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Aprovação de lei que descriminaliza o aborto na Argentina repercute nas redes sociais da região

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No Facebook e no Instagram, brasileiras se solidarizam às argentinas (foto) que suportaram o frio da madrugada na porta do Congresso à espera do resultado da votação da lei que descriminaliza o aborto no país

A aprovação, na Câmara dos Deputados da Argentina, da lei que descriminaliza o aborto, em uma sessão histórica nesta quinta-feira, 14, e que durou cerca de 22 horas e meia, repercutiu nas redes sociais em todo o mundo e também da região.

Em suas páginas no Facebook e no Instagram, diversas pessoas de várias cidades da região comemoraram a aprovação da legislação no país vizinho, que repetiu o resultado de um referendo popular na Irlanda, de forte influência religiosa, onde também se aprovou a descriminalização da prática.

“Todo apoio à luta das argentinas”, escreveu a cantora e produtora cultural Renata Cabral, de Rio das Ostras, em publicação retransmitida de uma página de notícias paulista.

“Avanço!”, comemorou o ator Júnior Rodriguês, de Cabo Frio, citando a aprovação popular da Irlanda, que aconteceu em 26 de maio deste ano.

“Como falo, cabe à mulher decidir pelo seu corpo, não uma religião, uma corte ou qualquer outra pessoa; a Argentina caminha para um avanço; principalmente religiões não podem determinar legislações”, comentou o guarda municipal, Jorge Brito, de Macaé.

Artistas, assistentes sociais, jornalistas, universitários e diversos outros profissionais compartilharam notícias de várias fontes diferentes comemorando a vitória, e muitos usaram a imagem de cartoon que fazia um trocadilho onde a palavra “histérica” era substituída por “histórica”.

Argentina - A Câmara argentina aprovou a lei numa votação apertada, que terminou com o placar de 129 votos a favor, 125 contra e 1 abstenção o projeto, que agora será encaminhado ao Senado para nova votação.

De acordo com o projeto argentino, o aborto poderá ser feito até 14 semanas de gestação. Depois deste prazo, a interrupção da gravidez só poderá ser realizada em casos de estupro, se representar um risco para a vida e a saúde da mãe e também se o feto tiver alguma malformação “incompatível com a vida extrauterina”.

Com o fim da votação, milhares de mulheres que aguentaram a madrugada fria esperando o resultado do lado de fora do Congresso, se abraçaram, choraram e comemoraram nas ruas com a vitória ao som de “aborto livre, gratuito e seguro”, mote da campanha argentina.

Segundo as estimativas, 500 mil abortos clandestinos são feitos todos os anos na Argentina. Cerca de 60 mil resultam em complicações e hospitalizações, e muitas mulheres morrem por causa de abortos mal feitos, sendo a maioria pobre e do interior.

Brasil e mundo - O mesmo acontece no Brasil e em países da África, Ásia e no restante da América Latina, de acordo com um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado no site da Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro de 2017, que diz que mais de 25 milhões de abordos clandestinos acontece em todo o mundo, a maioria em países em desenvolvimento destes continentes.

No livro “Precisamos falar sobre o aborto: mitos e verdades”, o pesquisador e tradutor Marlon Derosa, acredita que, em 2016, algo em torno de 98 e 119 mil abortos clandestinos tenham sido realizados no Brasil.

Segundo a doutora Bela Ganatra, pesquisadora liderou o estudo da OMS e que também é cientista do Departamento de Saúde Reprodutiva e Pesquisa da OMS, legislações restritivas, que proíbem a prática, acabam aumentando justamente o risco à vida, contrariando os discurso dos defensores da proibição, que justificam sua posição como sendo “em favor da vida”, mas permitindo que muitas mulheres morram em abortos clandestinos, como acontece no Brasil e em diversos países do mundo.

“Quando mulheres e meninas não podem acessar serviços eficientes de contracepção e aborto seguro, há sérias consequências para sua própria saúde e de suas famílias. Isso não deve acontecer. Mas apesar dos recentes avanços em tecnologia e evidências, muitos abortos inseguros ainda ocorrem, e muitas mulheres continuam a sofrer e a morrer”, explica a doutora.


 

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