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Mães quebram silêncio e relatam experiência com saúde neonatal em Araruama

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A matéria sobre a falta de maternidade no município de Araruama, publicada na última quarta feira, dia 29, no Diário da Costa do Sol repercutiu na cidade e fez os moradores quebrarem o silêncio. Embora alguns ainda evitem ser fotografados, de acordo com os mesmos, por medo de serem perseguidos, muitos estão relatando as dificuldades enfrentadas pelas mães do município.

Essa é a história da família Sales para trazer o pequeno Roberto ao mundo: "O que podemos dizer é que os funcionários são muito simpáticos, por saberem que o principal em Araruama não se tem, que é o acesso à saúde publica. Na verdade Araruama está um caos”, comentaram sem querer apresentar seus primeiros nomes.

O relato da família, residente no distrito de Praia Seca, indica que a falta de médicos e condições adequadas de atendimento assustam os pacientes, fazendo-os buscar hospitais de outros municípios.

"Fizemos o pré-natal no CIMI (Centro Integrado Materno Infantil), havia muitas gestantes e a médica teve que ser rápida. Não deveria, mas é assim, e nem sempre tinha lugar pra sentar, muitas mães com criança no colo tinham que dar prioridade para as gestantes. Na última consulta, a médica falou para esperar até o dia 31 de julho, caso não tivesse as dores, levar ao hospital.”.

 

Atendimento inadequado pode ter ocasionado sequelas no coração do bebê

"Quando começaram as contrações, levamos pra Bacaxá e a médica relatou que estava com 41 semanas em cinco dias, já tendo passado o tempo limite para o parto. Levaram minha esposa direto para a cirurgia. O bebê estava sofrendo e no eletro cardiograma indicava que o coração estava fraco. Depois do parto foi direto para a UTI pré-natal, ele estava bem fraco. Minha esposa demorou um dia para ver nosso filho. Passado um mês, levamos ao pediatra que encaminhou nosso menino para o cardiologista infantil por conta de suspeita de que, devido ao atendimento inadequado no parto, pode ter ocasionado complicações cardiovasculares. Se não fosse o ótimo atendimento no hospital HELagos, (Hospital Estadual dos Lagos em Saquarema), não sei se meu filho estaria vivo, porque em Araruama teria morrido. Estamos à procura de dois exames cardiológicos pelo SUS. Devido a experiência traumatizante em Araruama, preferimos nem arriscar e fomos direto tentar os exames em Bacaxá." Finaliza a família.

 

Mas a saúde nem sempre foi assim

Segundo Aline Silva, moradora do distrito de São Vicente de Paulo, o parto de sua filha foi tranquilo e sem complicações na extinta maternidade Armando da Silva Carvalho. "Eu tive minha filha há nove anos na maternidade São Vicente. Foi muito bom. Não recebi o enxoval que as mães recebiam, mas fui super bem tratada. Inclusive fiz minha cirurgia de ligadura lá. É realmente um absurdo uma maternidade toda bem equipada e preparada para atender a gestante ser fechada." Afirma Aline, de 37 anos.

 

Explicações que parecem não convencer

A distância de deslocamento teria sido o motivo para o fim da maternidade e a transferência do atendimento para o centro da cidade. A assessoria de imprensa do ex-prefeito e candidato André Mônica, responsável pelo fim da maternidade em São Vicente, explica que a decisão foi tomada por conta de reclamações acerca da distância que pessoas de outras localidades tinham que percorrer para obter atendimento. No entanto, recentemente a candidata à cadeira de prefeita de Araruama, Lívia de Chiquinho, mencionou em tom de denúncia que não havia motivos técnicos para extinguir a maternidade na unidade especializada em São Vicente porque o serviço dispunha de ambulâncias circulando 24horas. Para ela, o motivo foi político e em benefícios de grupos políticos do centro da cidade.

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