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Isolamento social e saúde mental: psicóloga dá orientações para evitar ansiedade e até mesmo depressão durante o período

Daniela Bairros

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Daniela Bairros

Depois que muitas prefeituras decretaram a proibição de lugares aglomerados por conta do avanço do novo coronavirus, as muitas famílias adotaram o isolamento social, que segundo as autoridades de saúde, é a melhor 'arma' de prevenção à doença. O confinamento, muitas vezes, podera gerar ansiedade, angústia, melancolia e até mesmo depressão, já que muitos, devido à necessidade, estão longe de familiares e sem trabalhar. E como resultado, se 'inconodam' por não terem nada para fazer. Mas, segundo a psicóloga Flávia Mazette, o período de isolamento, se for aproveitado positivamente, pode oferecer oportunidades de organizar a vida e a saúde mental. A profissional oferece orientações saudáveis neste período para ajudar a combater a ansiedade e até mesmo depressão.
De acordo com Flávia, este é um período, não é algo que vai permanecer, por mais demorado que possa ser e até mesmo penoso. "Por mais amendrotador que possa ser, é um período. Ele vai acabar. Para cuidarmos da nossa saúde mental, temos que encarar que estamos em nossas casas, com nossas famílias e cerceados sim. Apesar de não podermos agora exercer a nossa liberdade de ir e vir, ainda assim somos privilegiados com relação a outros países". A profissional aponta que o primeiro ponto que as pessoas deve ter para manter a saúde mental, é positivar sempre o cenário. "Sempre olhar para o que temos de bom. É importante aproveitar este período, todos nós, porque grande parte da população, estava com o mesmo discurso antes da crise: sem tempo para nada. É hora de focarmos neste pontos e se perguntar: o que eu estou fazendo com o meu tempo. Essa gestão do tempo é muito produtiva. Olhar para esse período de latência, de forma produtiva, faz com que a nossa saúde mental se mantenha bem", explicou.
O isolamento, de acordo com ela, pode gerar picos de ansiedade e até mesmi depressão, mas como estamos no início da crise, a tendência é que nestas primeiras semanas, tenhamos atitudes mais festivas, dormir até um pouco mais tarde, comendo na hora que quer, praticando o ócio. "A partir das próximas semanas, com a progressão da doença, as pessoas tendem ficar mais ansiosas e depressivas de fato. Mas a dica é: façam coisas prazerosas, tentem buscar nesta latência, alguma fobte de informação, não ficar tão presos com as informações. Precisamos sim nos informar, mas não nos sufocar. Olhar para o problema, medi-lo e vê-lo como forma real, é importante, mas ficar inerso, submersos, nunca é saudável. Temos que respirar coisas novas. Ouçam boas músicas, façam boas leituras, assistem programas de televisão para rire, façam programas leves, que agregam toda família. Não se isolem dentro de casa, porque existe uma tendência também, mesmo dentro de casa com familiares, de um ficar no quarto, outro na sala. Cada um num canto. Isso é normal, mas tentem fazer atividades, refeições que unam a família toda. Isso faz muito bem", orientou.
"Preocupação mata, ocupação não"

Este é um ditado popular. E neste período, para a psicóloga, tem que ser ocupado. " As pessoas estão tendo excelentes oportunidades de, por exemplo, ter acessos a livros online, cursos de idiomas. Algumas universidades estão proporcionando cursos online com certificação inclusive. A melhor forma de nos mantermos saudáveis e produtivos, é buscar pelo o que nós queremos. Aquele curso de inglês que você está para fazer há tempos, por exemplo, vai te dar um pontapé inicial para depois fazer o curso presencial. Nós temos que dar 'srarts' para coisas que são necessárias em nossas vidas e que são prazerosas. As necessárias viram prazer no decorrer do tempo. Exercícios físicos também. Além de fazer bem ao corpo, faz bem à mente, libera endorfina, nos tira desse caos mental".

Depressão

Flávia explica que estamos vivendo um paradoxo. Antes estávamos vivendo momentos de picos de depressão, casos em grande escala. " As pessoas estavam estressadas, sem tempo para si. Agora é o contrári. As pessoas estão em suas casas, algumas sozinhas e outras com suas famílias. Têm tempo para lhe dar com os problemas e suas questões. É importante enxergar isso de forma positiva. Encarar seus monstros, às vezes, é necessário. Estamos tendo essa oportunidade agora. Para evitar a depressão, procure se ocupar, procure falar com as pessoas. Eu não posso ter contato físico, mas hoje são muitas formas de contatos: digital, temos chamadas de vídeo, whatsapp, redes sociais. Não se aprofundem somente nisso, mas usem essas ferramentas em razão de uma proximidade que não podemos ter fisicamente. É sim um alento. Aproveitar o tempo para refletir sobre o que ainda precisa ser feito na vida, de pontos que precisam ser revistos, encarar esta fase como reinício. Limpar armário, é muito importante. Organizar a casa. São mensagens que mandamos ao nosso cérebro, que estamos propensos a melhorar nossas vidas, organizar nossas tendências mentais. Começando a organizar tudo fisicamente a nossa volta é uma mensagem bacana para o nosso cérebro, que entende que eu quero organizar dentro da minha mente. A angústia e a melancolia podem chegar, mas nem sempre desencadear uma depressão. São sinais de alerta sim, muito importantes. Tem que ser levados em consideração, mas não podemos problematizar mais do que já está. Olhe com um pouco mais de carinho para isso. O que o meu dia de tristeza está me dizendo? Há dias de tristeza também, mas nem sempre é depressão. Mas o isolamento pide sim agravar isso. Então, buscar por pessoas é uma saída. Porque todos estão em casa, todos estão isolados . Não fique esperando os amigos ligarem. Pega o telefone, converse. Peça ajuda. A atenção é a melhor forma de sanar essas nossaa necessidades mentais, físicas e emocionais".

