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Comissão de Segurança da Alerj se reúne com interventor federal do Rio de Janeiro

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Presidente da Comissão, deputada Martha Rocha (PDT), afirma que apesar da intervenção, Alerj continuará fazendo seu trabalho

Os integrantes da Comissão de Segurança Pública da Asembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) se reuniram, nesta quarta-feira 28, com o interventor na área de segurança do estado, general Walter Souza Braga Netto. O encontro aconteceu na sede do Comando Militar do Leste, na Praça Duque de Caxias, no centro da capital fluminense.

A presidente da Comissão, deputada Martha Rocha (PDT), explicou que o objetivo era saber detalhes da intervenção federal, decretada pelo presidente Michel Temer (PMDB) há duas semanas, e apresentar o trabalho do grupo ao general.

“O papel da Alerj não acabou com a ação do governo federal. Vamos nos apresentar ao general e sempre acompanharemos as medidas da intervenção por meio de audiências públicas, para que a população possa acompanhar com transparência as ações”, afirmou a parlamentar.

 

Fernando Segovia não é mais diretor-geral da Polícia Federal. (Foto: Reprodução)

Um chega, outro vai – Enquanto o novo interventor da segurança pública do Rio vai se ambientando com a situação do estado, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Fernando Segovia, foi demitido, e já substituído pelo atual titular da Secretaria Nacional de Justiça, Rogério Galloro.

A decisão, um dos primeiros atos do novo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, foi confirmada em nota publicada pela assessoria do recém-criado Ministério Extraordinário da Segurança Pública, de acordo com a agência de notícias Reuters, Segovia teria sido informado ainda na tarde da última terça-feira, 27, que não seria mantido no posto.

A situação de Segovia, que assumiu o comando da PF em novembro de 2017, ficou abalada após entrevista à mesma Reuters, antes do Carnaval, em que ele afirmou não haver indícios de crime cometidos por Temer no chamado inquérito dos portos.

Na entrevista, Segovia indicava que a tendência era de arquivamento da investigação contra o presidente, além de afirmar ainda que o delegado responsável pelo inquérito, Cleyber Malta Lopes, poderia ser investigado por eventuais abusos nos questionamentos que fez ao presidente, se houvesse uma queixa formal sobre isso.

Segundo a Reuters informou nesta quarta-feira, 28, a reação à fala de Segovia, que foi escolhido diretamente por Temer, com indicações de auxiliares próximos, foi dura, o que teria culminado com a demissão do agora ex-diretor-geral da PF.

Relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luís Roberto Barroso chegou a intimar Fernando Segovia para que ele prestasse esclarecimentos, além de determinar que o delegado não falasse mais no caso.

A situação piorou quando delegados que conduzem inquéritos no STF chegaram a divulgar um documento em que sinalizavam que poderiam recorrer à Corte para impedir interferências nas investigações.

Procuradora-geral da república, Raquel Dodge, ouviu do ex-diretor-geral da PF que Operação Lava Jato estava perto do fim. (Foto: Reprodução)

Na segunda, 26, a procuradora-geral da república, Raquel Dodge, pediu ao STF, novamente, que Segovia fosse proibido de falar no assunto sob pena de ser afastado do cargo, o que, acabou acontecendo com sua demissão.

Mesmo no Palácio do Planalto a reação inicial não foi boa. Apesar do ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, ter defendido as declarações de Segovia, a avaliação do governo federal foi de que a fala do delegado deixou o governo em situação difícil, já que tornou mais complicada o simples arquivamento do processo.

Na manhã da última terça, Segovia foi à posse de Jungmann como ministro da Segurança Pública, e ao final da cerimônia, cercado por jornalistas, o delegado se recusou a responder quaisquer perguntas, alegando que tinha sido “proibido pela Justiça”.

À tarde, o agora ex-diretor-geral da PF foi surpreendido com a demissão, segundo uma fonte da Reuters. No momento em que a assessoria de Jungmann já informava sua demissão, assessores de Segovia negavam a informação e diziam que ele continuava firme no cargo.

Fernando Segovia chegou ao cargo com apoio de políticos do PMDB investigados na operação Lava Jato, mas nos 3 meses que ocupou o cargo, acumulou polêmicas com suas declarações, entre elas a de que a própria Lava Jato estava perto do fim.

 

Repercussão – No início da noite de terça, após oficializada a troca, o ministro Carlos Marun deu uma entrevista coletiva na qual destacou que o novo titular da Segurança Pública tinha total liberdade para montar a sua equipe.

Delegado Fernando Segovia assumiu a direção-geral da Polícia Federal em novembro de 2017, por indicação do presidente Michel Temer (PMDB), mas defesa descarada ao chefe em entrevista "pegou mal" com a Justiça e dentro do próprio governo federal. (Foto: Reprodução)

De acordo com a agência de notícias, Marun disse ainda que entendeu, pela troca, que Galloro era a pessoa adequada para comandar a Polícia Federal e que o presidente Temer foi comunicado da escolha.

“Realmente é um momento em que o ministro tem pouco tempo e é natural que ele escolha para esse trabalho pessoas que ele tem mais afinidade”, disse Marun, que garantiu que, dessa vez, não houve participação política na escolha.

O ministro da Secretaria de Governo disse também que Segovia não está sendo substituído pelas críticas, acrescentando que o delegado teria feito “um bom trabalho” à frente da PF.

Para Marun, Segovia “verbalizou o óbvio” na entrevista à Reuters quando disse que não haveria provas contra Temer. Ele afirmou já ter visto vários delegados e procuradores antecipando resultados e considerou toda essa “celeuma, uma tempestade em copo d’água”.

Todavia, fontes palacianas que pediram para não ser identificadas, disseram à Reuters que a decisão de trocar o comando na PF foi tomada depois de uma avaliação de que Segovia havia perdido a capacidade de interlocução com o Judiciário e o Ministério Público, além de ter gerado divisões dentro da própria corporação.

De acordo com o presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Felix de Paiva, a notícia da troca de Segovia por Galloro o pegou de surpresa, pois ele acreditava que, após a pauta ter sido tomada pela intervenção federal no Rio, a situação de Segovia havia amenizado.

Segundo Paiva, Galloro tem uma carreira importante na PF e desde novembro de 2017 era visto como uma substituição “absolutamente natural” para o cargo. Ele disse ainda que havia uma crise de confiança na polícia e que espera que o novo diretor-geral, por ter um perfil mais discreto, parecido com Daiello, possa restabelecer o trabalho de fortalecimento da instituição.

Em nota, a Federação Nacional dos Policiais Federais disse ter recebido com naturalidade a troca na PF e destacou que Galloro tem “total apoio” dos policiais para ocupar a função.

“Na avaliação da entidade, diversos acontecimentos contribuíram para um desgaste da gestão de Segovia. O então diretor assumiu a pasta em um momento de crise política. Na segurança pública, teve de enfrentar a resistência dos próprios pares e, recentemente, fez declarações conturbadas sobre o trabalho de investigação desempenhado pela Polícia Federal”, afirma a nota, acrescentando que “nome que assumirá a gestão, Rogério Galloro é considerado um perfil operacional, discreto e com bom relacionamento com os servidores do órgão”, concluindo dizendo que o novo diretor-geral da PF “é reconhecido pelos colegas como um nome qualificado para desempenhar as importantes atribuições da função.”


 

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