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Exposição virtual, em Cabo Frio, marca os 100 anos de Carlos Scliar

Daniela Bairros

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Daniela Bairros

Com as visitas temporariamente suspensas ao público por conta da pandemia, a Casa Scliar, em Cabo Frio, em breve, poderá ser visitada de qualquer lugar do mundo. Para celebrar o centenário do pintor modernista, o Instituto Cultural Carlos Scliar disponibilizará a partir desse mês o passeio virtual à Casa museu Carlos Scliar. Nas paredes da sala principal a exposição “Scliar – 100 Anos”, recebe os visitantes com obras que datam desde os anos 40 até os anos 90 do século passado. A visita virtual, abre as portas da casa onde Scliar viveu cerca de 40 anos.

O tour contemplará todos os cômodos da casa, jardins e espaço educativo. O destaque está no segundo andar do sobrado onde ficam o quarto e o ateliê de Scliar, com vista para o Canal Itajuru, tema das obras do artista. As dependências da casa mantem a ambiência deixada por Scliar, sua mobília e objetos do seu cotidiano, tudo mantido exatamente como o artista deixou. O passeio virtual  está disponível no site www.carlosscliar.com, desde o último domingo (21), data em que Carlos Scliar completaria 100 anos.

A mostra destaca obras em que Scliar insere frases e palavras nas telas, como “Pergunte sempre” e “Pense”, uma provocação do artista. As obras são de 1975, um período em que segundo o artista: “Queriam pensar por nós, subestimando a inteligência e capacidade do povo brasileiro”. Uma instalação com as palavras “Leia” e “Pense” impressas repetidamente reforça a mensagem. “Queremos apresentar o Scliar para além da pintura e como ele promovia a reflexão por meio da palavra associada à imagem. Ele era amigo de grandes personalidades da cultura brasileira, como Jorge Amado, Clarice Lispector, Oscar Niemeyer e Vinícius de Moraes. No acervo da instituição encontramos diversas obras, fotografias e centenas de correspondências que contextualizam o intenso diálogo entre Scliar e os principais artistas e intelectuais do século XX. A leitura é a base do conhecimento e este é o tema que abordaremos junto aos estudantes da rede pública, assim que as visitas presenciais estiverem liberadas. Enquanto isso acreditamos que o material disponibilizado na rede já servirá de apoio para as aulas realizadas on-line”, comenta a coordenadora da casa, Cristina Ventura, responsável pela curadoria da exposição.

Os jovens estudantes, como lembrou  Cristina, sempre foram o público alvo da bucólica casa no bairro São Bento. Na década de 1990, Scliar abria o seu jardim para os encontros do movimento estudantil de Cabo Frio. Nos últimos anos, o espaço recebeu mais de 1000 alunos da rede pública de ensino participantes dos projetos “Meu lugar, meu patrimônio” e “CaptaAção – Respeito dá o tom e Seu descarte minha arte”, este realizado em parceria com Prolagos, por meio do programa de responsabilidade social da concessionária de água e esgoto. “Nossa grande missão é o trabalho com os estudantes da rede pública, e esses projetos educativos são fundamentais para os alunos frequentarem o espaço cultural e gerar neles o sentimento de apropriação do lugar. A qualidade do acervo da instituição nos permite abordar diversos temas complementares ao conhecimento e aprendizado realizado nas escolas. O tema leitura começa a ser tratado na Exposição Scliar 100 anos, e é a base do projeto educacional que será desenvolvido junto aos estudantes da rede”, reforçou  Cristina.

A Casa Scliar possui um centro de pesquisa com mais de 10 mil documentos datados a partir da década de 1930. O acervo é constituído de correspondências, recortes de jornal, gravuras, periódicos, fotografias, telas, esculturas, obras literárias entre outros itens, e narra os principais acontecimentos do Brasil do século XX, fundamental para a compreensão da história e cultura nacional, trata ainda da participação do Brasil na Segunda Grande Guerra Mundial. O centro de pesquisa atende a pesquisadores e estudantes de todo o país. Para manter a integridade da coleção, mesmo durante o período de pandemia e isolamento social, são necessárias ações de conservação e prevenção. A equipe do Instituto criou uma rotina de trabalho para higienizar o acervo, aferir umidade, manuseio, catalogação, além da manutenção preventiva do próprio imóvel, tombado pelo patrimônio municipal. “Mesmo fechado para visitação, as ações de conservação do acervo não podem parar. Criamos uma rotina de tratamento, com pequenos grupos da equipe para realizar o trabalho de conservação, fundamental para garantirmos a integridade do acervo, a alma do Instituto Cultural Carlos Scliar. Nesse momento o trabalho é realizado graças a equipe de voluntários e o apoio da Prolagos, fundamental para conservação do espaço cultural”, reforça.

Com apoio cultural desde 2017, a Casa Scliar é uma importante parceira da Prolagos, empresa do grupo Aegea,  no desenvolvimento de projetos com foco na educação, cultura e desenvolvimento social. Entre as ações já realizadas está a exposição Respeito Dá o Tom, em função do lançamento do programa de igualdade racial do grupo Aegea e suas unidades. A mostra foi composta por fotografias, esculturas, filmes, ambientação musical e reprodução audiovisual destacando a importância da cultura afro-brasileira na formação da sociedade. O tema foi desdobrado no projeto CaptaAção, em 2018, que levou alunos do nono ano da rede pública de Cabo Frio a refletirem sobre o racismo. A atividade culminou na produção de um curta-metragem.

O sucesso do projeto e o vasto material permitiram a realização da segunda edição do projeto, levando estudantes dos cinco municípios da área de concessão da Prolagos a discutirem questões relacionadas ao meio ambiente, principalmente na produção de resíduos sólidos, e, ainda, a produzirem artesanato a partir de material reciclado. “A Casa Scliar é um oásis do conhecimento, seu rico acervo permite a abordagem de diversos temas e tem sido fundamental para desenvolvermos, em parceria, projetos de responsabilidade social, que estimulem o pensamento reflexivo entre os jovens a partir do acesso à cultura”, disse o gerente de Responsabilidade Social da Prolagos, Ricardo Azevedo.

 

Crédito: Divulgação

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