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Michel Temer e Moreira Franco são presos pela Polícia Federal acusados de envolvimento em esquema de corrupção

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Líderes do grupo responsável pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), ex-ministro Moreira Franco (MDB-RJ), ex-presidente Michel Temer (MDB-SP), e o ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (MDB-RJ), estão presos em decorrência das investigações da Lava Jato

A força-tarefa da Lava Jato prendeu, na manhã desta quinta-feira, 21, o ex-presidente Michel Temer (MDB-SP), em São Paulo, e o ex-ministro de Minas e Energia, Moreira Franco (MDB-RJ), no Rio de Janeiro.

Os mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, responsável pela Lava Jato no Estado, e desde quarta-feira, 20, a Polícia Federal (PF) tentava rastrear e confirmar a localização de Temer, sem sucesso até esta quinta, quando a operação finalmente começou.

Além de Temer e Moreira Franco, a Justiça Federal determinou a prisão preventiva de João Baptista Lima Filho (Coronel Lima), Maria Rita Fratezi, Carlos Alberto Costa, Carlos Alberto Costa Filho, Vanderlei de Natale e de Carlos Alberto Montenegro Gallo, e a prisão temporária de Rodrigo Castro Alves Neves e de Carlos Jorge Zimmermann.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a Justiça determinou ainda a realização de busca e apreensão nos endereços dos investigados, assim como de Maristela Temer, de Othon Luiz Pinheiro da Silva, de Ana Cristina da Silva Toniolo e de Nara de Deus Vieira, bem como foram realizadas buscas nas empresas vinculadas aos investigados.

“Na Operação Radioatividade foi identificada organização criminosa que atuou na construção da usina nuclear de Angra 3, praticando crimes de cartel, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e fraudes à licitação. Nos processos relacionados à mencionada operação houve a condenação de, dentre outros, Othon Luiz Pinheiro da Silva, Ana Cristina da Silva Toniolo e José Antunes Sobrinho, por diversos fatos, inclusive lavagem de dinheiro em razão de repasses embasados em contratos fictícios da Engevix Engenharia e Link Projetos. Na presente investigação são apurados crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro, em razão de possíveis pagamentos ilícitos feitos por determinação de José Antunes Sobrinho para o grupo criminoso liderado por Michel Temer, bem como de possíveis desvios de recursos da Eletronuclear para empresas indicadas pelo referido grupo”, detalhou o MPF.

O MPF revelou também que o aprofundamento das investigações e um acordo de delação premiada com um dos envolvidos ajudou a identificar um “sofisticado esquema criminoso” para pagamento de propina na contratação das empresas Argeplan, AF Consult Ltd e Engevix, para a execução do contrato de projeto de engenharia eletromecânico 01, da usina nuclear de Angra 3.

De acordo com as delações premiadas, Temer seria um dos responsáveis pelo pagamento de propina no valor de 1,91 milhão de reais paga no final de 2014 pela da empresa Alumi Publicidades para a empresa PDA Projeto e Direção Arquitetônica, controlada por Coronel Lima, em transações justificadas através de contratos simulados de prestação de serviços da empresa PDA para a empresa Alumi.

O empresário que pagou a propina afirmou ter prestado contas de tal pagamento para o Coronel Lima e para Moreira Franco, com conhecimento de Temer, e as investigações demonstraram que os pagamentos feitos à empresa AF Consult do Brasil tinham como objetivo desviar 10,859 milhões de reais.

As investigações apontaram ainda que diversos crimes foram cometidos pela organização criminosa envolvendo vários órgãos públicos e empresas estatais, tendo sido prometido, pago ou desviado o valor de mais de 1,8 bilhão de reais para a organização que continua recebendo e movimentando valores ilícitos, além de permanecer ocultando valores, inclusive no exterior.

Conforme o MPF, quase todos os atos comprados por meio de propina continuam em vigência e muitos dos valores prometidos como propina seguem pendentes de pagamento ao longo dos próximos anos.

A organização criminosa de Temer tinha também, de acordo com as investigações, uma espécie de braço especializado em atos de contrainteligência, a fim de dificultar as investigações, tais como o monitoramento das investigações e dos investigadores, a combinação de versões entre os investigados e, inclusive, seus subordinados, e a produção de documentos forjados para despistar o estado atual das investigações.

O MPF requereu a prisão preventiva de alguns dos investigados, pois, todos esses fatos somados apontam para a existência de uma organização criminosa em plena operação, envolvida em atos concretos de clara gravidade.

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