Isolamento e crianças em casa

A criança expele muito a atmosfera da casa. Se os pais querem que os filhos reajam de forma mais positiva, de uma forma mais produtiva neste período, precisam dar esse tom aos filhos. A primeira indicação, segundo a psicóloga, já que as crianças entendem tudo, nas linguagens delas, mais entendem e de modos fáceis. "Sentar e conversar sobre o que está acontecendo ou que já aconteceu pelo mundo, é importante. Explicar o porque de estarmos tomando essas medidas. Porque ela está dentro de casa. Explique para os filhos o cenário, sem alarmar, sem falar de mortes, mas é preciso colocá-los a par do que está acontecendo no mundo. Não traçar diversões muito severas, sobre o que fazer e como fazer em cada faixa etária . A mesma indicação para um adulto: produza com essa criança, pinte, desenhe, entre na internet e veja videos educativos, colocar um programa que deixe a criança mais calma. Vídeos com bases educacionais, importantes para ela. Dancem com os filhos e aproveitem muito a presença deles dentro de casa. Porque nós realmente precisamos dar valor a esse período. Precisamos dar valor a esse tempo. Esta é a hora de pegar a matéria que a criança em idade escolar esteja com dificuldades. Dê espaco, vazão a ela dentro de casa, para que a criança brinque, ficando longe um pouco das mídias sociais. É importante dar outras opções. Se a criança não tinha tempo para brincar, de fato, agora é a hora. Ter contato com algumas brincadeiras que não tinham, que eram de nossa época de infância, como jogo de dama, xadrez, jogo de adivinhação, adedanha. São coisas fáceis de se fazer, de propor. Pode até fazer de forma digital, mas é preciso que tenha contato físico nestes tipoa de brincadeiras. Vai ser proveitoso, importante. Não deixe a criança inerte o tempo todo. Faça com que ela estude, com que absorva coisas boas neste período".

A importância de criar rotina durante o isolamento social

Neste primeiro momento de isolamento, todo mundo se deu um pouco de liberdade, de dormir até um pouco mais tarde, de não ter regras para horários para comer, de não ter sequências de regras que já viemos obedecendo a um tempo. Ok, nos damos essa liberdade nesse primeiro momento. Só que, confome explica Flávia, manter uma rotina vai ser importante. Tanto para atravessar esse período, tanto depois da crise. "Teremos que retornar as nossas atividades. É importante que não façamos com sofrimento, que nós deixemos p nosso corpo preparado. Por isso, os 'starts, são importantes. Se reciclar, fazer cursos, tentar buscar conhecimentos, que agreguem mais a nossa rotina, que vai voltar. É importante estabelecer horários, regras, coisas confortáveis, que vão nos preparar para o retorno a nossa rotina anterior. Se adotarmos rotinas, será mais fácil voltar depois. Tire um tempo para praticar exercícios fisicos, se você gosta de dormir cedo, de acordar cedo, dê sentido, objetiva essa criação de rotina. "

Crise sanitária x financeira

Diferente de outras crises, de outra situações que tenhamos passado, o coronavirus nos traz o caminho reverso do que sempre acontece. "Eu vivi uma crise financeira, perdas de emprego. Agora estamos no contrafluxo disso. Existe uma crise na saúde que vai afetar algumas famílias e a economia. A questão da economia é o reflexo de uma crise sem precedentes. Então, nós nao temos uma mensura de quanto tempo essa crise vai durar, os impactos que vão causar o que podemos fazer é: fazer nossos planejamentos pessoais, sendo ele de carreira, financeiro, regrar um pouco as finanças, cortar gastos excessivos. Aproveitar que não estamos saindo às ruas, que não estamos tendo gastos com transporte, vestuário, alimentação. Se você já tiver feito sua parte, sua caixinha, terá uma poupança. Depois poderá viajar, fazer um lazer com a família".

Ainda segundo Flávia, o importante para manter uma saúde mental, profissional, é realmente se olhar, se renovar, organizar a vida, usar esse período da melhor maneira possível. "Não pare de fazer contatos com as pessoas que trabalham na sua área. É preciso arrumar formas, de se socializar mesmo em época de crise. É importante se manter na vitrine. É importante conversar com pessoas que tenham ideias afins, que trabalham. É importante rever questões profissionais, que estavam no automático. Isso tudo vai fazer muita diferença no retorno. Temos sim hoje uma crise, estamos passando no começo dela ainda. A tendência é que ela cresça nos próximas semanas, mas ela vai passar. E temos que estar preparados para todas as etapas. A melhor preparação é se cuidar, cuidar dos seus e mantendo sempre contato com quem gostamos. É importante olhar para esse momento histórico. Nós fazemos parte de uma coisa muito importante: estamos curando o universo, fazendo esse isolamento social, buscando ações positivas. Nunca as pessoas estiveram tão iguais umas as outras. E todas são importantes neste momento. Que possamos também ser solidarios para os que mais necessitam. Aproveitem o tempo para repensar valores para trazer à tona. É vida para vida. Fazendo a nossa parte, pensando positivo, e fazendo o que está sendo indicado, logo iremos sair disso", concluiu.

Crédito: Divulgação

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