Mídias Sociais

Política

Em audiência pública na Câmara, moradores e vereadores de Macaé criticam CEDAE por falta d’água e BRK por cobranças indevidas

Avatar

Publicado

em

 

Câmara Municipal de Macaé recebe bom público para audiência que debateu problemas da Companhia Estadual de Águas e Esgoto do Rio (CEDAE) nos serviços de abastecimento de água na cidade

Realizada no início da noite desta terça-feira, 12, a audiência pública solicitada pelo vereador Dr. Márcio Bittencourt (MDB) para discutir os problemas de água no município, recebeu bom público na Câmara Municipal de Macaé.

Entre os presentes, moradores de diversos bairros e comunidades criticaram o serviço prestado pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio (CEDAE), responsável pelo abastecimento de água na cidade.

Segundo revelado pelo Legislativo a população relatou que há locais que não recebem água há meses, embora o serviço esteja sendo cobrado pela BRK Ambiental, que, devido à Parceria Público-Privada (PPP) firmada com prefeitura em 2013, ficou encarregada da emissão das faturas.

A Câmara contou ainda que alguns moradores afirmam que falta água em diversas ruas e, mesmo com reclamações oficializadas, houve aumento no valor das contas, problema diversas vezes debatido na Casa nos últimos, principalmente pelo ex-vereador de Macaé e agora deputado estadual, Welberth Rezende (PPS).

A audiência contou com a presença de 10 vereadores, além de representantes da prefeitura, líderes comunitários, e do deputado estadual Chico Machado (PSD), outro ex-vereador de Macaé e que representou a Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), da qual faz parte da Mesa Diretora.

“A gente sabe que a nossa cidade passou por diversas mudanças nos últimos tempos. A população tem razão em reclamar e, lamentavelmente, a BRK não está aqui para dar os esclarecimentos. A Câmara vai seguir cobrando”, afirmou o autor do requerimento que solicitou a audiência.

Representando a estatal no evento, o diretor de Interior da CEDAE, Carlos Braz, reconheceu, em nome da empresa pública, os problemas enfrentados pela companhia em Macaé, mas afirmou que a CEDAE busca a melhoria do serviço.

“Estamos há pouco tempo no governo, mas conseguimos identificar alguns pontos falhos, principalmente nas bombas que foram instaladas. Adquirimos novas para garantir que tudo seja sanado, além de modernizar o serviço que capta a água na estação de Severina”, declarou Carlos Braz.

A companhia, que atua em 51 cidades no Estado, informou que a atual capacidade de abastecimento de água em Macaé é de 750 litros por segundo, e Braz revelou que a CEDAE busca adquirir um empréstimo de 200 milhões de reais junto à Caixa Econômica Federal (CEF) para serem investidos integralmente na cidade.

“Com esse financiamento, poderemos chegar a 1.600 litros por segundo e, com as obras concluídas, teremos a capacidade de chegar a 2.400”, disse o diretor da estatal.

Segundo dados financeiros mostrados na audiência, a CEDAE emitiu faturas que totalizaram 85 milhões de reais em 2018, porém, houve evasão de 40%, gerando uma arrecadação abaixo do esperado, na ordem dos 50 milhões de reais.

Apesar das explicações dadas, o vereador Dr. Luiz Fernando (PTC) reforçou as críticas à companhia, além de questionar o contrato firmando entre a prefeitura e a BRK Ambiental, em 2013, quando a responsável pela PPP era a Odebrecht Ambiental.

“Há alguns anos, passaram a chamar de Nova Cedae. O nome mudou, mas os velhos problemas persistem. A demanda é muito maior do que o avanço da companhia”, disparou Dr. Luiz Fernando.

Para o vice-presidente da Casa e líder da bancada governista, Julinho do Aeroporto (MDB), a companhia precisa apresentar uma solução para o problema, já que muitos moradores continuam sem água no município.

“Só falar, não vai resolver. Há anos, os moradores aguardam o desfecho”, disse Julinho, fazendo coro a outros parlamentares, que relataram problemas de falta de água em diversas localidades de Macaé.

Único defensor da CEDAE na Casa, o vereador Luciano Diniz (MDB) criticou a proposta de privatização aprovada na Alerj em outubro de 2018, mas que se tornou alvo de uma disputa judicial ainda sem desfecho.

“Hoje, os moradores estão apresentando as reivindicações diretamente à nova direção e vale a pena dar um crédito. Privatizar é um grande erro. Quem comprar, vai querer lucro, mas a água é um serviço prioritário”, defendeu Luciano Diniz.

No dia 12 de fevereiro, a prefeitura acionou a CEDAE e a BRK Ambiental na Justiça por conta das constantes reclamações quanto à qualidade dos serviços prestados e as cobranças indevidas aos moradores que não têm água.

Com as ações, o Executivo tenta suspender a cobrança das contas indevidas ou que a fatura seja encaminhada de forma proporcional, com tarifação apenas nos dias em que o abastecimento realmente acontecer, conforme explicou o Procurador Adjunto de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON), Carlos Firetti.

“Sabemos que há uma nova gestão, mas contamos com a sensibilidade dos responsáveis em busca de algo imediato”, acrescentou Fioretti.


 

Mais lidas do mês