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Câmara de Macaé se posiciona em apoio à UFRJ e pede que governo federal reveja corte de verbas das universidades públicas federais

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Em sessão ordinária da Câmara Municipal de Macaé realizada na manhã desta terça-feira, 11, vereadores da cidade se manifestaram em apoio à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) depois que o presidente da república, Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou mais um corte de verbas para as universidades públicas federais.

O assunto que tomou as redes sociais após a reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho, em artigo para o jornal O Globo nesta segunda-feira, 10, avisou que, o corte de verbas para a universidade pode causar o fechamento da UFRJ devido à falta de recursos.

A UFRJ fechará suas portas por incapacidade de pagamento de contas de segurança, limpeza, eletricidade e água. O governo [federal] optou pelos cortes, e não pela preservação dessas instituições. A universidade nem sequer pode expandir a arrecadação de recursos próprios, pois não estará garantida a autorização para o gasto. A universidade está sendo inviabilizada”, diz a reitora no artigo.

Na abertura da sessão da Câmara de Macaé desta terça-feira, o presidente da Casa, vereador Cesinha (PROS), falou em nome de todo o Legislativo macaense ao pedir que o governo federal reveja o corte de gastos, fazendo um apelo ainda aos deputados federais para que tentem demover a presidência dessa decisão.

“Eu gostaria de deixar registrada em ata a tristeza em nome dessa Casa em relação ao corte de verbas que o governo federal cortou das universidades [públicas] federais. Nos deparamos hoje (11) pela manhã em todas as redes de informações e isso nos deixa muito tristes, porque a universidade federal vem desenvolvendo um grande trabalho à frente da pandemia. Então nos deixa muito tristes esse anúncio do governo federal e gostaria de fazer um pedido, através das nossas redes sociais, que o governo federal pudesse rever esse corte que vai ser um corte que vai inviabilizar o trabalho da universidade federal. Então como dizia o nosso grande representante e líder do PDT, quando a gente deixar de investir na Educação, com certeza nós vamos ter mais presídios. E isso, na verdade, é uma tristeza que, a gente se deparar com essa situação num momento tão delicado em que a nossa sociedade precisa das universidades federais, é uma tristeza muito grande. E gostaria de pedir que o governo federal pudesse rever essa questão através dos nosso representantes deputado federais”, pediu Cesinha.

A frase citada pelo presidente da Câmara de Macaé foi dita em 1982 pelo ex-senador e ex-vice-governador do Rio pelo PDT, Darcy Ribeiro, que comandou os ministérios da Educação e da Casa Civil durante o governo João Goulart.

“Se os governantes não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”, disse na época Darcy Ribeiro, que é responsável pela concepção e coordenação do projeto, em 1993, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), em Campos dos Goytacazes, mas que atua também em Macaé.

Outra parlamentar a se posicionar contra o corte de verbas das universidades federais foi a vereadora Iza Vicente (REDE), que também demonstrou apoio às instituições, em especial à própria UFRJ, que tem campus em Macaé, e que vem sendo tão importante na contribuição do combate à pandemia, inclusive com pesquisas de duas vacinas nacionais contra o coronavírus.

“Quero fazer coro à fala do presidente [da Câmara de Macaé] no início da sessão e demonstrar aqui meu apoio à Universidade Federal do Rio de Janeiro, que sofreu aí um corte e está sob ameaças de fechar, como foi a fala da reitora, que, com o atual orçamento vai ser difícil operacionalizar os serviços da universidade. E dizer que tivemos a honra de recebê-la aqui no nosso plenário para falar das ações de combate à pandemia; recebemos professores [da UFRJ] na Casa, temos um polo da UFRJ em Macaé e sabemos o quanto essa universidade é importante para o Brasil, não só para o Estado do Rio de Janeiro. Produz ciência, produz conhecimento. É um lugar onde muitas pessoas estão tendo a oportunidade de mudar suas vidas a partir dos estudos. E esse ano vai ter um orçamento menor do que teve em 2004, quando tinha muito menos estudantes. Então, demonstro meu apoio contra esse corte, e peço também que todos os vereadores se engajem nessa luta em apoio à universidade pública, que está sendo tão alvejada, apesar de estar apoiando o combate ao coronavírus, estar fazendo testes, produzindo, enfim, pesquisando coisas para a gente sair desse abismo”, se manifestou a vereadora.

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