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Ex-presidente da Cedae se nega a responder sobre crise hídrica do Estado do Rio e causa indignação na Alerj

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Em audiência pública conjunta na Assembleia Legislativa do Estado do Rio, nesta terça-feira, 11, o ex-presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae), Hélio Cabral, preferiu não responder aos questionamentos feitos pelos deputados estaduais do Rio sobre a crise hídrica enfrentada pelo Estado há mais de 1 mês.

A audiência foi realizada em conjunta pelas comissões de Saneamento Ambiental, de Segurança Alimentar, de Direitos Humanos, de Meio Ambiente, de Economia e de Política Urbana da Casa.

De acordo com a Alerj, quando pressionado a responder às perguntas dos parlamentares sobre a má qualidade da água, Hélio Cabral, então indicado ao cargo pelo governador Wilson Witzel (PSC), afirmou que não se sentia confortável e decidiu abandonar a reunião.
Demitido da Cedae na última segunda-feira, 10, Helio Cabral apresentou um relatório sobre as condições que encontrou na companhia, no ano passado, e afirmou que existem equipamentos obsoletos que estão em operação há mais de 60 anos.

“Também tivemos esse processo agravado nos últimos 40 anos, devido ao crescimento desordenado das cidades”, acrescentou o ex-presidente da Cedae.

Em seguida, Hélio Cabral deixou o plenário após ler um comunicado no qual se dizia desconfortável em ser sabatinado, sem dar qualquer explicação a respeito da crise da água no Estado ou sobre o sucateamento da companhia visando a privatização.

Presidente da Comissão de Saneamento Ambiental da Alerj, o deputado estadual Gustavo Schmidt (PSL) classificou como desrespeitosa a atitude do ex-presidente da Cedae para com toda a Assembleia Legislativa do Rio.

“Uma vergonha. O que aconteceu hoje neste plenário é um desrespeito ao parlamento fluminense, mas principalmente à população do Estado do Rio. A gente está vendo e sofrendo na nossa torneira de casa o que é resultado da falta de ética, de moral e de gestão, principalmente”, disse o Gustavo Schmidt.
Autor do pedido para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue a Cedae, o deputado estadual Luiz Paulo (PSDB) reforçou a necessidade da as investigações sobre a estatal e considerou a atitude do ex-presidente da Cedae como um ato de covardia.

“A CPI não permite que o cidadão faça o que ele fez nesta audiência. A CPI não convida, ela convoca. E se o cidadão não vier, a polícia terá que trazê-lo”, lembrou o parlamentar tucano.
De acordo com Luiz Paulo, Hélio Cabral é responsável pela crise hídrica do Estado porque não licitou o cordão de isolamento de galerias para captar os esgotos oriundos dos rios da baixada fluminense e desviar da captação.

“Só anunciou a licitação depois que o problema já existia. Não agiu para colocar novos raspadores de lama nos decantadores. Além do mais, não obedeceu ao manual de procedimento da Cedae”, analisou o deputado do PSDB.
Presidente da Comissão de Segurança Alimentar da Casa, a deputada estadual Lucinha (PSDB), defendeu a proposta do colega de partido e afirmou que se faz necessária a implantação de uma CPI diante da postura de Hélio Cabral.

“Foi totalmente desrespeitoso com todas as pessoas que vieram para esta audiência pública. Simplesmente, ele fugiu e se negou a responder. Até deputados que eram contra a CPI terão que repensar seu posicionamento diante dessa fuga”, inflamou Lucinha.
Porém, se atitude do ex-presidente da Cedae gerou indignação em alguns parlamentares, o líder do governo na Casa, deputado estadual Márcio Pacheco (PSC), afirmou que Helio Cabral tinha o direito de não responder às comissões.

Defendendo o ex-integrante do governo, Márcio Pacheco afirmou ainda que, nos próximos dias, será criado um gabinete de crise do Guandu [local onde fica uma Estação de Tratamento de Água, da Cedae] composto por funcionários e técnicos da Cedae, além da Polícia Ambiental, Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e o governo.

“Já existem comissões na Casa para tratar sobre o tema. O importante agora é resgatar a qualidade da água para todos os cidadãos”, amenizou o líder do governo, se posicionando contra a criação de uma CPI da Cedae.
Presidente da Agencia Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio (Agenersa), Luigi Troisi, por sua vez, disse que os problemas da Cedae são antigos e que a agência deu início à fiscalização da companhia em 2015.

“A Agenersa começou a regular a Cedae em setembro de 2015 e encontrou uma empresa com mais de 60 anos que nunca foi fiscalizada ou regulada por nenhum setor”, se esquivou Luigi Troisi.

Também presente ao encontro, o integrante da Organização Não Governamental (ONG) Meu Rio, Ully Ribeiro, afirmou que o mais importante nesse momento é o ressarcimento dos prejuízos causados aos cidadãos.

“Estamos aqui pedindo reembolso já do valor que a gente pagou na conta de janeiro. Entendemos que a população não pode continuar a ser lesada por um serviço que ela não teve. Não podemos utilizar a água, mas continuamos pagando a conta. Enquanto persistir o problema do cheiro e do gosto, vamos seguir pleiteando que a Cedae dê um retorno aos consumidores”, defendeu Ully Ribeiro.
A mesa da audiência pública conjunta das comissões da Alerj contou ainda pelos presidentes das comissões de Direitos Humanos, deputada estadual Renata Souza (PSOL); de Política Urbana, deputada estadual Zeidan (PT); de Economia, deutada estadual Renan Ferreirinha (PSB); e de Meio Ambiente, deputado estadual Thiago Pampolha (PDT).

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