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Empresa controladora do Porto do Açu tem dívida de mais de 4,5 bilhões de reais

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Dívidas da Prumo constariam no balanço do primeiro trimestre de 2017 publicado para investidores

 

Foto: Reprodução

 

Tunan Teixeira

 

Enquanto Macaé ainda discute a lei do zoneamento, que, segundo alguns, seria uma salvação para a cidade, por se tratar de um avanço na questão do novo Terminal Portuário (Terpor) da cidade, o município vizinho de São João da Barra vive com problemas relacionados ao Porto do Açu.

Há algumas semanas, vereadores do município cobraram informações sobre as prometidas vagas de emprego que viriam com a chegada do Porto, mas que, segundo eles, não teriam sido suficientes para aplacar o desemprego no município.

Em Macaé, o Terpor é visto por muitos como uma verdadeira “tábua de salvação” para a economia da cidade, que ainda depende da indústria do petróleo, e que, mesmo com a crise, ainda é muito bem vista pelo mercado, como a Brasil Offshore demonstrou durante os 4 dias de realização do evento, nesta semana.

Mas, ao que parece, o negócio porto pode não ser tão “seguro” assim, como alerta o professor e engenheiro do Instituto Federal Fluminense (IFF) em Campos dos Goytacazes, Roberto Moraes, que, também nesta semana, publicou em seu blog números assustadores relativos às dívidas da Prumo, empresa controladora do empreendimento.

Segundo as informações, a dívida ultrapassaria os 4,5 bilhões de reais, dividida especialmente entre 4 grandes credores: BNDES (R$ 2,757 bilhões); FGTS (R$ 1,3 bilhão) e o fundo financeiro canadense Brookfield (R$ 469 milhões).

De acordo com Roberto Moraes, que chegou a publicar uma imagem com os valores, os dados constam no balanço do primeiro trimestre de 2017 publicado para investidores.

“É uma dívida bastante expressiva, mas pagável, dependendo dos resultados da empresa, que precisa ter lucros para se preparar para o final da carência e início do pagamento, para a continuação das atividades do empreendimento. Porém, não há como negar que este volume de dívidas dificulta a alavancagem de dinheiro (empréstimos) para novos empreendimentos no Porto do Açu”, analisa o professor, que escreve sobre a cadeia do petróleo no mundo, no Brasil e na região.
Sobre as dívidas, ele diz que a contraída junto ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) é a mesma que as investigações policiais indicaram a participação do ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que as teria autorizado, para beneficiar o empresário Eike Batista, antigo controlador da empresa LLX (atual Prumo).

O engenheiro destaca que as dívidas com o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) são expressivas e equivalem a 60% do total, e que são intermediadas, garantidas e repassadas através de bancos particulares que respondem por elas no caso do seu não pagamento, ou seja, que podem ser da Prumo com outras instituições bancárias, o que também representaria problemas para obtenção de investimentos.
“A divulgação destes dados ajuda a que se possa ter uma melhor compreensão sobre a corporação, hoje controlada pelo fundo financeiro americano EIG Global Energy Partners. Sua interpretação deve ir além das divulgações publicadas em colunas pagas ao preço da mídia comercial. Assim, vale ainda registrar que neste mesmo balanço, 1º Trimestre 2017, a Prumo informa que teve prejuízo líquido no período de R$ 130 milhões”, pondera Roberto Moraes.
Ainda segundo ele, a Prumo Logística Global S.A. teria informado que, até 2016, havia investido um total de 10 bilhões de reais no empreendimento, sendo que 6,3 bilhões teriam sido investidos pela sua subsidiária Porto do Açu Operações, enquanto os outros 3,7 bilhões teriam sido alocados na empresa Ferroport, uma joint-venture com a Anglo American, que atua na exportação de minério de ferro.

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