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A função da escola

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Segundo Habermas, em sua obra “Pensamento pós-metafísico”, toda instituição pode estar sujeita às pressões externas, especialmente aquelas advindas do poder e do dinheiro. Relacionando o pensamento de Habermas com as instituições escolares podemos perceber o nascimento de uma situação ”esquizofrênica” dentro das mesmas, isto é, embora vocacionadas para o agir comunicativo, reflexivo, promotor de um processo de conscientização, elas devem pautar suas ações pedagógicas sobre a racionalidade instrumental, buscando a formação de pessoas que, através dos meios, façam a manutenção do sistema. A escola, neste sentido, formata homens e mulheres para uma ação utilitarista.

Ainda, segundo Habermas, levando em consideração as instituições escolares, constatamos que para formar pessoas capazes de, em interação com a sociedade, provocarem mudanças, devemos recuperar e consolidar para o processo educativo a função primordial da emancipação. As escolas precisam se constituir em instituições organizadas segundo a razão comunicativa. Isto significa tornar a escola um locus de conversação, com um ato educativo capaz de construir situações onde o processo de conscientização possa estar articulado com a multiplicidade de discursos existentes na realidade. A nova escola, da mudança, da emancipação, deve ter presente que a formação dos indivíduos não se dá no isolamento, no individualismo, porém, com certeza, na intersubjetividade; deve ter clareza sobre seus pressupostos teórico-metodológicos, aqueles que permitirão que o sujeito não se forme isoladamente, mas em grupo, efetivando uma cidadania voltada para uma ação política emancipatória, uma ação onde os sonhos individuais e coletivos da sociedade estejam  voltados para a formação de agentes capazes de realizarem um processo de emancipação social.

Caberia, então, ao educador, trabalhar com o educando objetivando o desenvolvimento da racionalidade, não no sentido técnico, mas no sentido de uma razão conexa com a construção de uma sociedade emancipada. Para tanto, o educador deve desenvolver no educando a capacidade argumentativa, organizando discursos livres, nos quais seja possível problematizar a fala cotidiana e participar da construção de normas. Esse é um processo que depende eminentemente da razão e não da sensibilidade.

Para Habermas, como afirmei acima, o processo educativo está sustentado sobre um novo conceito de razão: a comunicativa. A razão que, embora ultrapasse os cenários de vida, encontra sua significatividade na pluralidade dos “discursos”, situando sua essência no terreno histórico. Sendo assim, a razão é fundamentalmente um procedimento, não definindo conteúdos de antemão, mas submetendo-se a uma crítica específica, segundo as particularidades dos diferentes contextos, ainda que obedecendo a princípios universais.

Na teoria de Habermas não está presente, porém, indicações para a organização da escola como um todo. Existem diretrizes gerais para os conteúdos necessários à emancipação, às mudanças, definidos através da intersubjetividade, em que a argumentação é um dado ineliminável. Corre-se, porém, o risco do relativismo, isto é, o de todas as idéias se igualarem.  Habermas defende-se afirmando que existe um limite para o relativismo: a comunidade ideal de comunicação que, com seus procedimentos, garante a não aprovação de quaisquer conteúdos.  Na comunidade ideal de comunicação existem regras garantidoras da participação igualitária de todos os integrantes no processo de discussão que impediriam a aprovação de decisões contrárias à emancipação, às mudanças.

Professor José Augusto Abreu Aguiar


 

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