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Vereador de Macaé diz que alguns presidentes de associação de moradores teriam recebido dinheiro em troca de votos

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Vereador Julinho do Aeroporto (MDB) faz duras críticas às pessoas que aceitam dinheiro em troca de votos e questionou interesse da população por uma política melhor

Em um discurso para lá de importante para o momento de instabilidade pelo qual passa a jovem democracia brasileira, o vereador Julinho do Aeroporto (MDB) fez duras críticas às posturas não apenas de políticos, mas também da população, durante sessão desta quarta-feira, 10, na Câmara Municipal de Macaé.

Denunciando a prática de compra de votos para as eleições gerais do último domingo, 7, o vereador, que também é vice-presidente da Casa, questionou a população a respeito da política que ela quer, ao contar um caso de pedido de dinheiro para apoiá-lo.

“Terminada a reunião [de campanha numa comunidade de Macaé], uma pessoa: ‘Julinho, eu tenho 253 pessoas que vão votar em você; tem aqui uma relação, mas eu preciso de um dinheiro porque vai ficar, em média, uns 100 reais’. Aí eu falei para ela assim, peça para não votar em mim De tudo que nós conversamos, de todos os debates que nós fizemos, e a senhora me diz isso? Que política a senhora quer fazer? Que tipo de representantes que a senhora quer? Eu me sinto envergonhado. Depois de tudo isso que nós conversamos, e a senhora me diz que tem 253 pessoas relacionadas nessa folha, mas precisa de um dinheiro para contemplar a cada uma dessas pessoas”, relatou o parlamentar que obteve 10.623 votos para deputado estadual e acabou não se elegendo.

Líder do governo na Câmara Municipal, Julinho denunciou ainda a participação de presidentes de associações de moradores e pessoas que dizem líderes comunitários como intermediários da prática de compra de votos no município.

“Me lembro do presidente da Associação de Moradores da Nova Holanda, que leva uma candidatura para lá que não tem nenhuma representatividade, que nunca mais vai voltar, que nem sequer foi lá 1 dia, simplesmente porque ganhou alguns reais para tentar convencer aqueles moradores que precisam de uma boa política, precisam de um político que possa se comprometer com aquela comunidade. Mas não foi capaz de pensar grande. Que escolhesse um dos nossos vereadores, que tem mandato. Importante é você escolher um que tem mandato, porque terminadas às eleições, você pode cobrá-lo. Nem isso teve a capacidade de raciocinar. E aí eu pergunto, quando é que ele [o candidato] vai voltar lá? Nunca mais. Talvez quando faltar alguns meses para as [próximas] eleições”, criticou ele.

O vereador alertou ainda para o alvo dessa prática, os moradores das comunidades mais carentes da cidade, justamente quem mais necessita de políticas públicas para melhorar a qualidade de vida da população mais pobre.

“Saio limpo, feliz da vida, por ter tido esses votos. Mas entristecido porque quanto mais refém, mais miserável. Será que vocês não vão entender que precisa de uma boa política? De pessoas que realmente possam andar junto com vocês? A maioria das lideranças se vendeu. Vários presidentes de associação de moradores, que botam uma pastinha debaixo do braço, se vendendo. E agora? A quem vocês vão recorrer?”, indagou Julinho.

Indignado, o parlamentar ressaltou seu resultado no município, onde foi o segundo candidato a deputado estadual mais votado, atrás apenas do também vereador, Welberth Rezende (PPS), que fez 18.998 de seus 31.725 votos só em Macaé, e acabou eleito.

“E aí eu pergunto: será que isso que a sociedade quer? Que bom que nós fizemos uma política decente, coerente, com ética. Tivemos 8.630 votos [em Macaé], votos conquistados. Não teve 1 real sequer para que alguém pudesse ir lá buscar esse voto, mas nos deparamos com tudo isso. Comunidade que falta água, que o esgoto está vazando, que a rua não é uma rua, é uma viela. E a gente leva uma proposta, uma proposta de comprometimento. De caminhar junto. E no final, é preciso ter um dinheiro para trazer o voto. Isso é lamentável. Enquanto a sociedade tiver esse pensamento, nós vamos ter essa política aí”, analisou o vereador.

Julinho, que acabou como o 159º mais votado para deputado estadual em todo o Estado do Rio entre 2.364 candidatos, lembrou ainda dos outros colegas de plenária que disputaram as eleições e também acabaram preteridos por campanhas que utilizaram da compra de votos como estratégia de campanha.

“Vim pela Aroeira à fora, as pessoas carentes de tudo. Carentes de uma boa política, carentes de um bom político, carentes de alguém para ouvi-los. E lá ostentando um adesivo que sequer terá a oportunidade de colocá-lo outra vez. Simplesmente porque ganhou 150 reais. Ou 200 reais. E hoje eu pergunto, ligue para aquele telefone, saber se vai atender? Primeiro que o cabo eleitoral que te contratou não tem mais compromisso com você. Vai dizer o seguinte, ‘olha, trabalhou, recebeu e acabou’. E aí, a vida volta a normalidade. Julinho, nós não temos a água; Julinho, nós não temos o esgoto; Julinho, o entulho aqui; Julinho, a lâmpada [da rua] queimou. Ou [vão falar com] Marcel (Silvano, PT), ou Luiz Fernando (PTC), ou Val (Barbeiro, PHS), [dizer que] ‘a nossa praça está destruída’. Engraçado, não é? Você só teve a capacidade de enxergar isso agora. Você não enxergou ontem. Porque os 100 reais fizeram a diferença. Até quando os 100 reais vão fazer a diferença para você?”, disparou o vereador.


 

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