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Demissão de Pelaipe expõe divisão interna no Flamengo e pode atingir outros setores

Sérgio Barcellos

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O futebol é mesmo uma caixinha de surpresas. O velho ditado cai como uma luva para explicar as últimas 24 horas do Flamengo. O Rubro-Negro viveu uma temporada dos sonhos em 2019, mas começa um 2020 já com turbulências internas, ao que tudo indica, motivadas por questões políticas. Uma verdadeira bomba caiu sobre o clube nos bastidores com a demissão repentina e "surpresa" de Paulo Pelaipe.

A demissão evidenciou uma divisão na diretoria, algo até então completamente escondido pelo sucesso do clube no ano passado. Há correntes no clube que creditam a demissão a uma jogada política, com objetivo de tirar força do vice de futebol Marcos Braz. É inegável que Braz foi a figura que mais cresceu e ganhou projeção no último ano entre os dirigentes. Ele atuou diretamente na contratação de reforços, e acabou sendo apontado como um dos principais responsáveis pela montagem do elenco vencedor que tanto se falou em 2019. Braz teve seu crescimento consolidado com o sucesso time e os títulos da Libertadores e Brasileiro. Soma-se isso ao fato de que o então gerente de futebol, Paulo Pelaipe, era muito ligado a Braz.

Pelaipe estava de férias e soube de sua demissão por e-mail. Muitos atribuem sua saída a Luiz Eduardo Baptista, vice de relações externas e conhecido nos bastidores como Bap. Embora as partes envolvidas não tenham se pronunciado oficialmente, um dos fatores especulados para justificar a demissão seria o vazamento de informações para a imprensa, que teriam partido de Pelaipe.

A simples demissão de Pelaipe, a princípio, não traz grandes consequências. O discurso é de que a direção optou por não renovar seu contrato, algo absolutamente normal na relação patrão e empregado. Só que a decisão assinada por Rodolfo Landim pode atingir outros setores, chegando ao futebol. Pelaipe era muito ligado a Jorge Jesus. Ele chegou a ir a Portugal a convite do treinador. Já há quem afirme que o português teria entrado em contato com a diretoria para saber o real motivo da demissão.

A crise interna pode ganhar proporções ainda maiores caso a turbulência não seja encerrada nas próximas horas. Braz ficou desprestigiado, sobretudo porque passaram por cima de sua autonomia, demitindo alguém de seu setor sem lhe consultar. Cabe ao presidente Landim vir a público se pronunciar sobre o assunto e contornar a situação. Algo que o mandatário não costuma fazer com frequência, principalmente em períodos de crise.

Foto: Alexandre Vidal

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