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Presidente do Citi Brasil acredita que país pode atrair até 180 bilhões de dólares em 2019

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Marcelo Marangon (foto), presidente do Citi no Brasil, comenta sobre expectativas de empresários a respeito do futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL), que promete reformas e privatizações

Presidente do Citi no Brasil, segundo maior banco estrangeiro do país, atrás apenas do Santander Brasil, com ativos na casa dos 74 bilhões de reais, o executivo Marcelo Marangon acredita que o Brasil pode atrair até 180 bilhões de dólares em 2019.

Em 2017, o Citi vendeu para o Itaú as operações de varejo, voltadas para pessoas físicas, e passou a atender apenas empresas e clientes donos de grandes fortunas, aliás, os maiores interessados nas reformas do governo Michel Temer (MDB).

De acordo com o presidente do Citi, em entrevista à revista Exame, acredita que apenas com a aprovação da polêmica Reforma da Previdência, o país poderia atrair entre 50 e 100 bilhões de dólares para a Bolsa de Valores e mais 80 bilhões de dólares de investimento externo direto.

“Fundos globais dedicados a mercados emergentes reduziram substancialmente a exposição ao País”, declarou o executivo, completando que “agora, o investidor estrangeiro está esperando esta comunicação do novo governo sobre as reformas, ele está mais cético, esperando as coisas acontecerem”.

A reforma citada por Marangon, que dentre outras mudanças, aumenta em 9 e 10 anos o limite mínimo de idade para os trabalhadores, respectivamente, mulheres e homens, pedirem a aposentadoria. Atualmente o limite é de 53 anos para as mulheres e 55 para os homens. Com a proposta, o limite sobe para 62 anos para as mulheres e 65 para os homens, embora a proposta seja de uma transição gradativa até 2038, os mesmos 20 anos em que os investimentos em Saúde e Educação estarão congelados, também por decisão do governo Michel Temer, e com aprovação do futuro governo.

Sobre o futuro governo, aliás, Marangon se declarou otimista com as perspectivas do país, justamente por entender que o governo Jair Bolsonaro (PSL) pode aprovar as reformas que mais interessam ao empresariado, entre elas a da Previdência.

“Esse otimismo está diretamente alinhado com a capacidade do novo governo de aprovar as reformas. Quanto mais cedo e mais profundas forem as reformas, maior será o nível de confiança e a atração de investimento, seja do local ou do estrangeiro. O nível de confiança das empresas tem aumentado”, comentou na entrevista à Exame.

A Reforma da Previdência, que também instituirá o tempo de 40 anos de contribuição para que os aposentados ganhem 100% de sua aposentadoria, caso contrário, o valor recebido será de apenas 60%, agrada ao empresariado.

Sobre as reformas, Marangon defendeu a necessidade de uma reforma tributária, uma reforma política e a manutenção do teto de gastos, que congela investimentos em áreas como Saúde e Educação pelos próximos 20 anos.

O executivo do Citi Brasil comentou ainda sobre as possibilidade de privatizações que a equipe econômica liderada pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, vem afirmando como sendo uma das prováveis tônicas do governo Bolsonaro.

Marangon revelou que já existe uma estratégia de privatizar algumas linhas de negócio dos bancos públicos, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, além de contar sobre uma “tendência de focar esses bancos em seus respectivos negócios principais”, acrescentando que vem acompanhando esse processo de perto, embora tenha dito que o Citi Brasil não teria interesse nos ativos dos bancos públicos.

Por fim, o presidente do Citi no Brasil comentou sobre as expectativas para os investimentos do futuro governo em infraestrutura, sem, no entanto, entrar em detalhes sobre quais áreas precisariam mais desses investimentos.

“O Brasil tem investido na média 2% do PIB em infraestrutura. Na nossa visão, deveria ser no mínimo o dobro, 4% do PIB, mais ou menos 80 bilhões de dólares por ano para começar a fechar o gap nos próximos 20 anos. Nós vemos um protagonismo maior do setor privado. Não vemos limitação em financiamento pelo setor privado. Existe liquidez e apetite tanto do mercado local quanto do internacional, tanto de bancos quanto de investidores. O que o Brasil tinha de carência não era em relação ao apetite, mas à estrutura do financiamento em infraestrutura. É preciso adotar padrões globais de contratos, de garantias, de riscos e ter um ambiente regulatório onde se tenha permanência, segurança jurídica etc”, completou Marangon.


 

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