Mídias Sociais


Política

Alunos da Emart, em Macaé, apresentam peça teatral de formatura nesta sexta e sábado, 3 e 4, na Rinha das Artes

Publicado

em

 

O Centro Cultural Rinha das Artes recebe, em curtíssima temporada, nesta sexta e sábado, 3 e 4, o espetáculo O Rinoceronte, texto do dramaturgo romeno Eugène Ionesco, e dirigido pelos professores da Escola Municipal de Artes Maria José Guedes (Emart), Ademir Martins e Leandro Triervailer.

O texto do espetáculo, que tem início marcado sempre para às 20h, é resultado da escolha dos alunos da turma de formandos do curso técnico de Teatro da Emart, que iniciou sua trajetória na escola em 2019.

Para a diretora da Emart, Sheila Juvêncio, as apresentações da turma de formandos têm um sabor especial devido aos problemas enfrentados pelos alunos, que tiveram que passar mais da metade do curso com aulas virtuais em razão da pandemia do coronavírus.

“Estes alunos são vitoriosos por terem passado por este período de pandemia de Covid-19 (sigla, em inglês, para Coronavirus Disease 2019). Não foi fácil para a gestão, para a direção, e não foi fácil para eles. Mudamos a metodologia no decorrer do curso para o retorno à modalidade presencial, mas eles aprenderam muito também de forma remota. Eles estão entregues à proposta. Será um espetáculo bem bonito”, disse Sheila Juvêncio.

Também a coordenadora do curso de Teatro da Emart, Aline Barbosa, comentou sobre a 1ª turma formada após o período crítico da pandemia, que teve, em Macaé, o 1º caso confirmado em 27 de março de 2020, seguido das medidas de isolamento social para a prevenção do contágio do vírus.

“A apresentação desta montagem é um momento de muita felicidade para toda a escola, depois dos últimos 2 anos de ensino remoto”, lembrou Aline Barbosa, citando o período em que a Emart ficou com as aulas presenciais suspensas em razão dos riscos da pandemia.

Um dos diretores da peça, o professor Ademir Martins contou que, para escrever a peça O Rinoceronte, de 1959, Eugène Ionesco teria se baseado em uma experiência real do escritor francês Denis de Rougemont, quando presenciou uma manifestação nazista, na cidade alemã de Nuremberg.

Concordando com o autor, que é considerado uma das principais figuras do que chamada Teatro do Absurdo, que afirmou que peça trata de histeria coletiva, o diretor e professor da Emart afirma que o tema do espetáculo é a alienação, a entrega da massa desprovida de raciocínio e de senso crítico sobre qualquer ideia ou ideologia.

“Uma multidão esperava o führer (líder, em alemão). Quando o cortejo de [Adolf] Hitler surgiu, o povo foi adotando uma histeria tão contagiosa que o próprio Rougemont se sentiu tocado. Já estava prestes a submeter-se àquele sentimento, quando, afastando-se, parou para refletir: ‘que espécie de histeria coletiva era aquela, de se deixar levar pela ideia vinculada ao passional, insano delírio daquele ditador?’”, contou Ademir Martins.

Expressão cunhada pelo crítico húngaro Martin Esslin no fim da década de 1950, o Teatro do Absurdo abarcaria as peças surgidas no pós-II Guerra Mundial, tratando da desolação, da solidão, e da incomunicabilidade do ser humano.

“Ionesco criticava severamente o teatro ideológico, como o de [Bertolt] Brecht, por exemplo. Afirmava que a vanguarda precisa sempre de liberdade. Entretanto, esta linha de pensamento pressupõe já uma ideologia. Afinal, a filosofia e as artes interpretam ou também transformam a história?”, completa Ademir Martins.

A peça conta a história de uma cidade pacata que vê um rinoceronte passar por suas ruas. À medida que a origem do animal é discutida e até rebatida, o rinoceronte, misteriosamente vai se proliferando de maneira incontrolável, até que os próprios cidadãos da cidade vão se transformando em rinocerontes.

As apresentações de O Rinoceronte serão gratuitas nos 2 dias, mas quem quiser conferir a peça da turma de formandos da Emart precisa retirar os ingressos na secretaria da Emart, que fica na Avenida Rui Barbosa, 780, 2º andar, nesta sexta-feira, das 14h às 18h, ou na própria bilheteria do Centro Cultural Rinha das Artes, que fica na Rua Dr. Júlio Olivier, 633, sempre uma hora antes de cada apresentação, lembrando que o espaço está sujeito à lotação e que a indicação etária é a partir de 12 anos.

Na entrada, a prefeitura também disponibilizará posto de coleta de doações para a campanha do agasalho, promovida pelo governo municipal através do Programa Municipal de Saúde e Bem-Estar Social (Pró-Bem).

Além do texto de Eugène Ionesco, e da direção de Ademir Martins e Leandro Triervailer, a peça tem concepção de cenografia e figurino de Neyva Santiago; caracterização de Neyva Santiago e Thainá Santos; preparação vocal de Jardel Maria; e produção de Felipe Eliakim.

O elenco, formado pelos alunos que iniciaram sua trajetória na Emart em 2019, conta com Deivid Barretto, Douglas Mareli, Ester Reis, Felippe Senna, Luca Porto, Lucas Antonio Rangel, Maycon Corrêa, Nicolle Fernandes, Raphael Almeida, Reinaldo Fróes, Thainá Santos, Thaís Queiroz e Victor de Paula.

Mais lidas da semana