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Eleições presidenciais deste ano podem ter até 18 candidatos

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Segundo jornal paulista, 11 nomes já teriam sido confirmados oficialmente para a disputa presidencial, que ainda não sabe se terá o ex-presidente Lula na disputa

Faltando apenas 5 meses para o início do registro de candidaturas, articulações partidárias já movimento pelos menos 11 pré-candidatos à corrida para assumir a faixa presidencial em 1 de janeiro de 2019.

Na última semana, mais 2 nomes se juntaram à disputa oficialmente, o do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), que foram lançados por seus partidos na última quarta-feira, 8.

Segundo analistas ouvidos pelo jornal Estado de São Paulo, o cenário de incerteza na disputa presidencial, reflexo da crise política, e o fim do financiamento empresarial seriam determinantes para a proliferação de candidaturas.

Além disso, existe ainda a possibilidade de o ex-presidente Lula (PT), até agora líder nas pesquisas de intenção de voto, ficar impedido de concorrer com base na Lei da Ficha Limpa, o que também seria considerado um fator para a pulverização de candidatos.

De acordo com jornalistas do Rio, algumas dessas candidaturas, porém, são vistas como tentativas dos partidos se cacifarem nas negociações de alianças eleitorais, como a do próprio Maia, como já apontou a colunista do jornal Extra, Berenice Seara.

“Quem tem visto Cesar Maia (DEM) recentemente garante que o vereador não será candidato ao governo do estado. E que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, só está valorizando o passe do DEM. Em seu apartamento, em São Conrado, o ex-prefeito sempre diz aos aliados que tem uma hérnia de disco que não o deixa ficar em pé mais de duas horas. Que não tem saúde nem vontade para a empreitada. Se a disputa for pelo Senado, ele até encara. Mas brigar pelo Palácio Guanabara, nem pensar.

Os mesmos entendidos também apostam que a hipótese de Rodrigo disputar a Presidência da República não passa de pré-campanha para a reeleição do moço a presidente da Câmara! E que, no frigir dos ovos, ele vai é de Eduardo Paes — que está de malas prontas para deixar o PMDB — quem sabe para o PP, quem sabe para o PSDB. Eduardo e Rodrigo voltaram a conversar faz tempo. E já são, de novo, os melhores amigos”, contou a jornalista em sua coluna do dia 2 de março.

No evento em que “estreou” como pré-candidato à Presidência, porém, Rodrigo Maia foi reverenciado por líderes de siglas do chamado “Centrão” e até por tucanos, que já têm no governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), seu pré-candidato. De acordo com o jornal paulista, partidos da centro-direita ainda estariam esperançosos em atrair o DEM para a chapa presidencial.

Outra pré-candidatura que vem sendo vista com ceticismo é a da deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila (PCdoB). O motivo, segundo o Estado de São Paulo, seria a uma posição história do partido, que “tem se colocado como linha auxiliar do PT e aliados dizem ter dúvidas se ela a manterá até o fim”.

“O quadro está aberto. Partido grande não tem candidato forte, candidato mais forte está em partido fraco. O primeiro colocado nas pesquisas está impedido e o outsider saiu. O governo é bom nos resultados econômicos e pessimamente avaliado. Isso tudo dá muita insegurança para se apostar em coligações agora”, afirmou o cientista político Rubens Figueiredo, ao Estadão, como o jornal é mais conhecido.

Além de Maia e Alckmin, o senador Álvaro Dias (PODE) e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), também são apontados como possíveis candidatos à presidência, embora não se saiba ainda por qual partido Meirelles concorreria, já que corre pelos corredores de Brasília que o ministro estaria negociando filiação ao PMDB.

O partido do presidente Michel Temer (PMDB) aliás, segue uma incógnita no que diz respeito à disputa presidencial, já que dirigentes da sigla, como o senador Romero Jucá (PMDB-RR), têm dito que a prioridade, em caso de candidatura própria, é do próprio Temer, que vinha dizendo não ter a pretensão de disputar a reeleição, talvez para agradar ao eleitorado, já que tem a pior rejeição da história como presidente.
“Vemos a pré-candidatura do Maia com o mesmo respeito com que vemos a do Meirelles. E, inclusive, alguma do MDB que possa ser lançada”, disse ontem o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (PMDB-MS), que, assim como a maioria da imprensa, já usa a antiga sigla para nomear o partido, mesmo com o pedido de mudança de nome ainda sendo analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ex-presidente Lula (PT) ainda briga na Justiça para poder concorrer nas eleições presidenciais de outubro deste ano. (Foto: Reprodução)

Grande dúvida das próximas eleições, a indefinição sobre Lula incentiva a fragmentação dos chamados partidos de esquerda, que não chegaram a um consenso sobre seu representantes nas urnas, pelo menos até agora.

Além do petista e de Ciro Gomes, e Marina Silva (REDE), que surgiu como pré-candidata em dezembro de 2017, o PSOL deve lançar neste sábado, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, como pré-candidato à presidência da república.

Na chamada direita, o PSL filiou anteontem o deputado federal do Rio, Jair Bolsonaro, que apesar de aparecer bem em algumas pesquisas eleitorais, faz sucesso mais como inspiração de memes do que como candidato, e deve ter na disputa o empresário João Amoêdo (NOVO), lançado como pré-candidato em novembro do ano passado.

Para o cientista político Vitor Marchetti, da Universidade Federal do ABC, ouvido pelo Estadão, uma das medidas do que ele chama de “desestruturação” de sistema político é o alto número de candidaturas. Para ele, já é possível projetar 18 nomes.

“Nosso recorde foi em 1989, quando 22 candidatos se lançaram. A diferença é que em 1989 a descoordenação era reflexo da inauguração do regime, já 2018 é retrato de sua desconstrução”, defende ele, sem esquecer o vencedor da primeira eleição após a redemocratização e atual senador, Fernando Collor (PTC-AL) também é pré-candidato à presidência. De novo.

Segundo o jornal paulista, o número de 11 pré-candidatos foi alcançado através de um critério de desconsiderar pré-candidaturas não citadas nos principais institutos de pesquisa eleitoral, como é o caso da ex-apresentadora Valéria Monteiro (PMN).

“Com a crise e a ausência de candidatos com poder de aglutinação, todos os partidos resolveram se aventurar”, afirmou o cientista político Carlos Melo, do Insper, para quem o 2º turno pode ser disputado por nomes com poucos votos.

Para Vitor Marchetti, essa situação, caso venha de fato a ocorrer no 1º turno das eleições de outubro deste ano, pode alçar à disputa presidencial dois candidatos sem tanta aclamação popular, já que “uma candidatura que consiga 20% dos votos no 1º turno terá grande chance de sair vitoriosa”.

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