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Ciro Gomes promete nova reforma trabalhista com participação sindical se for eleito presidente em outubro desse ano

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Em entrevista na Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ciro Gomes (PDT) acredita que o Judiciário está “exorbitando” seu papel como ente democrático e falou que colocar “cada um no seu quadrado”

O pré-candidato à presidência da república, Ciro Gomes (PDT), afirmou na última quarta-feira, 4, que, se eleito, vai fazer uma rediscussão da reforma trabalhista aprovada pela gestão do presidente Michel Temer (MDB).

Ex-ministro da Fazenda no governo Itamar Franco durante a implantação do Plano Real, e da Integração Nacional, durante o governo Lula (PT), Ciro Gomes chamou de “selvageria” a reforma feita pelo governo Temer e prometeu nova reforma, nos 6 primeiros meses de mandato, e com a participação das centrais sindicais.

“Meu compromisso com as centrais sindicais é trazer essa bola de volta ao meio de campo”, disse, que completou após ter sido vaiado. “Pois é, vai ser assim mesmo. Se quiserem presidente fraco escolham um desses que vem conversando fiado aqui com vocês”, disparou Ciro, conforme publicado pela agência internacional de notícias Reuters.

As declarações foram feitas durante sabatina promovida pela Confederação Nacional de Indústria (CNI) com os pré-candidatos a presidente. O pré-candidato a presidente disse posteriormente que aceitava as vaias, mas fez questão de dizer que cultiva a “autoridade dentro da democracia” e que confiança não é sinônimo de simpatia.

Em entrevista coletiva após a sabatina, Ciro disse aos jornalistas que o seu lado é o da classe trabalhadora e destacou que a melhor forma de prestigiá-la é com a classe produtiva também a prestigiando.

“Eu tentei mostrar. É assim que vai ser, eu vou proteger o trabalho”, reforçou.

O pré-candidato disse ainda que não tem se sentido “agredido nem insultado” com as vaias e destacou se tratar de “gente adulta”, e cutucou outro pré-candidato, dizendo que teria “vergonha de bater palma para [Jair] Bolsonaro (PSL-RJ)”.

“Estamos debatendo. Tem alguma coisa que desqualifica isso? Eu vejo isso com a maior naturalidade”, avaliou, acrescentando que “cada um tem o candidato que merece”.

Ciro Gomes disse que não se reconhece nas declarações que faz à imprensa. O comentário ocorreu quando ele disse que jamais falou que iria revogar a reforma trabalhista e que não tem poderes para isso.

O pedetista afirmou ainda que a Previdência no país não é reformável e que será necessário buscar outro modelo, além de defender que se institua um modelo de capitalização, com um regime de repartição com regra de transição, e cobrar ainda uma unificação das previdências pública e privada.

Ele defendeu também a realização de uma consulta popular para alterar o regime previdenciário e citou o fato de que 2% dos beneficiários do regime, incluindo juízes, procuradores e políticos, levam 25% dos recursos dos benefícios.

Para Ciro, é preciso se propor reformas nos 6 primeiros meses de governo, e, como lembrou, desde o ex-presidente Eurico Gaspar Dutra, todos os presidentes foram eleitos com o apoio de minoria no Congresso.

Ciro Gomes defendeu ainda que é preciso buscar uma convergência da sociedade civil organizada para avançar. Depois das vaias sobre a reforma trabalhista, o pré-candidato recebeu efusivas palmas ao defender um foco social na atuação de todos.

“Vamos botar a mão na cabeça, só ganhar dinheiro é importante, mas temos um povo para alimentar”, disse ele, que também foi aplaudido ao defender uma redução da taxa de juros para ajudar o país.

Em sua exposição inicial, o pré-candidato fez um amplo diagnóstico sobre como o país chegou à atual situação. Ele disse que o Brasil não cresce pelo alto endividamento das famílias e das empresas, e citou como dificuldade para fazer o país crescer a grave crise fiscal e a atuação do governo ao atuar no combate à inflação se valendo na taxa básica de juros.

“Na minha opinião, não sairemos disso com a reação tópica às fogueiras do dia a dia. Tabela de frete, dá subsídio, a política de preços”, disse, complementando que “é mistificação que estamos virando o jogo, estamos afundando”.

No evento, Ciro também fez críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), dizendo que ministros do STF estão “exorbitando” das suas atribuições.

“O Judiciário brasileiro precisa voltar para o seu quadrado, o Ministério Público brasileiro precisa voltar para o seu quadrado”, ressaltou ele.

Depois, em entrevista coletiva, o pré-candidato afirmou que o “colapso” do poder político, com a desmoralização do presidente e do Congresso tem permitido essa interferência do Judiciário.

“Eu acho que esse estado de anarquia passou dos limites. Tem que restaurar a plenitude do poder democrático. Não é hostilidade a ninguém, mas é cada qual no seu quadrado”, reforçou Ciro Gomes, citando uma série de exemplos de interferência do Judiciário, como o fim da cláusula de barreira, determinado pelo STF, para um determinado partido ter direito a representatividade no Congresso. Ele também disse que há um “verdadeiro terrorismo” de jovens promotores nos municípios.

“Parte do Judiciário começa a inovar e adotar parte do sistema anglo-saxão. Não é razoável que uma maioria simples da Suprema Corte legisle em questões centrais do país. Mas isso vai ter que ser resolvido conversando e é a política que vai ter que resolver”, destacou.

Mais uma vez, o pré-candidato fez duras críticas ao presidente Michel Temer e ao seu grupo político, ao qual chamou de “quadrilheiro”, falando ainda que a população percebe o poder político como um lugar de ladrões.

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