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Vereadores discutem situação do transporte público municipal em Macaé

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A dupla função de motorista e cobrador foi um dos temas abordados na Audiência Pública que discutiu a situação do transporte público municipal em Macaé, realizada na noite da última sexta-feira, 21, na Câmara Municipal.

O evento, motivado pela curtíssima greve dos rodoviários, foi requerido pelo vereador Igor Sardinha (PRB), derrotado nas últimas eleições municipais no dia 2 de outubro, quando ficou em 3º lugar na disputa pela prefeitura.

Líder bancada da oposição na Câmara, o vereador, que presidiu a audiência, lamentou a ausência da empresa do Sistema Integrado de Trânsito (SIT), Telmo Joaquim Nunes, que alegou, segundo Igor, que não pode comparecer devido à greve estar sub judice, o que significa que as negociações ainda não foram completamente concluídas.

“É lamentável, porque a greve não era a única motivação da audiência”, afirmou o vereador, que tenta acabar com a dupla função, alegando o perigo que ela representa aos passageiros, o atraso das viagens e a sobrecarga de trabalho e estresse para os motoristas.

Para o vereador Marcel Silvano (PT), aliado de Igor nas eleições, mas que diferente do colega de oposição, retornará à Câmara, reeleito, falou também do risco de demissões em massa de cobradores, preteridos por causa da dupla função.

“Na situação atual, esse é um caso entre SIT e sindicato. Mas a partir da aprovação de qualquer lei nesta Casa, haverá a fiscalização da Mobilidade para o seu cumprimento”, respondeu Itacir Indicatti, Subsecretário de Trânsito da Secretaria de Mobilidade Urbana, ao ser perguntado sobre o apoio do Executivo em caso de aprovação de um projeto de lei que proíba a dupla função.

O problema foi uma dos motivos apontados pelo Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Carga e de Passageiros (SIRVO-ME), Aluísio Viana, quando este anunciou a greve da classe, há pouco mais de uma semana. “Caso entre um passageiro por trás, sem pagar, e você não perceba, isso é descontado de você. E sua família sofre porque você já chega em casa cansado, com o psicológico abalado, e não consegue, por exemplo, ser carinhoso com um filho que vem ao seu encontro”, contou o motorista Israel Barros, que pediu demissão por não suportar a pressão do trabalho em dupla função na empresa.
Polêmicas – Sobre a greve da categoria, o também motorista, Eduardo Feitosa da Silva, criticou a decisão da Justiça de obrigar o retorno da circulação de 70% da frota, decisão liminar que foi publicada pela Prefeitura de Macaé, em seu site, ainda na terça-feira, 18.

“O justo seria 30%. Mas sabemos que isso arrebentaria o sistema e faria com que a empresa negociasse conosco. Achei muito estranho a greve ter acabado, porque o voto da maioria era pra continuarmos”, revelou o motorista.

As polêmicas ao redor do evento não se limitaram, porém, aos temas propostos. De acordo com Marcel, havia informações de que haveria um funcionário da SIT escondido na audiência com o objetivo de delatar trabalhadores que criticassem a empresa.

“Essa pessoa deveria se identificar. Não podemos admitir que isso aconteça”, declarou o vereador, apoiado pelo Presidente da Casa, Dr. Eduardo Cardoso (PPS), que lamentou o baixo número de vereadores presentes e disse que a Câmara será guardiã dos funcionários que se manifestaram na audiência, taxando de “covarde” a suposta atitude de delação.

Tunan Teixeira

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