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Com algumas exceções, cidades da região sofrem com instabilidade política e constantes trocas de prefeitos desde 2017

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Vizinhos muito próximos em muitos sentidos, municípios da Região dos Lagos e do Norte Fluminense vivem realidades diversas politicamente há pouco mais de 1 ano das próximas eleições municipais, em outubro de 2020.

Desde 2016, quando das últimas eleições para prefeito, vice-prefeito e vereadores, Rio das Ostras e Cabo Frio já passaram por eleições suplementares devido à cassação do mandato dos vencedores em 2016, e Iguaba Grande se prepara para viver o mesmo processo no próximo dia 2 de junho.

Em Rio das Ostras, Carlos Augusto Balthazar (MDB) deu lugar a Marcelino Borba (PV), e em Cabo Frio, Dr. Adriano (REDE) assumiu o lugar de Marquinho Mendes (MDB), enquanto que em Iguaba Grande, 5 candidatos disputam o cargo antes ocupado por Ana Grasiella (PP).

Além deles, outros chefes do Executivo na região vêm sofrendo com suas oposições e com decisões judiciais, deixando seus municípios em situações de muita indefinição política, como é o caso de Lívia de Chiquinho (PDT), eleita prefeita de Araruama, e André Granado (MDB), reeleito em Armação dos Búzios, os 2 em 2016, mas que já foram alvos de pedidos de afastamento.

Em Búzios, a instabilidade é tamanha que já é tratada como “novela” pela população e pela imprensa regional, devido às diversas vezes em que deixou e retornou ao cargo, numa sucessão de decisões da Câmara Municipal e da Justiça.

Enquanto que em Búzios, o vice-prefeito, Henrique Gomes (DEM), já assumiu a cadeira do governo municipal 4 vezes desde 2017, em Araruama, Lívia chegou a ser afastada em abril após decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) de cassar seu mandato e de seu vice, Marcelo Amaral (PRB), mas o processo foi reformado pelo próprio TRE-RJ em outubro do mesmo ano.

Sem tanta instabilidade, mas não avesso a polêmicas, o Prefeito de Casimiro de Abreu, Paulo Dames (PSB) reassumiu o cargo, nesta quinta-feira, 23, depois de 15 dias de recesso, agradecendo ao seu vice, cargo que ultimamente vem sendo mais sinal de rivalidade do que de parceria.

“Agradeço a Kinha (PRB), meu amigo, nosso vice-prefeito, por ter dado continuidade aos trabalhos, atendendo com atenção a população neste breve período em que estive fora”, disse o prefeito em nota divulgada no site da prefeitura.

Apesar de continuarem no cargo desde as vitórias nas urnas em 2016, as prefeitas, Carla Machado (PP), de São João da Barra, e Christiane Cordeiro (PP), de Carapebus, não têm vida fácil em seus municípios.

Enquanto a primeira ainda tenta reverter junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a inelegibilidade de 8 anos a contar de 2012, que invalidaria seu registro de candidatura nas últimas eleições municipais e resultaria numa consequente perda de mandato, a segunda é alvo de Comissão Parlamentar Processante (CPP) da Câmara, que também tenta cassar seu mandato.

Mas nem todos os prefeitos da região vivem de falta de estabilidade para governar, como demonstram as exceções a essa pressão, casos dos prefeitos de Arraial do Cabo, Renatinho Vianna (PRB); de São Pedro da Aldeia, Cláudio Chumbinho (MDB); de Macaé, Dr. Aluízio (sem partido); de Conceição de Macabu, Cláudio Linhares (sem partido); de Quissamã, Fátima Pacheco (PODE); e de Campos dos Goytacazes, Rafael Diniz (PPS).

Legislativo – Se a situação dos chefes do Executivo na região é instável na maioria dos casos, nas câmaras municipais a coisa é ainda pior, com um sem número de afastamentos e suplentes assumindo as cadeiras dos legislativos.

Puxada pelos resultados das investigações da Operação Chequinho, que apura o uso do programa social Cheque Cidadão, da Prefeitura de Campos, para a compra de votos nas eleições de 2016, a Câmara campista lidera no quesito instabilidade, tendo convocado quase 20 suplentes e dado posse a mais de 40 vereadores em pouco mais de 2 anos.

Dos 25 parlamentares eleitos no último pleito municipal, apenas 12 permanecem no cargo, com quase 20 parlamentares afastados por envolvimento nas investigações da Operação Chequinho, diversos deles presos, e apenas 2 nomeados secretários municipais, além de mais da metade da atual composição da Casa ser formada por suplentes, contabilizando 13 no total.

Em seguida, aparece Macaé, que teve 2 vereadores presos acusados de peculato, 2 nomeados para o Executivo e 1 eleito deputado estadual nas eleições de 2018, totalizando 5 suplentes entre os 17 vereadores do município.

Outro Legislativo que também teve baixas devido a investigações foi o de Casimiro de Abreu, que teve 4 dos 9 parlamentares eleitos em 2016 afastados, todos acusados de participar de um esquema para compra de apoio de parlamentares em votação para aprovar as contas do ex-prefeito Antônio Marcos (PSC).

Mas nem todos foram presos ou deixaram as cadeiras das câmaras devido a investigações ou decisões judiciais. Em Rio das Ostras e Cabo Frio, por exemplo, os vereadores pularam direto para a cadeira de prefeito, durante as eleições suplementares, algo que pode acontecer em Iguaba Grande, onde 3 dos 5 candidatos à prefeitura são vereadores de mandato. Além desses, há os casos dos parlamentares que aceitaram convite do Executivo e rumaram para comandar secretarias municipais.

No total, 32 dos 176 vereadores eleitos nas últimas eleições municipais, em 2016, são suplentes, número que representa quase 35% de mudanças nos nomes escolhidos pelas urnas, restando ainda pouco mais de 1 ano e meio para o fim dos mandatos, que se encerram em 31 de dezembro de 2020, ano em que teremos novas eleições municipais.

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