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Enquanto tenta articulação para lançar candidato do PMDB à presidência, Temer é alvo de mais um pedido de investigação da Justiça

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Pedido foi feito pela procuradora-geral da república, Raquel Dodge, e aceito por ministro do STF, Edson Fachin, na última sexta-feira, 2

Enquanto tenta a todo custo articular o lançamento de um candidato próprio de seu partido para a presidência da república nas eleições de outubro deste ano, o presidente Michel Temer (PMDB) segue enfrentando problemas na Justiça.

Na última sexta-feira, 2, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou que Temer seja incluído entre os investigados ao lado de seus ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS), e da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco (PMDB-RJ), em inquérito que apura se integrantes do grupo político liderado pelo 3 teriam, em 2014, recebido recursos ilícitos da Odebrecht como contrapartida ao atendimento de interesses das empresas pela Secretaria de Aviação Civil, órgão comandado sucessivamente pelos 2 ministros entre 2013 a 2015.

O pedido de inclusão de Temer entre os investigados foi feito pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, com objetivo de permitir à Polícia Federal (PF) investigar se houve participação do presidente em mais um esquema de corrupção envolvendo seu nome.

Ao aceitar o pedido, Fachin esclareceu que a investigação do presidente não afronta a Constituição Federal, e explicou que a imunidade temporária conferida a ele impede a sua responsabilização por atos anteriores ao mandato, não alcançando a investigação em si, necessária para evitar, por exemplo, que provas se dissipem.

 

Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PDB) seria o novo nome dentro de grupo de Temer para concorrer à presidência pelo PMDB nas eleições de outubro deste ano. (Foto: Reprodução)

Eleições 2018 – Enquanto isso, no Palácio do Planalto, Temer ouviu do presidente do partido, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que também já foi citado em investigações ligadas à Operação Lava Jato, que é preciso começar a construir a campanha e reforçar a defesa do governo, alvejado não apenas pela oposição, mas também por aliados.

De acordo com reportagem do jornal Estado de São Paulo, Jucá, que é líder do governo no Senado, defende, nos bastidores, a candidatura do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), alegando que ele seria bem vindo PMDB, mas afirmando que o partido ainda não fechou o nome para a disputa presidencial.

Ao lado do ministro Moreira Franco, Jucá mostrou para Temer uma pesquisa encomendada pelo partido sobre o quadro eleitoral nos Estados, em que mais de um terço dos entrevistados acha que, se a economia continuar como está, o PMDB deveria lançar candidato à presidência.

Na edição do último domingo do Estadão, a colunista Eliane Cantanhêde informou que há articulações em andamento para que Meirelles seja vice na chapa do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que também estaria de olho na disputa presidencial.

Segundo o jornal, Meirelles teria indicado que vai entregar o comando da economia, no início de abril, e migrar para o PMDB, com a intenção de concorrer ao Planalto, mas o partido de Temer não deu a ele todas as garantias de que ele vá liderar a chapa, o que estaria travando a mudança.

“A nossa ideia é ter um candidato que defenda a agenda do governo. Se não for o Michel, acho que Meirelles reúne essas qualidades e tem todas as condições de aglutinar os partidos de centro para disputar o Planalto”, argumentou o líder do PMDB na Câmara Federal, Baleia Rossi (SP), que preside o partido em São Paulo.

Apesar de todas as citações envolvendo Temer em esquemas de corrupção, o presidente tem feito uma espécie de enquete com interlocutores da base aliada para saber qual seria o nome, no espectro de centro-direita, que teria mais viabilidade eleitoral, ouvindo que há enormes resistências de dirigentes do próprio PMDB à sua candidatura.

Ainda de acordo com o jornal paulista, a aposta no Planalto seria de que, se a intervenção na segurança pública do Rio surtir efeitos positivos e as investigações contra Temer forem arquivadas, o presidente deixaria os atuais 1% de intenções de voto, podendo ser um “candidato natural”.

Como ainda tem maioria no Congresso, Temer tem conseguido se esquivar dos inúmeros pedidos de investigação feitos contra ele pela Procuradoria-Geral da República, em diversos escândalos de corrupção, motivo pelo qual Fachin tenta, em novo pedido, reforçar que as investigações impossibilitariam que o presidente fosse responsabilizado ainda durante o mandato.

Além dos problemas com a Justiça, Temer é dono de uma impopularidade persistente, mas pode tomar a decisão de se candidatar ou não até julho, e não precisa se desincompatibilizar para entrar no páreo, enquanto Meirelles, se for concorrer, será obrigado a sair da Fazenda em 7 de abril, mesmo prazo para a mudança de partido.

O Estado de São Paulo reforça, entretanto, que o PMDB não tem um nome competitivo até agora, e que, por isso, teria como prioridade eleger grandes bancadas de senadores e deputados federais para se fortalecer no jogo político, a partir de 2019.

Com a promessa de anunciar 14 nomes nas disputas aos governos estaduais, Romero Jucá considera difícil a possibilidade de apoio a Alckmin, ao menos por enquanto, pois na avaliação da equipe de Temer, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não será candidato, embora seu nome vá ser aclamado como presidenciável em convenção do partido, na última quinta-feira, 1.

A portas fechadas, correligionários de Temer dizem, ainda, que o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM-PE), também poderia ser vice de Alckmin, mas Jucá teria garantido que o PMDB “não está postulando lugar de vice nem de Alckmin nem de Maia”.

 


 

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