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Parque Aquático de Alair Corrêa está entre beneficiados em fraude no sistema de subsídios rurais em contas de luz

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*Com informações da Folha de São Paulo

Uma matéria recém-publicada pelo jornal Folha de São Paulo mostrou que subsídios na conta de luz de produtores rurais têm sido mal fiscalizados e podem apresentar fraudes milionárias, custeadas pela tarifa de energia extra na conta de luz dos consumidores de luz de todo o país — de residências a indústrias. A conta é bilionária: entre fevereiro de 2013 e o fim do ano passado, foram concedidos R$ 14,6 bilhões de descontos a pessoas e empresas cadastrados como produtores rurais. Neste ano, o valor previsto é de R$ 3,4 bilhões.

Um dos beneficiários desses subsídios é o Parque Aquático Riala, em Cabo Frio, na Região dos Lagos. O proprietário é o ex-prefeito da cidade Alair Corrêa. Ele chegou a se candidatar a deputado estadual em 2018, mas não se elegeu. Aberto aos fins de semana, das 10h às 17h, o parque —que tem entre suas atrações um "bar-molhado", uma piscina para crianças e "brinquedos radicais", segundo a descrição do próprio estabelecimento — recebeu um desconto de R$ 23,2 mil em 2017, sob a inscrição de produtor rural.

Há também uma série de igrejas e associações religiosas que recebem os subsídios destinados a agricultores — em 2017, foram ao menos 948. Uma delas é a Igreja Metodista Wesleyana, em Rondônia, que teve desconto de R$ 17 mil em 2017.

Apesar dos inúmeros casos que levantam suspeita de fraude, hoje, ainda não é possível dimensionar o tamanho total das prováveis irregularidades, já que a prestação de contas à população tem falhas.

Esse cálculo foi feito a partir de um cruzamento entre a lista de beneficiários e o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) das empresas, um registro feito pelas companhias junto à Receita Federal, no qual declaram suas atividades econômicas.

Ao todo, as companhias beneficiadas receberam R$ 40 milhões de descontos em 2017. Os valores, porém, tendem a ser maiores. Além da divulgação incompleta dos relatórios, há uma série de lacunas nas planilhas já publicadas, o que impossibilitou o rastreamento das atividades econômicas de diversas companhias.

"Os subsídios na conta de luz, em especial este para os consumidores rurais, são dos mais perversos. Primeiro porque são vulneráveis ao oportunismo. Segundo porque não há uma regra de saída para quem já não precisa. E terceiro porque não há nenhum controle, o que resulta em aumentos desnecessários dos custos e das tarifas", afirma Edvaldo Santana, ex-diretor da Aneel e hoje vice-presidente da Electra Energy.

"Os interesses localizados mobilizam muito. Quem está pagando a conta muitas vezes não percebe. É um jogo desigual. Agora que a tarifa chegou a um nível insuportável é que está se questionando", diz Paulo Pedrosa, presidente da Abrace (Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia).

Outro lado: tarifa não deve pagar subsídio, diz diretor-geral da Aneel

A Aneel iniciou, neste ano, um pente-fino nos subsídios pagos pelos consumidores — não só aqueles pagos a produtores rurais mas também a companhias de saneamento e fontes renováveis. As distribuidoras terão até três anos para concluir a fiscalização, afirma o diretor-geral da agência, André Pepitone.

 


 

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