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Além das pautas

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Fábio Emecê

Não é uma mera convocação, pois não tenho poder pra isso. A força que tenho é a raiva que se transforma em vontade de potência diante do silêncio coletivo de militantes, ativistas e não militantes. Vamos pensar além de planos, conferências e partidos. A luta é pela vida.

Nos últimos dias, pelo menos aqui na minha cidade, jovens pretos foram assassinados, pelo menos uns 4. Guerra do tráfico de drogas é a estampa do noticiário e o nome dos jovens se perde no tempo, porque dentro de uma lógica moralista escrota, estavam fazendo coisa errada.

Um professor de uma escola tradicional foi assassinado. Foi encontrado com marcas de tortura em um carro abandonado. Comoção geral da comunidade educacional da cidade e um fato que pode ser relevante para se entender o caso é que ele era homossexual assumido.

Mortes que podem ser justificadas de maneira torpe, aliás, sempre são, precisam de outro olhar. E esse olhar é de quem sabe das estatísticas, sabe das nuances, sabe que essas mortes não simples questão de escolha pessoal. São crimes motivados por razões que não são óbvias para todos, mas estão aí: Racismo e Homofobia.

Não tem como mais passar pano. O tráfico se prolifera na periferia de forma avassaladora, porque o único aparato público mais ou menos eficaz que chega é a Polícia. O poder público não investe em outros serviços, principalmente por conta da maioria da população periférica da cidade em que moro ser preta. Racismo institucional descarado.

Um homossexual encontrado com marcas de tortura, morto e abandonado é crime com motivação homofóbica, só pesquisar casos correlatos que acontecem a todo instante por aí. As pessoas torturam e matam as outras por conta de sua condição sexual, por motivações diversas, inclusive religiosa.

Por isso que minha raiva se torna clamor, por sempre ver ativistas e movimentos que sempre aparecem em meios institucionais, brigando por tudo, postando fotos em passeatas anti-golpe, nas conferências, nas câmaras ou reuniões setoriais de partidos e a vida real, nenhum pronunciamento? Nenhuma cobrança mais ferrenha ao poder público? Nenhuma ação direta?

Hoje sou um ativista que usa a escrita e a música para falar algo, para tocar em feridas e tentar qualquer tipo de mobilização. Sinto que é pouco e sei que sozinho não chego nem na esquina. Clamo pela reflexão para possíveis ações, pois a merda tá na nossa calçada, quase entrando na nossa porta, sendo que em muitas das famílias dos nossos já entrou.

Sou morador de Cabo Frio, mas essa reflexão se estende a todos os lugares do território onde o texto possa chegar. Além das pautas, por favor, precisamos de ação!

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