda-feira 04 a 08/06/2026 nº 6342 Cidades4 dias atrás Saiba o que funciona em Rio das Ostras durante o Jazz & Blues nesse feriadão Clique Diário E. 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