Mídias Sociais

Destaque

Indústria do Petróleo vive um momento de transição, segundo especialistas

Avatar

Publicado

em

 

Estimativa é de que até 2040, 75% da exploração mundial venha de fontes de difícil acesso

 

Tunan Teixeira

 

A indústria do petróleo vive um momento de transição. Faz tempo que algumas pessoas ligadas à indústria, entre elas o Diretor-Presidente da Comissão Municipal da Federação das Indústrias Estado do Rio de Janeiro (Firjan), em Macaé, Marcelo Reid, vem batendo nesta tecla, e nesta semana, uma matéria da revista Época trouxe mais uma confirmação a respeito do tema, com informações bastante interessantes.

De acordo com informações publicadas no estudo “The Value of Closing Current Technology Gaps” (O ganho em superar atuais lacunas tecnológicas, em tradução livre), apresentado durante a Conferência sobre Tecnologia de Águas Profundas, no Rio de Janeiro, até 2040, a estimativa é de que 75% da produção do petróleo no mundo virá de fontes de difícil exploração, como na plataforma continental, e outras fontes, como o Ártico e as águas profundas.

O trabalho também indica que os altos custos para explorar zonas marítimas, aliado ao baixo preço do petróleo, estão levando o setor a uma situação insustentável, o que, aliado à crise da Petrobras, vem trazendo o caos financeiro para muitos municípios do país, principalmente para cidades da Região dos Lagos e do Norte Fluminense, como Macaé, que vivem quedas de arrecadação, tanto pela diminuição dos recursos de royalties, quanto pela saída de empresas, o que aumenta o desemprego.

Segundo o estudo, a saída seria investir em tecnologias que exercerão um papel-chave para viabilizar, ou baratear, a exploração de novos campos petrolíferos no futuro. “O óleo fácil acabou”, disse Morten Wiencke, que apresentou a pesquisa a uma audiência formada por representantes de empresas como Petrobras, Shell, Statoil e GE, além de órgãos como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Wiencke é membro do Programa de Colaboração em Tecnologias de Petróleo e Gás, da Agência Internacional de Energia (IEA, da sigla, em inglês, para Internacional Energy Agency), que organizou a conferência em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Durante a conferência, foram apontadas 3 tecnologias que, segundo o estudo, se tornarão cruciais nessa nova etapa da exploração do petróleo no mundo. São elas a perfuração automatizada, tubos mais leves, e fábrica submarina.

 

Perfuração automatizada – Atualmente, os maiores gastos na extração de petróleo, seja em terra, seja no mar, se referem à perfuração e construção dos poços. O estudo aponta que a automatização desses processos, substituindo mão de obra humana por robôs, por exemplo, traria mudanças significativas, como acelerar o trabalho de perfuração, melhorar o desempenho nos indicadores de HSE (saúde, segurança e meio ambiente), e a possibilidade de usar equipes menores, o que reduziria os gastos com seguro, transporte e acomodação dos funcionários.

O estudo diz ainda que, se a perfuração fosse totalmente automatizada, ela se tornaria 30% mais barata, além de tornar possível reduzir o tempo de paralizações desnecessárias em 50%, embora isso dependa de sistemas que sejam capazes de ler e analisar dados em tempo real para controlar adequadamente todo o processo.

 

Tubos mais leves – Os tubos que conectam os poços de petróleo, no fundo do mar, às plataformas ou navios, são chamados de risers, e representam um fator fundamental da exploração Offshore.

De modo geral, eles são feitos de aço, mas esse material não é indicado para águas profundas, já que, nesse contexto, seu peso sobrecarrega a plataforma e encarece todo o sistema.

De acordo com o estudo, o uso de risers feitos de um material mais leve é um bom caminho para viabilizar a extração de petróleo em locais onde a profundidade é superior a 3.000 metros.

“Esta profundidade é, atualmente, nosso limite tecnológico”, analisou Wiencke.

Ainda segundo o trabalho, estima-se que exista uma quantidade de petróleo equivalente a 45 bilhões de barris que está 3.000m abaixo do nível do mar. Destes, cerca de 80% estão em áreas a mais de 200 quilômetros de distância da costa, e de acordo com o estudo apresentado na conferência, o riser compósito é uma das poucas tecnologias que permitem trazer esse volume para a superfície.

 

Fábrica submarina – O estudo também destaca a importância da fábrica submarina, um conceito que implica levar equipamentos para o fundo do mar, para lá mesmo separar a água do óleo, enviado apenas este para a superfície.

Hoje, petróleo e água são levados até a plataforma, para finalmente serem separados. E só então a água é devolvida ao mar.

A fábrica submarina possibilitaria a obtenção de mais de 100 bilhões de barris de petróleo, dos quais 45 bilhões seriam provenientes de águas ultraprofundas (mais de 3.000m de profundidade), como citado no tópico acima.

Atualmente, o problema dessa tecnologia é que transferir funções de processamento do petróleo para o assoalho oceânico é uma tarefa bem complexa, já que lá os equipamentos seriam submetidos a condições ainda mais adversas, como, por exemplo, a alta pressão exercida pela água.

“As operadoras investem 10 bilhões de dólares por ano na área de pesquisa e desenvolvimento. Mas nós recebemos aquilo pelo qual pagamos? A resposta é não, porque nós não cooperamos o suficiente”, defendeu Wiencke, que acredita ser necessário desenvolver um ambiente mais colaborativo para dar conta destes desafios.

 

Mais lidas da semana