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Polêmica desistência de candidato a vice-prefeito repercute na Câmara de Macaé

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Com a assistência lotada, a Câmara Municipal de Macaé viveu nesta terça-feira, 20, talvez um de seus mais fervorosos dias nestas eleições, depois do anúncio feito no último fim de semana de que o vereador Amaro Luiz (PSB) estaria abandonando a candidatura como vice-prefeito do também vereador Igor Sardinha (PRB) para apoiar o rival e igualmente vereador Chico Machado (PDT).

Logo no início da sessão, que começou com atraso de quase uma hora, já era possível observar as primeiras consequências do rompimento de uma aliança que durou praticamente todo o mandato legislativo até então.

Com Amaro isolado de um lado, e Igor, curiosamente sentado entre seus ex-colegas de PT, Luciano Diniz e Marcel Silvano, do outro, a sessão teve início com a leitura do expediente, onde, mais uma vez, os parlamentares indicavam melhorias de infraestrutura em diversos bairros da cidade.

Com os trabalhos invertidos, e os ânimos quentes, o Grande Expediente foi aberto justamente por Chico Machado, que, seguido por seu aliado, Maxwell Vaz (SD), deram as boas vindas, oficialmente, ao novo aliado, chamando-o de corajoso e, como era de esperar, elogiando a mudança de lado nas eleições.

Entre suas considerações, os dois parlamentares fizeram de tudo para tentar jogar panos quentes no caso, ressaltando que esperam que, tanto o atual vice-prefeito, Danilo Funke (REDE), quanto Igor, sigam o mesmo caminho de Amaro, e abandonem suas candidaturas para se unir a eles.

Depois da intervenção de Dr. Eduardo Cardoso (PPS), foi a vez do próprio Amaro tentar justificar sua atitude, em que leu um discurso onde tentava convencer aos presentes, e a quem o ouvia pela internet, de que estava tomando a decisão certa.

 

Justificativas – Dizendo que seu objetivo sempre fora “tirar o Prefeito Aluízio do governo”, Amaro revelou que, em 2015, houve uma união entre Igor, Maxwell, Danilo, o ex-prefeito Riverton Mussi (PDT), e o empresário e então pré-candidato a prefeito, André Longobardi (PR), que depois aceitou ser vice de Chico, este que teria entrado por último na “aliança”, em que eles teriam firmado um compromisso visando uma única candidatura de oposição, mas que no decorrer do tempo, segundo ele, por “questões de vaidade”, cada um seguiu seu próprio caminho, lançando sua própria candidatura e desrespeitando o tal acordo.

Amaro contou ainda que seguiu como candidato a vice de Igor baseado em pesquisas que apontavam uma real chance de vitória da candidatura, e que insistiu diversas vezes para tentar unir as candidaturas de Danilo e Igor, revelando ter desistido ao perceber que nenhum dos dois teria chance de vitória nestas eleições.

“Eu perdi de vez a esperança quando ouvi de Igor exatamente essas palavras: ‘deixa Aluízio ganhar; com Chico eu não me alio de jeito nenhum!’. Deixa Aluízio ganhar? Não deixo não! O que me interessa desde o início é ganhar de Aluízio, não importa como”, confidenciou o vereador, demonstrando sua total falta de projeto político.

Por fim, Amaro ainda acusou Igor e Danilo de serem “cabos eleitorais” do prefeito, já que, em sua visão, ao não se unirem, eles permitirão a vitória do atual prefeito nas urnas no próximo dia 2 de outubro, data das eleições municipais.

“Ou a oposição se une e cumpre seu papel de derrubar esse governo, ou vamos perder”, sentenciou Amaro, pedindo que Igor “dê logo as mãos a Aluízio”, mas “não fique dividindo a oposição”.

 

Resposta – Do outro lado, Igor e Marcel Silvano (PT) aproveitaram o tempo das Explicações Pessoais, ao fim da sessão, para acusar Amaro de traidor e reforçaram suas ideias de que não se unirão à chamada “velha política” da cidade, que, entre outras coisas, inchou a máquina pública e manteve o município com apenas 2% de saneamento básico, enquanto o atual governo reformou o quadro administrativo, acabou com as incorporações, reduziu a folha salarial da prefeitura, e elevou o saneamento básico do município para 40%, além de promover diversas melhorias de infraestrutura em áreas antes carentes da cidade.

“Independente dos motivos que o levaram a fazer o que fez, é muito triste e lamentável que Amaro tenha tomado essa postura, principalmente nesse momento gravíssimo das eleições, que poluem ainda mais a credibilidade da classe política”, analisou Marcel, enquanto Igor preferiu reforçar que não houve acordo, e que, independente das pesquisas, não desistirá de sua campanha, nem mudará suas convicções.

Terminada a sessão, o vereador e candidato a prefeito pelo PRB aproveitou ainda para confirmar que já está tentando junto aos órgãos eleitorais trocar seu candidato a vice-prefeito, e se disse confiante na troca, mesmo com o prazo para substituição de candidaturas expirado desde o último dia 12 de setembro.

“Vamos encaminhar o pedido para fazer a substituição. Isso, não vai, de maneira nenhuma, prejudicar a nossa candidatura. Não há risco algum disso acontecer. Se puder substituir, nós já temos um nome pronto, e se não puder, seremos obrigados a continuar do jeito que está. Mas estou confiante, até porque a lei é nova, e vamos conseguir substituir por um novo vice”, acredita Igor Sardinha.

Tunan Teixeira

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