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Crise política e desconfiança da população fazem partidos renunciarem à palavra “partido” em suas siglas

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Pedido de mudança de nome do PMDB é o 6º protocolado junto ao TSE desde escândalo da Lava Jato. 

A crise política nacional e a desconfiança da população nos partidos que se agravou ainda mais depois dos escândalos deflagrados pela Operação Lava Jato, considerado o pior de caso corrupção política na história do Brasil, estão fazendo com que alguns deles renunciem à palavra “partido” em suas siglas.

Apesar de não mudar absolutamente nada, a moda parece ter pegado de vez entre os partidos brasileiros, que cada vez mais, renegam a nomenclatura, numa clara tentativa de passar aos eleitores uma ideia de mudança.

Na última quarta-feira, 31 de janeiro, foi a vez do PMDB protocolar o pedido de mudança de nome junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A ideia é exatamente excluir a palavra “partido” da sigla, voltando a ser apenas Movimento Democrático Brasileiro (MDB), como era até 1980, antes de ganhar o P no nome.

Segundo o TSE, além do pedido de mudança de nome, o ex-partido, e agora novamente movimento, também teria solicitado algumas adaptações em seu estatuto com objetivo de se adequar à nova legislação eleitoral.

Este é o 6º pedido de mudança de nome em partidos brasileiros desde que surgiram as notícias sobre os escândalos de corrupção envolvendo a Petrobras e políticos de quase todos os partidos brasileiros, que culminaram no golpe político-institucional responsável pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Dos 35 partidos políticos registrados junto ao TSE, 6 já solicitaram a mudança no nome, e 2 já tiveram a mudança autorizada pelo principal órgão da Justiça Eleitoral, os antigos PTdoB e PTN, que agora viaram, respectivamente, AVANTE e Podemos (PODE).

Além do pedido do PMDB, outros 3, feitos pelo PSDC, pelo PEN e pelo PP, aguardam decisão do TSE. Em todos eles, a ideia é a mesma: excluir da sigla a palavra “partido”. Assim, o PSDC passaria a se chamar apenas Democracia Cristã (DC), o PEN mudaria para Patriota (PATRI) e o PP, apenas para Progressistas, mantendo a sigla.

História – Criado em 1966, após o Ato Institucional Número 2 (AI-2), de 1965, extinguir os então 13 partidos políticos anteriores ao Regime Militar de 1964, e instituir o bipartidarismo no Brasil, o antigo MDB abrigava políticos que se mantinham contrários ao regime.

Fazia assim oposição ao partido governista, dos militares, então chamado de Aliança Renovadora Nacional (ARENA), cujo nome, aliás, é mais parecido com os novos nomes pedidos pelos partidos atuais.

Como o regime só aceitava dois partidos, o MDB abrigava todos os políticos de oposição, sendo, por isso, caracterizado por uma enorme multiplicidade ideológica. Com o fim do bipartidarismo, em 1979, e a criação da lei dos partidos políticos no Brasil, o MDB foi desmembrado em diversos partidos, atualmente muito conhecidos, como o PT, o PDT, e o próprio PMDB, que, em 1988, após uma cisão, também deu origem ao PSDB.

A extinção do MDB ocorreu em 20 de dezembro de 1979 enquanto o registro do PMDB se deu apenas em 1981, segundo o site do TSE. Na época, o partido era liderado pelo ex-deputado federal Ulysses Guimarães (PMDB-SP), falecido em 1992.

O também extinto ARENA se agregou no Partido Democrático Social (PSD), fundado em 1980, e que abrigava os políticos de direita, sob a liderança de José Sarney (PMDB-MA), e contando em suas fileiras com Paulo Maluf (PP-SP), Fernando Collor (PTC-AL) e Marco Maciel (DEM-PE). Através de fusões e dissidências, o PSD passou a ser Frente Liberal (FL), Partido da Frente Liberal (PFL) e atualmente é conhecido como Democratas (DEM). De seus dissidentes, também surgiu o atual PP.

Outro partido criado por dissidentes dos extintos MDB e ARENA, foi o Partido Popular, na época liderado pelo ex-presidente da república, Tancredo Neves (PMDB-MG), mas que acabou se fundindo ao PMDB em 1982.

A disputa pelo restaurado Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que havia sido extinto com o AI-2, opôs duas correntes ideológicas, e o partido acabou entregue a então deputada federal Ivete Vargas (PTB-SP), sobrinha-neta do ex-presidente Getúlio Vargas, e falecida em 1984.

A decisão do PTB deixou Leonel Brizola, ex-integrante do partido antes do Regime Militar, irritado, já que, com o fim da Ditadura, Brizola desejava reunificar o partido sob bandeiras de movimentos de massa de esquerda. Com a perda de poder dentro do PTB e o surgimento de movimentos sindicalistas, como o liderado por Lula no interior de São Paulo, Brizola, falecido em 2004, fundou o Partido Democrático Trabalhista (PDT), enquanto que as lideranças sindicais e intelectuais paulistas criaram o Partido dos Trabalhadores (PT), sob a liderança do ex-presidente Lula (PT-SP).

Tunan Teixeira

Foto: Divulgação

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