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Vereadores de Macaé ouvem cobranças duras de profissionais da Saúde que pedem retorno das aulas presenciais com urgência

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Em sessão virtual realizada na manhã desta quarta-feira, 3, na Câmara Municipal de Macaé, e transmitida ao vivo pela internet através do canal da Casa no YouTube, os vereadores receberam, por videoconferência, a participação de profissionais das secretarias de Saúde, e de Educação, para novo debate sobre o retorno das aulas presenciais no município.

Pela Secretaria de Educação, participou a superintendente de Educação Infantil, Mariana Duarte, enquanto que, pela Secretaria de Saúde, participaram a secretária, Liciane Furtado, além das médicas, como a Dra. Angela Mendonça, e a Dra. Michele Thomaz.

Com falas ácidas e cobranças pesadas aos políticos da cidade, as profissionais da área de Saúde falaram em “falta de vontade política” e em “omissão” ao criticar a demora na liberação do retorno das aulas presenciais da rede pública municipal, principalmente nos seguimentos onde estudam as crianças mais jovens.

“O que não houve até agora foi uma boa vontade política, um posicionamento político para isso ser executado [o retorno das aulas presenciais]”, criticou a pneumologista pediátrica Dra. Angela Mendonça, acrescentando, “eu acho, enquanto pessoa, uma temeridade você permitir que o ensino privado volte e o ensino público não volte com a alegação de que estamos colocando profissionais em risco quando, na verdade, os artigos científicos não mostram isso. Os artigos científicos, inclusive, mostram que professores são contaminados muito mais por meio não escolar do que escolar. Então é uma temeridade vocês permitirem serem omissos com o Estatuto da Criança [e do Adolescente, ECA], omissos com a Constituição, omissos com os direitos das crianças, em detrimento de uma fala que é irreal, que a ciência mostra que é irreal”.

Outra que discursou fortemente em defesa do retorno das aulas presenciais em Macaé foi a médica pediatra Dra. Michele Thomaz, coordenadora da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal do Hospital Público Municipal (HPM).

“A gente não pode pensar que a gente pode esperar. A gente já passou 1 ano. Nós não podemos esperar para que essas crianças voltem às suas rotinas, ao seu dia-a-dia, aos seus aprendizados, aos seus convívios, às suas interações socioemocionais. É importante, é extremamente importante que nós não tardamos em fazer esse movimento. A gente pede encarecidamente pela saúde das crianças que isso seja uma prioridade no governo, nesse governo atual. Porque, assim, passamos 1 ano já, 1 ano parados, 1 ano, assim, de aulas remotas ou aulas não remotas, crianças fazendo escolas clandestinas; existem pessoas juntando crianças e dando aula. Por que não a gente pensar no poder público para promover, pelo menos, um retorno gradual?, questiona a Dra. Michele Thomaz.

Segundo a secretária de Saúde, Liciane Furtado, que assumiu a pasta no início deste ano, após a posse do novo prefeito de Macaé, Welberth Rezende (CIDADANIA), tanto a Secretaria de Saúde quanto a Secretaria de Educação já vinham trabalhando, desde novembro de 2020, na formulações de um plano do retomada, com a participação de representantes dos sindicatos e do Ministério Público do Estado (MPRJ).

“Está tudo dentro do nosso plano. Foi construído com a Saúde, com sindicatos, com a Educação, com o MPRJ. É um plano que foi construído, é, o início dele foi em novembro e ele já está pronto. O que nós estamos fazendo? Nós estamos fazendo atualizações. Porque, assim, quando ele foi criado, nós vivíamos um momento da pandemia e hoje nós vivemos outro momento. Então a gente olhou o plano e viu que ele necessita de adequações. Adequações que já estão sendo elaboradas pela equipe técnica da Secretaria de Saúde com apoio da Secretaria de Educação”, contou Liciane Furtado, rechaçando que o plano seja diferente para as escolas privadas e públicas.

As reuniões para a formulação do plano de retomada foram iniciadas ainda na reta final do governo do ex-prefeito Dr. Aluízio (sem partido), e seguem acontecendo gestão Welberth Rezende, conforme o próprio prefeito revelou em sessão desta terça-feira, 2, também de maneira virtual, junto à Câmara Muncipal.

Também presente ao encontro, a superintendente de Educação Infantil de Macaé, Mariana Duarte, confirmou que o pensamento da pasta é para promover o retorno das atividades presenciais na rede pública municipal de ensino, porém, explicou que nem todas as escolas da rede têm condições estruturais para receber o retorno dos alunos e dos profissionais de Educação com segurança.

Assim como o prefeito havia feito na sessão desta terça-feira, Mariana Duarte falou que o caminho da pasta agora é pela busca do diálogo com os principais atores da Educação no município, proporcionando um retorno seguro não apenas para alunos e profissionais da rede, mas também para as famílias.

Para a Dra. Angela Mendonça, porém, é preciso mais “vontade política” do poder público para seguir orientações de órgão mais “robustos” sobre esse tema, tanto de relevância nacional quanto internacional.

“Nós temos recebido diversos documentos de organizações muito robustas como, Unicef (Fundação das Nações Unidas para a Infância), Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Organização Mundial de Saúde (OMS), a própria Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que nós vivemos um momento em que nós devemos estimular o retorno às atividades escolares presenciais no âmbito do nosso país”, revelou a médica pediátrica.

Em meio a tantas cobranças, críticas, falas duras e explicações, o presidente da Câmara, o vereador Cesinha (PROS), agradeceu às profissionais de Saúde, e de Educação presentes ao debate que durou 40 minutos além do programado.

Por fim, Cesinha lembrou fala do prefeito Welberth Rezende sobre as tentativas constantes do município em comprar diretamente as vacinas contra o coronavírus, o que poderia apaziguar a questão ao permitir a vacinação em massa da população, algo que não é possível devido à pouca produção das doses, que são todas adquiridas pelo governo federal, que repassa aos estados, e só então, aos municípios, que precisam obedecer ao Plano Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde.

Segundo o PNI, neste 1º momento de vacinação, a prioridade são profissionais da Saúde, idosos e deficientes institucionalizados, quilombolas e indígenas, bem como idosos acima de 85 anos. Os profissionais da Educação estão apenas no 3º grupo prioritário de vacinação do PNI.

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