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Campello dá fortes declarações em clima de despedida do Vasco

Sérgio Barcellos

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O presidente Alexandre Campello está muito perto de deixar o cargo. Na próxima temporada, o Cruz-Maltino terá um novo presidente e por conta disso, Alexandre publicou uma carta aberto aos torcedores. Em clima de despedida, ele fala sobre os desafios de seu mandato, chegando a citar um esquema para roubar dinheiro de bilheteria do clube.

"Ainda no início da gestão, desmantelei um esquema dentro da Operação de Jogos. Não vou usar de meias palavras: funcionários, com a conivência — ou melhor — a cumplicidade de dirigentes, roubavam dinheiro da bilheteria em todas as partidas. Não satisfeitos, essa quadrilha ainda apresentava recibos fajutos para inflar as despesas de jogo, em conluio com prestadores de serviço. Cortamos esse mal pela raiz", disse Campello.

Campello afirmou também ter encontrado muita resistência para bater de frente com o sistema político do clube. "Cumprir essa missão cobra um preço alto. E eu estou pagando o meu. Há três anos, deixei de ser exclusivamente Campello ou Alexandre, para ser os inúmeros nomes e adjetivos com que passei a ser chamado. Faz parte do jogo.Em três anos de mandato, não fiz outra coisa todos os dias se não detonar o sistema. Soa familiar, não? Já ouvimos a expressão no cinema, mas, posso dizer, com conhecimento de causa, que a realidade é ainda mais cruel. No Vasco da Gama, o sistema entrega a mão para salvar o braço", explicou o presidente.

O conturbado processo eleitoral do clube também não escapou das críticas de Campello. "As eleições do dia 7 de novembro mostraram claramente como os parasitas sempre buscam um novo hospedeiro. Ao longo daquele sábado, identifiquei na campanha de um dos candidatos vários dos funcionários que demiti, pessoas que passavam por mim exalando desejo de vingança em seu suor. Eles querem um emprego, um trabalho honesto para sustentar suas famílias? Não. Eles querem voltar a sangrar o Vasco. Os vermes estão à espreita. Para essa gente, o Vasco será sempre uma vaca leiteira", disse o mandatário.

Campello ainda encerra seu discurso novamente criticando a corrupção no clube. "O sistema, meus amigos, é muito maior do que a gente pensa. E não tem vergonha de se revelar. De um dos candidatos, ouvi, aos gritos, que fui otário por não ter “usado a máquina” para me reeleger. Em três anos, foi o maior elogio que eu e meus companheiros de gestão recebemos. Obrigado, candidato! Não só pelo reconhecimento que cumpri minha missão, mas por escancarar ao vascaíno sua natureza e dos muitos que o cercam. Gostaria de ter feito mais. Não foi possível", resumiu Campello.

Foto: Rafael Ribeiro

 

 

 

 

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