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Bacalhau tá caro? Chefe de cozinha de Macaé e especializado em frutos do mar dá dicas de como inovar no almoço de páscoa

Daniela Bairros

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Daniela Bairros

Em duas épocas do ano, a nossa herança portuguesa tem forte influência sobre o cardápio das casas brasileiras. É no Natal e na Páscoa que o Bacalhau reina absoluto, seja no bolinho, na salada, ou nas diversas receitas que se espalham pelo país, principalmente aqui no Rio de Janeiro.

Mas de onde vem esse costume?

O bacalhau chegou ao Brasil na época do descobrimento. O hábito, porém, tomou forma após a chegada da família real portuguesa, em meados do século XIX. Isso porque o bacalhau era prático para ser salgado e desidratado, fazendo com que o peixe fosse armazenado para durar mais tempo sem estragar. Apesar de ser uma tradição portuguesa, é da Noruega que vem os melhores bacalhaus do mundo. Aliás, Bacalhau não é, especificamente, um peixe, mas sim, o nome dado a algumas espécies depois de passar pelo processo de cura e salga. Mas atenção! Somente podem ser chamadas de bacalhau as espécies Gadus morhua, Gadus macrocephalus e Gadus ogac.

Levando em consideração que o processo de salga era para conservar o peixe em um período em que não havia refrigeração, e que o bacalhau verdadeiro vem lá do outro lado do mundo, e gasta-se muita energia para chegar até aqui (combustível, embalagens), o chef especializado em pescados e frutos do mar Guilherme Veiga, defende que já passou da hora de apostarmos nos peixes locais para as festas. “ temos um litoral maravilhoso, espécies que custam de R$10 até R$40 o quilo, e continuamos com o hábito do bacalhau. Nada contra, o bacalhau é uma iguaria, mas não é obrigatório nas festas.” defende.

E faz sentido. Enquanto o kg do bacalhau custa até R$150, o peixe mais caro encontrado no mercado local, custa R$50. Claro que a diferença do preço também se dá pelo fato do bacalhau já chegar em filés, e os peixes frescos serem vendidos inteiros. Além disso, a salga faz com que o peixe perca até 30% do seu peso total, resultando em um produto ainda mais caro.

Então, pra quem quer fazer bonito no domingo de páscoa, sem gastar uma fortuna, o chef sugere:  “Pescada Amarela, Sargo de dentes, Cherne, Robalo, Pargo e Garoupa são os reis. São peixes com carne muito firme, que aguentam muito bem o forno, com bastante azeite, batatas e um preparo parecido com o do bacalhau. Agora, minha sugestão mesmo é a brasa. Procure o peixeiro e calcule de 300 a 400 gr do peixe inteiro, por pessoa, tempere com um ótimo azeite, flor de sal, pimenta do reino, limão e as ervas que preferir. Asse até deixar a pele tostada. Vegetais no forno, ou também na brasa, vão deixar seu domingo ainda mais delicioso” completa.

O Mercado Municipal de Peixes de Macaé está funcionando diariamente até as 13h, devido ao decreto estadual e municipal.

Crédito: Divulgação

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